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Georgino Rocha - A atenção aos pobres faz brilhar a glória do Senhor

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Jesus manifesta grande preocupação em deixar claro aos discípulos o futuro definitivo e a sua articulação com o dia-a-dia da vida presente. Hoje recorre a uma visão profética, antecipando o que vai acontecer. Mateus, inspirando-se em relatos bíblicos solenes, apresenta os ensinamentos de Jesus de uma forma majestática: sentado em trono de glória, à maneira de juiz universal, a convocar todas as nações como um pastor ao seu rebanho, a fazer o discernimento final, a indicar a sorte de todos que será coerente com as decisões tomadas por cada um. É um momento que faz suster a respiração. É um instante que desvenda o sentido da vida e o seu desfecho definitivo, eterno. Sem possibilidades de recomeçar, de voltar atrás.

A imponência do juiz é suavizada pela proximidade e pela ternura do pastor que sem cessar cuida de cada uma, mesmo perdida em vales tenebrosos; pela solicitude que o leva a dar a vida pelo rebanho, a procurar o melhor alimento de que precisa. De facto, Jesus, Rei de Gló…

De pequenino é que se torce o pepino

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Diz o ditado, com razão, que de pequenino é que se torce o pepino. E a paciência e as artes precisam de treino. Ao lado do pai, supostamente, o menino ali está lançando o anzol com isco na esperança de apanhar uns peixinhos. Fotografei sem pretender identificar os protagonistas da cena, porque o que vi retrata claramente qualidades que eu gostaria de possuir em alto grau: Paciência, serenidade para não desesperar, capacidade de atenção e de precisão, gosto pela natureza, paixão pela ria e pelo mar.

António Aleixo — Quadras soltas

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“Deus trocou o tempo para não sabermos mais do que ele”

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Miguel Almeida - Amar com obras e não com palavras

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Festa de Nossa Senhora da Nazaré em 2018

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Não sendo muito festeiro, não deixo de apreciar e valorizar as tradições que vêm dos nossos ancestrais. Quero sublinhar o verbo valorizar pela simples razão de que os tempos mudam, tal como mudam os gostos e as apetências das pessoas. Por isso, compreendo e aceito mudanças que possam enriquecer as tradições.
Tive pena, mesmo muita pena, quando na Gafanha da Nazaré deixou de se fazer a festa em honra de Nossas Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal, no seu dia próprio, 8 de dezembro, ou no fim de semana mais próximo. Era a festa dos bacalhoeiros que nessa quadra já tinham regressado da faina maior.
Voltando à festa de Nossa Senhora da Nazaré, entristeceu-me a falta de mordomos que se empenhassem na organização dos festejos, nomeadamente, na componente profana, como aconteceu este ano. Contudo, no próximo ano já haverá festa, porque se organizou um grupo de homens e mulheres da nossa terra com coragem para avançar. Desejo que consigam não só levar por diante o seu projeto, mas t…

Domingos Xavier Viegas — Um ensaio sobre os incêncios de 2017

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Um poema de Manuel António Pina — O nome do cão

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O NOME DO CÃO

O cão tinha um nome
por que o chamávamos
e por que respondia,

mas qual seria
o seu nome
só o cão obscuramente sabia.

Olhava-nos com uns olhos que havia
nos seus olhos
mas não se via o que ele via,
nem se nos via e nos reconhecia
de algum modo essencial
que nos escapava

ou se via o que de nós passava
e não o que permanecia,
o mistério que nos esclarecia.

Onde nós não alcançávamos
dentro de nós
o cão ia.

E aí adormecia
dum sono sem remorsos
e sem melancolia.

Então sonhava
o sonho sólido que existia.
E não compreendia.

Um dia chamámos pelo cão e ele não estava
onde sempre estivera:
na sua exclusiva vida.

Alguém o chamara por outro nome,
um absoluto nome,
de muito longe.

E o cão partira
ao encontro desse nome
como chegara: só.

E a mãe enterrou-o
sob a buganvília
dizendo: " É a vida..."


Manuel António Pina
primeiros poemas
todas as palavras
poesia reunida
assírio & alvim 2012

Nota: Por sugestão do caderno Economia do EXPRESSO

Eu gostava de envelhecer assim!

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Bento Domingues — Teologia da libertação ou libertação da teologia? (2)

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«Hoje, não posso esquecer que o Papa Francisco, o praticante e resistente da teologia da libertação e da libertação da teologia, instituiu o Dia Mundial do Pobre. Acontece neste Domingo. Se os pobres não estiverem na missa, é porque lha roubaram.»
1. Recebi, recentemente, três obras de três consagrados autores portugueses. Uma é de António Lobo Antunes, outra de Frederico Lourenço e a terceira de António Damásio. Uma pertence à criação literária, outra ao alargamento do nosso mundo bíblico e a terceira à investigação científica. Ninguém escreve como Lobo Antunes, ninguém pode ousar o que Frederico Lourenço consegue, a antropologia científica, filosófica e sapiencial de António Damásio é o guião e o mapa que nos faltavam para a fascinante viagem às raízes da vida, dos sentimentos e das culturas humanas. Mostra-nos como e porquê “os seres humanos acabam sempre por depender da maquinaria dos afectos e das suas ligações com a razão. Não há maneira de fugir a tal condição”. Conhecer essa …

Efeméride - Desertas encalha na Costa Nova

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1916 - 18 de novembro 

"Pelas 20 horas e 20 minutos produziu-se o encalhe do navio «Desertas»ao norte da Vagueira e a meia milha ao sul dos palheiros e armações da pesca da Costa Nova de Aveiro, iniciando-se a partir deste momento uma odisseia de recuperação e salvamento do navio, que durou até 20 de Março de 1920, data em que o navio saiu da barra de Aveiro (16:40) para voltar a navegar. – HJCO"
In Calendário Históricode Aveiro  de António Christo e João Gonçalves Gaspar

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Património das Gafanhas precisa de ser conhecido

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O dinamismo de uma terra, por mais modesta que seja, conta-se pela vida e entusiasmo das suas gentes e instituições, muitas das coisas nos passam à margem. Tanto quanto vou sabendo, nascem e morrem associações na Gafanha da Nazaré, e porventura noutras terra, sem nos darmos conta da sua vida real e das razões por que, de um ano para o outro, morrem sem honra nem glória.  Todos sabemos que a vida agitada que nos domina nem tempo nos dá para pensar na realidade da obra de cada instituição, mas os seus dirigentes podiam muito bem fazer um registo alusivo ao nascimento, trabalhos realizados, projetos de futuro e outros pormenores históricos das associações que dirigem. Desta forma, seria fácil fazer um levantamento do que há nas nossas freguesias, deixando aos vindouros notas preciosas, ao jeito de registo do património local. O mesmo poderia fazer-se noutras localidades.  Se os dirigentes puderem e quiseram proceder a este levantamento, eu terei muito gosto em publicar no meu blogue Gal…

Um poema de Aida Viegas — Tudo Passa

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Tudo Passa

Tudo passa nesta vida
Nos caminhos e nos ventos
Nas correntes de água turva
Na mente nos pensamentos.
Passa a mágoa com o tempo
Passa a dor e passa a vida
Passa a paz e a alegria
Passa a noite, passa o dia.

Há passantes, há passado
Há o passo a procissão.
Uns seguem pelos caminhos
Outros param na ilusão.
Há quem esteja a ver passar
Há quem vá de escantilhão
Outros seguem arrastados
No meio da multidão.
Há passivos, pacientes
E quem vá só de empurrão
Os perdidos vão seguindo
Caminhos de escuridão.
Passam luas sem luar
Dias sem sol e sem luz
Há quem passe derreado
Carregando sua cruz.

Tudo passa
A fome, a guerra
Passa a banda, a procissão
Passa o ódio e o amor
Passa o luto e a paixão.
Passa o vento, passa o rio
O Outono e o Inverno.
Passa o calor, passa o frio
Só não passa o que é eterno.

Aida Viegas

O Homem e a Natureza

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«O mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de se dominarem a si mesmos.»
Albert Schweitzer (1875-1965)
Teólogo, filósofo, músico e médico alemão

Anselmo Borges — Lutero: a fé e as indulgências

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1. Por causa de Lutero, pus-me a caminho de Worms, era eu ainda estudante na Alemanha. Foi uma senhora que amavelmente me disse: ali adiante, no jardim, junto à catedral, vai encontrar uma placa no chão alusiva à presença de Lutero. E lá encontrei a placa: "Hier Stand Vor Kaiser Und Reich Martin Luther, 1521" (aqui compareceu perante o império e o imperador Martinho Lutero, 1521). Foi ali, na Dieta de Worms, que Lutero fez o discurso que marcaria a ruptura com a Igreja de Roma, o discurso que termina com as famosas palavras sempre lembradas quando se trata de defender a objecção de consciência: "Se me não refutardes através do testemunho das Escrituras ou mediante argumentos evidentes - uma vez que não creio nem nos papas nem nos concílios, pois é evidente que já muitas vezes se equivocaram e se contradisseram -, estou encadeado aos textos da Escritura e a minha consciência cativa da Palavra de Deus. Não posso retractar-me nem me retractarei de nada, porque não é justo…

Georgino Rocha — Valorizar os dons que Deus te confia

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Jesus quer deixar claro quem é Deus. Está na parte final dos seus ensinamentos. Tem consigo os discípulos e, neles, todos os que virão a acreditar na sua palavra. Como nós, hoje. E recorre a três parábolas muito concretas: A da festa nupcial, narrada no domingo passado, a da avaliação final ou do juízo da humanidade e do universo, no próximo domingo que a Igreja celebra como a Festa de Cristo Rei, a de hoje dedicada aos talentos confiados aos servos por um homem rico que vai fazer uma viagem. Por indicação do Papa Francisco este domingo é consagrado especialmente aos Pobres, o que indica uma chave de leitura para o texto evangélico
Mateus elabora uma excelente catequese para os judeus convertidos, destinatários preferenciais do seu evangelho. E faz uma narração em que praticamente todos os elementos têm um especial significado. Vale a pena acompanhar o seu precioso relato.
Um homem parte de viagem. (Mt 25, 14-30). Certamente teria razões sérias: Gosto pela aventura, cansaço das rot…

S. Jacinto: Cais dos pescadores

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"O Executivo Municipal de Aveiro deliberou aprovar a abertura do concurso público para a empreitada do novo Cais dos Pescadores de São Jacinto, pelo preço base de 345.000€ (acrescidos de IVA) e um prazo de execução de 180 dias."
Li aqui Foto da Comunidade Portuária do Porto de Aveiro

Nota: Permitam-me que realce a importância desta obra para benefício de quantos há muito tempo por ela esperavam. Todos sabemos da mais-valia que representa um cais bem localizado e equipado, proporcionando melhores condições para os que exercem uma profissão dura e de risco.

Georgino Rocha - Discernir o que é melhor

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Opção de divorciados recasados 
A experiência menos feliz do primeiro casamento exige certamente a quem opta por um segundo uma séria ponderação e uma grande maleabilidade para suavizar surpresas e ter garantias de acertar. Exigência prévia no início, mas também em toda a caminhada conjugal. Exigência mobilizadora de energias e capacidades que serão compensadas pela felicidade alcançada no futuro. Exigência que pode levar o novo casal a procurar ajuda junto de quem vive a mesma experiência ou de quem mantém com alegria serena e confiante a primeira opção matrimonial. Tenho vindo a ler relatos vários e a acompanhar iniciativas diversas, a ler artigos de revista e livros que procuram abrir horizontes a este vasto campo onde o sonho se confronta com os limites da realidade e o desejo de acertar com as hipóteses de insucesso. E o casal em segundas núpcias sente-se inseguro, pressionado pela força da nova opção, “assaltado” pela memória do fracasso ocorrido, vigiado por um olhar estranho e…

Adriano Moreira — A carência de projetistas da paz

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«O castigo da Torre de Babel não foi apenas uma intervenção para o desentendimento linguístico dos que projetaram chegar aos céus, desafiando a autoridade divina, porque os efeitos colaterais desse castigo, que perduram, são o ter contribuído para impedir que a longa teoria dos projetistas da paz tenha conseguido impor o que continua a ser uma utopia, a definitiva preservação da paz.»
NOTA: Ler Adriano Moreira é sempre, para mim, imperativo de consciência pelas propostas de reflexão que nos apresenta. Duma lucidez invejável para muitos políticos e homens de bem, Adriano Moreira mantém, apesar da idade, uma capacidade de raciocínio aliada a uma cultura capaz de causar inveja a muitos pensadores do nosso país.  

É urgente mudar a nossa relação com outros seres do Universo

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Continuamos a destruir a Terra

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Efeméride de 1908 – Dez quilómetros à hora!

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14 de novembro 
«A folha oficial publicou uma portaria governamental que fixava em dez quilómetros à hora, dentro das povoações, e em trinta, fora das povoações, o máximo da velocidade para os automóveis. Por uma interessante estatística, vê-se que em Portugal existiam 840 automóveis, cabendo 21 ao Distrito de Aveiro (Litoral, 15-11-1938) – J.»
In "Calendário Histórico de Aveiro"  de António Christo e João Gonçalves Gaspar
Nota: Eu sei que os tempos eram outros, que os automóveis não estavam tecnologicamente preparados para maiores velocidades, que as nossas estradas seriam muito más, com buracos e com curvas e contracurvas, etc., etc. Mesmo assim, só dez quilómetros à hora! Fica a curiosidade.

Andanças por Aveiro - 2

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Aveiro é uma cidade bonita vista dos mais diversos lugares. De cada ângulo, por mais insólito que seja, é possível apreciar panoramas singulares e dificilmente imaginados  por quem vive ou visita a cidade dos canais. Estes amantes de paisagens amplas e diferentes escolheram, realmente, um telhado central. Rodando, veem a cidade e arredores na sua plenitude. Eu se pudesse fazia o mesmo.

O canal central de Aveiro tem presentemente um movimento como nunca vi. Os moliceiros ou aparentados não param com viagens que se multiplicam, porque não faltam turistas interessados em conhecer outros canais, outros recantos,  cada um com as suas curiosidades. 




As flores ficam sempre bem em qualquer sítio. A  Lita chamou a minha atenção para os "vasos" que as apresentam a quem passa. Nada mais nada menos que alcatruzes dos poços de rega que já desapareceram das nossas paisagens agrárias. O  inútil tornou-se útil. Ainda bem.

Os moliceiros já oferecem cicerones nas viagens pelos canais. Parto …