sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Feliz de quem não se escandaliza comigo

Reflexão de Georgino Rocha

A revolução da  ternura

Estranha afirmação de Jesus que faz parte da resposta dada aos enviados de João preocupados em saber se Ele era o Messias. Escandalizar-se com as suas atitudes e palavras, os seus gestos de cura e ensinamentos de libertação, atingia não apenas os dirigentes religiosos, mas o próprio João Baptista, o precursor. O escândalo seria fruto de algo surpreendente que contrastaria com tradições fundadas e expectativas criadas, com a mentalidade predominante alimentada em rituais de sinagoga e comentários de rua. De facto, segundo Mateus, o evangelista narrador, a surpresa é tão grande que provoca um diálogo clarificador e assertivo entre os enviados de João e o próprio Jesus. Mt 11, 2-11.
“És tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro? é pergunta síntese do que se ouvia falar a respeito do comportamento de Jesus e de que os discípulos de João se fazem porta-vozes, pergunta suscitada pelas dúvidas e incertezas, pergunta que admite a correcção de desvios e comporta o desejo de alcançar a verdade. O contraste é interpelante: A misericórdia compassiva para com os infelizes da vida substitui a justiça “férrea” de João, o anúncio da boa nova da salvação ocupa o lugar do discurso “musculado” e ameaçador do precursor, a proximidade e o envolvimento na missão são como que o contraponto do refúgio no deserto e do isolamento na prisão. À imagem do Deus justiceiro sobrevém o rosto do Deus misericordioso. Contudo, Jesus reconhece a grandeza de João e faz um rasgado elogio. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

“É Natal Português” na Gafanha da Encarnação

“É Natal Português” é o título do espetáculo 
que o grupo “Pedras Vivas” 
irá realizar na Igreja Matriz 
da Gafanha da Encarnação, 
no próximo dia 17 de dezembro,
pelas 21 horas. 
Entrada livre.
Nossa Senhora da Encarnação
Espaço da assembelia com altar
Este sarau cultural é constituído por encenação, concerto musical e coral, recitação de poemas alusivos à quadra natalícia, de modo a criar um evento recreativo e cultural apelativo, sem nunca esquecer a componente religiosa que tem sido uma constante nos diversos eventos realizados pelo grupo “Pedras Vivas” em colaboração com a paróquia da Gafanha da Encarnação.
A maioria das encenações bíblicas são idênticas às realizadas no espetáculo natalício de 2015, às quais foram acrescentadas novas cenas, “com a novidade da introdução de declamação de textos poéticos”, como explicou Ana Caçoilo, uma das dirigentes do grupo informal “Pedras Vivas”.
Os quadros bíblicos começam com os profetas que anunciam a vinda de Jesus, passando pela “Anunciação a Maria”, a “Visita a Isabel”, terminando com a “Adoração ao Menino”. É neste quadro, que recorda o “Presépio”, que surgem os textos poéticos, com poemas da autoria de Adolfo Simões Muller, de Miguel Torga, de João Coelho dos Santos e de Augusto Federico Schmidt, e ainda três textos populares de autores desconhecidos.
“Outra das novidades deste ano é o surgimento de “uma personagem criada por nós, que não é bíblica, e que irá fazer a apresentação do espetáculo, que este ano será diferente, integrando também alguma comédia intercalada com os quadros de cariz um pouco mais dramáticos”, adianta Ana Caçoilo.
A componente musical será constituída por cânticos portugueses e alguns em latim, num total de 16 cânticos. “O ano passado foram 11. Este ano, retirámos os cânticos que o ano passado foram cantados em espanhol, mas introduzimos alguns de origem estrangeira, mas que foram traduzidos para português”, refere a dirigente.
Em palco estarão cerca de 30 pessoas, incluindo os “poetas”, aos quais se juntam mais quatro dezenas de músicos e coralistas”.

Cardoso Ferreira
in Correio do Vouga 

Li aqui

Festa da Imaculada Conceição, Rainha de Portugal

8 de dezembro
Nossa Senhora da Conceição
(Esta imagem está no átrio de acesso à torre
da igreja matriz da Gafanha da Nazaré

O dogma proclamado por Pio IX, em 8 de dezembro de 1854, reconheceu que Maria, Mãe de Jesus, foi concebida sem pecado original e cheia de graça, desde o primeiro instante da sua existência. Aliás, este dogma mais não fez do que reconhecer o que durante séculos se  foi impondo à Igreja ao longo dos tempos, sobretudo através dos Franciscanos, a partir de 1263.
Portugal aderiu à referida corrente, manifestando uma grande devoção a esta prerrogativa de Maria, tendo declarado Nossa Senhora da Conceição padroeira do Reino, em 1646, por proposta de D. João IV. A partir dessa decisão, os reis de Portugal nunca mais usaram coroa, tanto  quanto me é dado saber.
A liturgia celebra este mistério com a categoria de solenidade, a 8 de Dezembro, com textos que datam de Pio IX e refletem o clima próprio do Tempo do Advento.
A piedade popular tem grande devoção por Nossa Senhora da Conceição. Na Gafanha da Nazaré chegou a haver uma festa no dia 8 de dezembro, mais dedicada aos bacalhoeiros, que chegou a suplantar a festa da padroeira, Nossa Senhora da Nazaré, talvez pela natural alegria provocada pela chegada dos que andaram a labutar sobre as ondas do mar gelado dos pesqueiros.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Na noite de Natal não havia bacalhau

Manuel Serra (foto do meu arquivo)


Nasci em 1942, em plena II Guerra Mundial, na aldeia da Raseira, freguesia de Liceia, que pertence ao concelho de Montemor-o-Velho. Na altura, a Raseira tinha 50 ou 60 habitantes. Agora tem 10 ou 20. Éramos cinco irmãos e estávamos numa zona pobre, que tinha de produzir da terra quase tudo o que consumia. O meu pai era carpinteiro e por vezes tínhamos alguns tostões para comprar algo mais. O mar ficava a 20 quilómetros, na Figueira da Foz, mas era como se fosse no fim do mundo. Não havia eletricidade nem gás. Água, era a da fonte para beber e do poço para regar. Embora Portugal não tivesse entrado na II Guerra Mundial, sofríamos os racionamentos. As pessoas tinham de ter um pinhal para ter lenha, uma terra de arroz, um olival, uma terra com nabos, couves e batatas... Em casa tinham alguns animais: galinhas para dar ovos – não se comia galinha – e o porco que se matava antes do Natal.

Festa da Imaculada Conceição

Reflexão de Georgino Rocha



FAÇA-SE EM MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA


A disponibilidade de Maria é total, e incondicional a sua entrega. Que educação lhe deram os pais e que resposta foi ela desenvolvendo ao longo dos anos. Certamente que Deus “andava” por ali a preparar o futuro: a encarnação do Seu Filho. Após uma saudação que a felicita pela graça alcançada e um diálogo que lhe desvenda a densidade do futuro próximo, o seu “sim” é pleno e definitivo, alegre e confiante. Lc 1, 26-38
O episódio tem lugar em Nazaré, aldeia da Galileia com uns cem habitantes. O protagonista é o anjo do Senhor que vem a casa de Joaquim e de Ana. A mensagem expressa-se no convite para ser mãe de Jesus, o Filho do Altíssimo. O ambiente deixa “respirar” simplicidade, e o silêncio faz pressentir a sublimidade do acontecimento. O interlocutor é uma jovem virgem em estado singular: já não “pertence” à família por estar “comprometida” com José, nem ao esposo e seus familiares por ainda não terem celebrado publicamente a boda ritual. Tudo ocorre no espaço onde Maria se encontra, na vida fecunda do lar onde se cultivam as mais nobres tradições e forjam os grandes ideais. Deus inclina-se para ela e para todos os que encontra disponíveis.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O Natal não é ornamento




"O Natal não é ornamento: é fermento
É um impulso divino que irrompe pelo interior da história
Uma expectativa de semente lançada
Um alvoroço que nos acorda
para a dicção surpreendente que Deus faz
da nossa humanidade

O Natal não é ornamento: é fermento
Dentro de nós recria, amplia, expande

O Natal não se confunde com o tráfico sonolento dos símbolos
nem se deixa aprisionar ao consumismo sonoro de ocasião
A simplicidade que nos propõe
não é o simplismo ágil das frases-feitas
Os gestos que melhor o desenham
não são os da coreografia previsível das convenções

O Natal não é ornamento: é movimento
Teremos sempre de caminhar para o encontrar!

Entre a noite e o dia
Entre a tarefa e o dom
Entre o nosso conhecimento e o nosso desejo
Entre a palavra e o silêncio que buscamos
Uma estrela nos guiará
O Natal não é ornamento"


José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Natal não pode ter fim




Com a chegada de dezembro, o Zé Maria era outro. Mais alegre, mais comunicativo, mais solidário, mais delicado. Todo ele era disponibilidade para os outros, conhecidos e desconhecidos. Em casa, no trabalho, na rua, no café. E muitos estranhavam esta mudança brusca num homem humilde, sempre tão preocupado com o trabalho e com a família. Fui um deles. 
— O que é que se passa, Zé Maria? Saiu-te o Totoloto? Foste promovido na empresa? Andas tão diferente…
— Nada disso — respondeu-me, com um sorriso aberto e franco. — O Natal mexe comigo. Basta ouvir as melodias natalícias, ver os enfeites das ruas, apreciar os presépios das montras ou… simplesmente recordar-me da festa da família que a quadra nos lembra. 
O Zé Maria fazia parte do grupo sem fim dos “católicos não praticantes”. E disse-mo um dia em que conversámos, como velhos amigos da infância. Ainda lhe retorqui que isso de “católicos não praticantes” me custava aceitar. E até acrescentei que seria interessante ver um mecânico não praticante, na oficina em que ele trabalhava como especialista de motores diesel.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Semeadores de mudança: poetas sociais (1)

Crónica de Frei Bento Domingues 



1. Falar e escrever para calar os outros era uma tradição papal que João XXIII interrompeu. O exemplo não vingou, mas o Papa Francisco tem gosto em acolher, ouvir e partilhar a palavra seja com quem for, seja onde for. Não aceita que a Doutrina Social da Igreja continue a ser apenas a voz dos Papas.
No passado dia 5 de Novembro, Bergoglio acolheu, em Roma, o 3º Encontro dos Movimentos Populares. No anterior, realizado na Bolívia, ficou claro que sem transformar as estruturas não é possível vida digna para as populações. A luta continua e entusiasma o argentino: “Vós, movimentos populares, sois semeadores de mudança, promotores de um processo para o qual convergem milhões de pequenas e grandes acções interligadas, de modo criativo, como numa poesia. Foi por isso que vos quis chamar poetas sociais”.
O ritmo dessa poesia é marcado pelos passos da caminhada rumo a uma alternativa humana face à globalização da indiferença: 1. pôr a economia ao serviço dos povos; 2. construir a paz e a justiça; 3. defender a Mãe Terra.
O discurso do papa é longo e multifacetado[1]. É uma antologia da vida dos movimentos populares na resistência à tirania. Esta alimenta-se da exploração do medo e do terror. Os cidadãos que ainda conservam alguns direitos são tentados pela falsa segurança dos muros físicos ou sociais. Muros que prendem uns e exilam outros. De um lado, cidadãos murados, apavorados; do outro, os excluídos, exilados, ainda mais aterrorizados. Será esta a vida que Deus, nosso Pai, deseja para os seus filhos?

sábado, 3 de dezembro de 2016

Presépio Simples


Presépio Simples

Acabo de reunir-me.
Sou uma gruta de silêncio e sombra.

Co’a vida, musgo suave,
pedra real e quimera,
um anjo grave
(longos dedos, voo de ave!)
faz um berço e uma espera…

Nos horizontes brumosos
resvalam os séculos vagarosos…

Cai na neve e no silêncio
a flor do Tempo.
Dobram os ramos cimeiros
árvores, céus à terra vil.
Chegam os reis e os cordeiros
(o palácio é um redil!)
e nasce Deus!

(Écloga impossível)
João Maia 

In "Anunciação e Natal na Poesia Portuguesa",
Antologia de António Salvado

O Islão e as Luzes (1)

Crónica de Anselmo Borges 

Malek Chebel 

Quando, há mais de 15 anos, Malek Chebel lançou a expressão "Islão das Luzes" não imaginava o sucesso que ela havia de encontrar. Nascido na Argélia, M. Chebel morreu no passado dia 12 de Novembro, com 63 anos. Antropólogo das religiões, psicanalista, especialista reconhecido no islão, sobre o qual escreveu obras fundamentais, ensinou em várias universidades, tendo-se tornado particularmente notado pelo seu Manifeste pour Un Islam des Lumières (Manifesto a Favor de Um Islão das Luzes).
Dada a importância da obra e no contexto dos grandes debates em curso sobre esta questão tão complexa como urgente, dedico--lhe a crónica de hoje e a do próximo sábado. Faço-o no mesmo espírito de Malek Chebel: "Na realidade, não há crítica válida a não ser que seja, por essência, autocrítica." O seu valor mede-se pelo "amor que se tem à coisa criticada". Não se trata, pois, de "agredir inutilmente os leitores de sensibilidade muçulmana, mas de fazer apelo à sua capacidade de discernimento e ao seu sentido das responsabilidades". O Manifesto tem 27 propostas para reformar o islão. Assim:

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Histórias pessoais sobre o Advento ou Natal para partilhar



Até ao Natal, tentarei publicar, diariamente, no meu blogue, ilustrações, poemas, contos, mensagens, reflexões, memórias, histórias e tudo o que for interessante e importante para os meus leitores e amigos. Nessa linha, aceitarei a colaboração de todos. Muito obrigado aos que quiserem partilhar os seus sentimentos, emoções e expressões, nesta quadra tão propícia à partilha.
Estamos quase com uma semana vivida dentro deste clima de Advento, caminhada espiritual que nos conduzirá ao Natal, e ainda nada recebi, apesar de promessas voluntárias que me foram chegando. Vamos lá, meus caros, será que ninguém tem uma memória, por mais simples que seja, que possa partilhar? Não me desiludam!
Fico a aguardar... 

Fernando Martins

Endireitai os vossos caminhos

Reflexão de Georgino Rocha


João, o precursor de Jesus, envia-nos esta mensagem a partir do deserto, local para onde se havia retirado, deixando a sua terra natal e a sociedade em que vivia. Mateus, o evangelista narrador, recorda que o profeta Isaías já lhe tinha feito referência ao dizer: “Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. E aduz como razão principal a proximidade do Reino de Deus que exige um coração sábio para acolher e uma vontade forte para ser coerente; exige arrependimento sincero das acções desviantes (pecados) e aceitação corajosa de uma nova escala de valores morais (virtudes); exige uma prática religiosa e uma ordem social que, cada uma a seu nível, sejam coerentes e promotoras da dignidade humana; exige, simplesmente, que endireitemos os nossos caminhos. Mensagem de sempre, que brilha, hoje, com enorme intensidade, tal a situação que se vive. E que sentimos na “própria pele” e vemos – oxalá com viva atenção! – um pouco por todo o lado, sobretudo nos meios de comunicação social.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

1.º de Dezembro — Restauração da Independência de Portugal

Deposição de flores (foto do Observador)

«“O que celebramos e celebraremos sempre é a nossa pátria e a nossa independência”, afirmou. “Independência política, independência financeira e económica — que exige rigor crescimento emprego e justiça social e recusa sujeições escuras, subserviências, minimizações intoleráveis quando todos sabemos que as nossas e os nossos compatriotas são cá dentro e lá fora os melhores dos melhores –, independência ética que impõe o respeito da pessoa humana, dos deveres e direitos fundamentais, da isenção, da honestidade da transparecia da vida comunitária.”»



NOTA: Partilho a ideia do erro que representou o corte do feriado do 1.º de Dezembro. Há datas marcantes da nossa identidade nacional; há símbolos intocáveis. E esta data era um desses símbolos, 

Presépios de Portugal no Museu de Santa Joana

Museu de Santa Joana
O Museu de Aveiro | Museu Santa Joana apresentará, até 10 de janeiro de 2017, a exposição “Presépios de Portugal no Museu” com alguns dos Presépios Portugueses mais notáveis e que pertencem à coleção do Museu de Aveiro, na qual se incluem também presépios de artesanato contemporâneo de diferentes Regiões do País. Inclui um Roteiro no Centro Histórico em diferentes Templos: Sé de Aveiro; Nossa Senhora da Apresentação; Barrocas; Nossa Senhora das Febres; no Jardim da Imaculada, na Forca; Igreja do Carmo; Igreja de São Francisco.

Fonte: CMA

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Decálogo para o Natal



Se tens tristeza, alegra-te! O Natal é alegria.
Se tens inimigos, reconcilia-te! O Natal é paz.
Se tens amigos, busca-os! O Natal é encontro.
Se tens pobres ao teu lado, ajuda-os! O Natal é dádiva.
Se tens soberba, sepulta-a! O Natal é humildade.
Se tens pecados, converte-te! O Natal é vida nova.
Se tens trevas, acende a tua lâmpada! O Natal é luz.
Se vives na mentira, reflete! O Natal é verdade.
Se tens ódio, esquece-o! O Natal é amor.
Se tens fé, partilha-a! O Natal é Deus connosco.


Nota: Editei este texto de  autor desconhecido no Natal de 2004, .
Quem souber quem é o autor, agradeço informação.

Portugueses com 65 anos podem viver em média mais 20 anos


«Os portugueses com 65 anos podem esperar viver, em média, mais 19,31 anos, segundo dados hoje revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Já à nascença, segundo dados das Tábuas de Mortalidade 2013-2015 divulgadas em setembro, a esperança média de vida dos portugueses é de 80,41 anos.»

Li aqui 

Nota: Por essas contas, desses 20 anos de esperança de vida, eu já vivi 13. Portante, ainda por cá ficarei, se Deus quiser, mais uns anitos. E entretanto, a ciência, os cuidados médicos e as novas descobertas na área da saúde hão de dar-nos ainda mais uns anos. Deus queira, que a vida é bela.