terça-feira, 31 de outubro de 2006

I Encontro das IPSS do Distrito de Aveiro

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Lacerda Pais e Lino Maia
O nosso lucro
é o sorriso e a esperança
das pessoas
Decorreu no Centro Social Cultural e Recreativo de Avelãs de Cima, Anadia, no passado sábado, 28, o I Encontro das IPSS do Distrito de Aveiro. A iniciativa partiu da UDIPSS (União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social) e teve por tema central “Os Novos Desafios da Solidariedade”. Os trabalhos desenvolveram-se durante todo o dia, com a abordagem de questões pertinentes, relacionadas com os novos desafios impostos por uma sociedade em rápida transformação, tendo contado com a participação de cerca de uma centena de dirigentes. Trabalho em parceria e em rede, formação contínua, qualidade dos serviços e projectos, legislação e o exercício da solidariedade, num País rico em voluntariado, foram assuntos que suscitaram diálogo enriquecedor. Na sessão de abertura, o Governador Civil, Filipe Brandão, manifestou o seu reconhecimento pelo trabalho desenvolvido nas IPSS, mas não deixou de considerar que se torna imprescindível que as instituições se abram mais umas às outras, para uma maior rentabilidade das respostas sociais. Recordando a sua experiência de 32 anos ao serviço de uma IPSS, como dirigente, o director do Centro Distrital de Segurança Social de Aveiro, Celestino de Almeida, garantiu que é muito bom trabalhar para os outros e receber como paga a satisfação ou um gozo que não sabemos explicar”. Mas logo assegurou que, “se há pessoas com capacidades económicas diferentes, também têm de ser apoiadas de forma diferente” pelo Estado. Na sua intervenção, o presidente da CNIS, Padre Lino Maia, salientou que as nossas instituições respondem a 70 por cento dos problemas sociais do País, com os seus 250 mil trabalhadores, o que corresponde a 4,2 por cento do PIB. “Graças às IPSS, não são tão graves os problemas provocados pela crise que o País está a viver”, referiu. Depois de garantir que “o nosso lucro é o sorriso e a esperança das pessoas que apoiamos”, o presidente da CNIS lembrou que o sector da social está a ser cobiçado por gente ligada a interesses lucrativos. Alertou então para o perigo de passarmos a ser olhados como fazendo parte desses interesses, quando as nossas motivações são outras, porque visam as pessoas com mais dificuldades económicas. O presidente da UDIPSS de Aveiro, Lacerda Pais, disse-me que este encontro visou alertar as instituições para a importância do trabalho em rede e da formação. Também se pretendeu chamar a atenção dos dirigentes para a necessidade de desenvolverem serviços de melhor qualidade e de apostarem mais no exercício da solidariedade. Fernando Martins

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

FLORINHAS DO VOUGA

:: AS FLORINHAS DO VOUGA
ANDAM À PROCURA
DOS PERDIDOS DA SOCIEDADE
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Há em Aveiro uma instituição que toda a gente conhece, pela sua acção em prol dos mais desfavorecidos. Tem um nome curioso - FLORINHAS DO VOUGA -, que lhe foi dado, poeticamente, por D. João Evangelista de Lima Vidal, primeiro Bispo da restaurada Diocese de Aveiro.
Recentemente, chegou-me às mãos o nº 2 do Boletim Informativo da instituição - MIOSÓTIS - que reflecte um pouco do muito que as Florinhas do Vouga fazem na cidade, com e para os mais desfavorecidos. O seu director, que é também o presidente da instituição, Padre João Gonçalves, diz, em artigo de primeira página, que as Florinhas gostariam de encontrar todos os perdidos da sociedade, "para lhes conquistar a confiança" e para "lhes dar as melhores respostas". Ora aqui estão duas propostas interessantes e pertinentes. De facto, sem a confiança daqueles que queremos ajudar, jamais os poderemos ajudar.
Mais adiante, mesmo no final do artigo, o Padre João Gonçalves lança, a quem o quiser escutar, um grande desafio: "O 'canteiro' das Florinhas tem a medida do coração! Quem tem coração, venha connosco."
F.M.

CARAVELA VERA-CRUZ

ATÉ 20 DE NOVEMBRO
Caravela Vera-Cruz em Aveiro
Até ao próximo dia 20 de Novembro, a Caravela Vera-Cruz vai estar em Aveiro. A iniciativa, da responsabilidade da Associação Aveirense de Vela Cruzeiro AVELA, pretende valorizar a história náutica do país, divulgar a região e dinamizar a vela. Uma visita de grande interesse histórico e pedagógico. Os aveirenses vão poder visitar e viajar numa réplica fiel da caravela Oceânica Portuguesa do século XV.
Construída no estaleiro de Samuel & Filhos, em Vila do Conde, tendo por base projecto do Contra-Almirante Rogério de Oliveira, a Vera-Cruz foi lançada à água no ano 2000. Do programa delineado pela ÁVELA, destacamos as seguintes actividades: Dias úteis: visitas das escolas do distrito; Fins-de-semana: visitas abertas ao público; Também aos fins-de-semana: saídas ao mar abertas ao público. A caravela encontra-se na sede da AVELA, antiga Lota Velha, Canal da Pirâmides, Armazém nº 7. Contactos: avela.direccao@hotmail.com;
e avela.direccao@sapo.pt Paulo Reis - 96 3390034 Miguel Varela - 96 9276081
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Fonte: Portal do Porto de Aveiro

domingo, 29 de outubro de 2006

INCENTIVOS À LEITURA

GOVERNO APROVA REGIME
DE INCENTIVO À LEITURA
O Conselho de Ministros aprovou, na generalidade, para consulta aos parceiros interessados, um decreto-lei que aprova o regime de incentivo à leitura de publicações periódicas, directamente dirigido aos potenciais consumidores de publicações periódicas de informação geral de âmbito regional. Neste sentido, prevê-se a criação de um Portal de Imprensa Regional com o acesso electrónico aos conteúdos daquelas publicações periódicas, quer em território português quer no estrangeiro. A presença das publicações periódicas neste Portal não acarreta despesas de alojamento para as entidades titulares, garantindo-se a sua autonomia e independência editorial na gestão dos conteúdos. Prevê-se, igualmente, uma comparticipação pelo Estado dos custos de expedição de publicações periódicas suportados pelos assinantes residentes no território nacional, que privilegiará inequivocamente o apoio aos leitores e não às empresas, tendo em conta os limites fixados pelo Direito da União Europeia. O Portal de Imprensa Regional é uma das medidas constantes do Plano Tecnológico. A limitação da comparticipação pública nos custos do envio postal de publicações periódicas aos assinantes residentes no território nacional é uma das medidas previstas no Plano Plurianual de Redução da Despesa Pública, apresentado em 2005 à Assembleia da República.
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Fonte: iid

UM ARTIGO DE ANSELMO BORGES, NO DN

1 e 2 de Novembro:
a visita dos mortos
Para perceber uma sociedade, talvez mais importante do que saber como é que nela se vive é saber como é que nela se morre e se tratam os mortos.
O antropólogo L.-V. Thomas, especialista nestas questões, apresentou esquematicamente as diferenças entre a civilização negro-africana tradicional e a civilização ocidental no que se refere à morte.
Essa diferença assenta no tipo de sociedade ou civilização. Enquanto na sociedade negro-africana predominam a acumulação dos homens, uma economia de subsistência com o primado do valor de uso, a riqueza de sinais e símbolos, a preocupação com as relações pessoais, o espírito comunitário, o papel do mito e do tempo repetitivo, na sociedade ocidental o que predomina é a acumulação dos bens, a riqueza em objectos e técnicas, uma economia com o primado do valor de troca e da sociedade de consumo, a tanatocracia burocrática ou tecnocrática, a exaltação do individualismo, o papel da ciência, da técnica, do tempo explosivo.
Nesta visão, compreende-se que o significado do Homem também será distinto. Se, na sociedade negro-africana, o Homem se encontra no centro, sendo altamente socializado, e os velhos são valorizados, até porque representam a tradição e a sabedoria, na sociedade ocidental, o Homem aparece sobretudo como produto, mercadoria, inserido no círculo da produção-consumo, altamente individualizado e alienado, e os velhos são desvalorizados e abandonados.
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Ler mais em DN

GOTAS DO ARCO-ÍRIS - 37

AS CORES DO DINHEIRO
Caríssimo/a: Ora aqui temos um tema que me trouxe logo à mente um dito muito repetido por minha Mãe, que Deus haja. Quantas e quanta vezes lhe vi sair da boca estas palavras: - Olhai, meus filhos, não sei como elas fazem, mas o dinheiro na casa delas é fêmea e na minha é macho! Claro que nós abríamos os olhos até às orelhas: não percebíamos nada daquilo. O que sabíamos é que os nossos compinchas de brincadeira apresentavam cada brinquedo que nos punham a olhar para o lado. Como era possível? Nessas alturas o que nos vinha à ideia era a cor dos caranguejos e então pensávamos: em nossa casa o dinheiro é da cor dos machos, verde; na casa deles, é avermelhado e amarelo, cor das fêmeas e das ovas. Nem mais! O que era certo é que nessa semana ainda não havia dinheiro para a lousa e o ponteiro e ia ser difícil explicar à senhora Professora o nosso problema, mais difícil do que o do caderno dos ditos. Também na loja as parcelas a pagar ultrapassavam as duas páginas e o tempo continuava chuvoso e o Pai não podia trabalhar, e, se não trabalhasse, não ganhava; bem podia ir até ao local do trabalho, apanhar duas molhas, uma para cada lado, mas não pegando e não se aguentando, não contavam as horas. Será mais do que justo trazer à nossa memória colectiva os donos das lojas que nos forneciam todos os bens essenciais para a nossa subsistência e esperavam semana após semana, mês após mês, para que os «caloteiros» aparecessem com alguns magros escudos para abater na dívida. Ainda não se costumava dizer 'microcrédito', nem outras palavras modernas, como 'Prémio Nobel' ou 'Muhammad Yunus' ou 'Grameen Bank'. A língua era pobre como pobre era o nosso viver. A minha proposta era a atribuição do tal prémio, a título póstumo, a essas pessoas que foram autênticas colunas que sustentavam a frágil economia de muitas das nossas famílias da beira-mar. Certamente que houve alguns exploradores; mas também muitos dos caloteiros nunca se dignavam aparecer para saldar a sua conta... E feitas as contas, sem errar e com a tabuada a funcionar, digamos que o sexo do dinheiro (e portanto a sua cor) hoje continua a variar conforme as bolsas. Manuel

sábado, 28 de outubro de 2006

ABORTO - 5

Entrevista de D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, ao DN
Abstenção no referendo
ao aborto
"vai ser fatal outra vez"
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A abstenção pode ser fatal outra vez." É a convicção de D. José Policarpo alicerçada na sua constatação de que há muitos cidadãos com dificuldade em abordar o aborto. Palavras de uma entrevista realizada na tarde de quinta-feira no seu gabinete do Patriarcado de Lisboa.
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: Portugal vai votar, tudo indica, um novo referendo sobre o aborto. A Igreja Católica vai fazer campanha?
A questão é fundamentalmente de consciência. As campanhas têm uma marca partidária e servem para convencer os votantes para a justeza da escolha de um projecto político. Esta é uma questão transversal. Se há pessoas que têm já uma posição completamente tomada, tudo leva a crer que há uma camada da população para quem a questão é dolorosa, incómoda. Se a campanha for motivada no sentido de um debate esclarecedor das consciências, não teria dúvida nenhuma em dizer que entro na campanha. Se a campanha se assemelha à anterior, a uma campanha partidária, penso que aí não é o meu lugar. Gostaria que as pessoas não perdessem a calma...
O ideal seria não haver campanha? Os cidadãos já têm uma convicção...
Não sou tão optimista. Há muitas confusões. Só podem ter uma posição absolutamente assumida quanto à legalidade da interrupção de uma vida no seio materno por duas razões: ou porque têm dúvidas sobre quando começa a vida ou porque não respeitam a vida. O processo é oculto, dinâmico e progressivo desde a fecundação ao nascimento. A medicina fez avanços extraordinários, mas há dúvidas. Em que momento começa a vida?
Essa é uma questão que pode ser esclarecida.
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Leia toda a entrevista no DN

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

OBRAS NO MUSEU DE AVEIRO

Museu de Aveiro
em obras de remodelação
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A ala do Museu de Aveiro, virada para a Rua Príncipe Perfeito, está a passar por obras de remodelação. Na área do antigo parque infantil, situada na esquina das ruas Príncipe Perfeito e Batalhão de Caçadores Dez, está a ser construído um novo edifício, que acolherá, entre outras valências, a biblioteca e galeria para exposições temporárias.Apesar das obras em curso nessa ala do edifício, a directora do Museu de Aveiro, Ana Margarida Ferreira, sublinha que “mantemos aberto ao público o circuito de visita de toda a parte monumental”.
Sobre os trabalhos incluídos nesta primeira fase das obras, a responsável pelo museu garante que elas não implicam “uma diminuição das cércias, mas somente um ligeiro ajuste das coberturas. Da fachada, também desaparecem as aberturas do piso superior. Com isso, teremos menos uma área expositiva, a qual havia sido acrescentada na remodelação do edifício ocorrida no século XX. Isso permite-nos racionalizar o circuito do próprio museu, não só o circuito de visita, mas também o circuito de serviços internos”.
Quanto ao novo imóvel, “os trabalhos de escavação estão concluídos. Agora, estamos no início dos trabalhos de engenharia para a implantação do edifício”, refere Ana Margarida Ferreira.
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Leia mais no CV

Um poema de Fernando Pessoa

O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Deus quis que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente, Clareou, correndo, até ao fim do mundo, E viu-se a terra inteira, de repente, Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português. Do mar e nós em ti nos deu sinal. Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal!
In "Mensagem"

PATRIMÓNIO CLASSIFICADO - ÍLHAVO

FORTE DA BARRA DE AVEIRO
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Construção relacionada com as Guerras da Restauração e que constava de dois meios baluartes ligados por uma cortina.
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Extremo W. da ilha de Mó-do-Meio
Freguesia de Gafanha da Nazaré
I.I.P., Decreto Nº 735/74 de 21-12
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In "Património Classificado"
(Arquitectónico e Arqueológico)

Um artigo de D. António Marcelino

A VIDA HUMANA
NOS CAMINHOS
DA NOSSA DEMOCRACIA
Governantes despiram as batas de trabalho, vestiram togas de mestres partidários, amaciaram a voz, criaram empatia com as mulheres humilhadas deste reino, fizeram distinções linguísticas e jurídicas para sossegar o povo, rodearam-se de sábios para incomodar outros sábios menos consonantes, garantiram os jornalistas de turno, abriram o microfone a chocas de outras terras e nações e peroraram quanto baste. Para reforçar a democracia e dar sentido de estado ao referendo que aí vem… À baila vieram os chavões de sempre: estar ao nível dos países avançados da União Europeia, erradicar o aborto clandestino, a nossa grande humilhação, insistir no fariseísmo dos que não pensam como nós, apontar de onde vem perigo, a Igreja dominante mesmo se os maiorais parecem não estar de acordo, ridicularizar os movimentos pelo “não”, sem os atacar, gritar que se o povo dá maioria nas eleições é para se fazer o que se prometeu. E já se desenham hipóteses de acção, se ainda não for desta, e já espreitam clínicas estrangeiras com nomes e preçários… Agora, mais um passo curioso. Médicos conhecidos pelo nome ou pelo cargo associam-se a favor do aborto, pedem à sua Ordem que se actualize, dizem que a objecção de consciência, se há uma lei que permite abortar, não tem mais sentido, faz-se a defesa pela negativa, porque, se não se sabe quando começa a vida, não há que ter respeito pelos embriões… E assim, democraticamente, se vai dando motivo para fracturas e divisões entre pessoas, grupos e partidos. Porém, o que precisamos com urgência não é de um clima de serena reflexão, onde todos possam ter espaço e ocasião para serem esclarecidos com honestidade, dizerem livremente o que pensam e querem, sem que, por isso, sejam rotulados, incomodados ou passados a cidadãos de terceira num país democrático? E que dizer do despropósito da vinda de deputadas de fora para dar sentenças e formular juízos morais sobre o país, e da intervenção de governantes estrangeiros, camaradas de partido, a ensinar como se defendem as mulheres que querem abortar? Os nossos problemas somos nós que temos de os solucionar. No pedir ou no acolher tais ajudas, o partido no poder parece não estar convicto de que esta mistura é negativa. Os problemas não se resolvem com imposições de dentro ou de fora e, menos ainda, com o açaimar das pessoas. Não se resolvem com slogans estafados. Perante problemas tão sérios como o da vida nascente, o caminho está em proporcionar a todos os de cá uma intervenção alargada e respeitada. Ouvindo-se com respeito todos podemos enriquecer-nos. Portugal não é um circo. É um país livre com história e cultura próprias. Mas há que aprender com os países mais avançados, diz-se por aí. Tudo bem. E porque não copiar o que se faz com o acesso à saúde, o ordenado mínimo, a liberdade e gratuidade do ensino, o preço dos combustíveis e da energia, o cativar dos melhores, a fidelidade e a justiça no trabalho, e sei lá quantas coisas mais? Estamos longe dos que vão adiante no que tem a ver com o bem comum possível. Poucos falam disto. Liberalizar o aborto, no fundo é disto mesmo que se trata, dar assentimento a desejos de minorias teimosas, é o que teremos de imitar dos outros? Que pobreza de horizontes, que falta de realismo sadio, que cegueira acrítica, que mundo vazio de valores, que pobreza cultural e afectiva! É normal e até salutar que haja opiniões diferentes sobre os problemas. Serve para ajudar a discernir e a valorar. Não pode passar ao lado dos que detêm o poder, pois a eles compete procurar o maior bem de todos e não apenas a considerar alguns que se sentem bem à margem das leis comuns e exigem, só para si, a sua própria lei. Servir não é calar e dominar os que incomodam. Só a aceitação do valor de cada um e de todos gera convicções fortes. Têm-se dado passos válidos e louváveis. Há que reconhecer. Mas, se não se respeita o fundamental, o país entra em derrapagem.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Padre Rego nomeado Consultor no Vaticano

António Rego
no Conselho Pontifício
das Comunicações Sociais
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O Papa Bento XVI nomeou o Cón. António Rego Consultor do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais. A Carta de nomeação pontifícia foi enviada ao Director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais pelo Presidente deste Conselho Pontifício, Mons. John P. Foley, onde expressa a “alegria” em comunicar a nomeação do Cón. Rego por cinco anos, evocando também a “experiência lúcida” do agora nomeado Consultor daquele organismo do vaticano. Em Declarações à Agência ECCLESIA, o Cón. António Rego recorda o envolvimento da Igreja Católica no mundo dos media: no debate em torno do cinema, na dinamização de organizações internacionais (como a UNDA, a OCIC e, no presente, a SIGNIS) e também as iniciativas e os projectos do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais. Acções que o Director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais acompanha de perto e que são exemplos da “atenção cada vez maior que a Igreja dedica aos meios de comunicação social, não apenas para os observar, mas para intervir”. Para o Cón. António Rego, esta nomeação insere-se na atitude com que os responsáveis, no Vaticano, querem trabalhar nos media: “ter a sensibilidade, um pouco de todo o mundo, dos pastores, dos profissionais, para acompanhar o rápido desenvolvimento deste imponente acontecimento do nosso tempo”. Por outro lado, existe a convicção da “atenção com que o próprio Conselho Pontifício tem seguido a experiência da Igreja em Portugal nos media”. Em declarações à Agência ECCLESIA enquanto Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais e também como membro da Igreja Católica em Portugal, D. Manuel Clemente referiu a honra com esta “nomeação justíssima” do Cón. António Rego. O Bispo Auxiliar de Lisboa sublinhou também a certeza da colaboração que o Cón. Rego pode prestar no Conselho Pontifício em ordem à presença da Igreja nos media “quer na forma, quer na transmissão dos conteúdos”. Enquanto consultor deste organismo da Santa Sé, que reserva a sua acção ao estudo da presença da Igreja Católica nos media e à dinamização pastoral junto dos profissionais e das empresas de comunicação social, ao Cón. António Rego será pedida a participação em reuniões, preparação de documentos e sugestões sobre a forma da Igreja, a diversos níveis, intervir nos media. Com o contributo de diversas culturas e o conhecimento de situações específicas, o Conselho Pontifício será mais capaz de sugerir uma “resposta da Igreja, não apenas a nível doutrinal, mas também de aproximação às realidades locais”, referiu o agora Consultor do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais.
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Fonte: Ecclesia
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Nota: Uma palavra de parabéns ao Padre António Rego por esta nomeação, que traduz o reconhecimento público, pela Santa Sé, da sua competência e dedicação.
Conheço o Padre Rego há anos, tendo participado em muitas reuniões em que ele mostrou a sua capacidade e os seus conhecimentos, no âmbito da comunicação social da Igreja e não só. Nele vi a palavra autorizada e prudente, o seu empenho total e responsável, mas também um talento enorme para o diálogo, sempre numa perspectiva da evangelização e da luta por um mundo muito melhor.
Felicito-o na certeza de que vai ser muito útil à Igreja, num domínio carente de gente à altura dos desafios que a sociedade de hoje impõe, mesmo dentro das comunidades eclesiais.
Fernando Martins

FOTOGRAFIA NA UA

«Um sonho: Man Ray
dos objectos às pessoas»
Inauguração na Biblioteca da UA, às 17h30 Exposição fotográfica A Universidade de Aveiro, em parceria com a Fundação João Jacinto de Magalhães, traz a Aveiro a exposição fotográfica «um sonho: Man Ray dos objectos às pessoas». A mostra reúne 87 fotografias e andará pela cidade até 31 de Dezembro.
Na UA, a inauguração é hoje, Quinta-feira, na Biblioteca, às 17h30.
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Para além da Biblioteca, na UA a exposição estará patente na Associação Académica, no Departamento de Comunicação e Arte, no Restaurante e no CIFOP. No resto da cidade, os retratos de Man Ray irão invadir farmácias, cabeleireiros, bares e restaurantes, lojas de decoração e espaços culturais. O Mercado Negro foi o local escolhido para o segundo momento inaugural, em representação da cidade, com início às 22h00 desta Quinta-feira, 26 de Outubro. A exposição «Um sonho: Man Ray dos objectos às pessoas» assume subtítulos, de acordo com os vários locais onde está apresentada. Esses subtítulos estão relacionados com o espaço que acolhe parte da exposição e com o conteúdo das fotografias expostas. No Mercado Negro, a exposição designa-se por «Virgínia Wolf participa numa Tertúlia».
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Foto: UA
Leia mais em UA

PATRIMÓNIO CLASSIFICADO - ÍLHAVO

CAPELA DA VISTA ALEGRE

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A classificação inclui o túmulo de D. Manuel de Moura Manuel, Bispo de Miranda. É um edifício de finais do séc. XVII, com parades espessas, abóbada de tijolo e cantarias de calcário. A fachada é dominada por um grande nicho com uma escultura de Nossa Senhora.

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Lugar da Vista Alegre

Freguesia de São Salvador

M.N., Decreto de 16-6-1910

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In "PATRIMÓNIO CLASSIFICADO" (Arquitectónico e Arqueológico), Distrito de Aveiro

Um artigo de Alexandre Cruz

Que valores para este tempo?
1. Eis-nos diante da pergunta fundamental: “Que valores para este tempo?” Na resposta clarividente a esta questão poderá está a chave para vermos mais longe o que queremos para o bem de todos. Na interpelação sobre os “valores”, nesta procura de referências que nos conduzam, estará a tábua de salvação da própria vida pessoal e social. É bem verdade que o tempo presente é pouco de questões, “não há tempo” nem interesse para os grandes assuntos, preferindo ler tudo numa óptica pragmática perdendo o sentido do horizonte e do ideal; é, por isso, com toda a pertinência, que esta pergunta é temática oportuníssima de conferência da Gulbenkian no assinalar dos seus 50 anos (www.gulbenkian.pt). Ainda bem que uma instituição desta estatura nos ajuda a “pensar” sobre as grandes questões do nosso tempo; pena que com a velocidade e contra-informação dos “dias seguintes” parece que nada fica, que custa a frutificar a reflexão, que é “quase em vão” todo o esforço, que é imensa a distância entre o plano teórico e reflexivo de alguns e a comunidade de todos. Será que a questão dos “valores” que diz mesmo respeito a todos? Acreditamos que sim, e que a reflexão ao seu redor cria novos sentidos de pertença, de cultura, de humanidade. 2. Muitas vezes, e diante de tantos problemas sociais, pretende-se chegar a soluções rápidas mas sem estar resolvido o alicerce de toda a construção. Tantas vezes, por parecer mais prático ou corresponder a visões ideológicas unilaterais, preferimos o “erro” em detrimento do sentido do ideal pessoal e social que terá como bem supremo a dignidade da vida humana. Sem dúvida, só depois de resolvida a questão “que valores queremos para o nosso tempo?” então se poderá dar passos para o ideal que se pretende. É de tal maneira premente e urgente este terreno que, se formos a ver bem, todas a questões candentes na sociedade como o aborto e a eutanásia, a injustiça com a corrupção à mistura, a futebolização já “institucionalizada” com habitual polémica social, a percepção do que é a “liberdade” e a “educação”, afinal, tudo dependerá cada vez mais da resposta sobre, no mundo plural, “em que valores nos queremos construir?” Também é bem verdade, e para complicar mais a missão, que quanto menos se pergunta sobre os valores melhor será para os contra-valores, docemente, progredirem. 3. O nosso tempo é o tempo em que aquilo que seria uma riqueza (a partilha plural de culturas, as formas diferentes de pensar em liberdade a inter-agirem numa construção social que acolha e sensibilize todos para a dignidade humana, o sentido do progresso de todos no sentido da dignificação do ser humano, …), toda esta riqueza parece que se vai transformando em algo de secundário; e aquilo que é o acessório (todo o espectáculo social de um entretenimento como forma de estar na vida) vai-se generalizando como referência, modelo (vazio) de vida. Que tempo já tão diferente de há uns 10 anos em que os modelos a seguir seriam Ghandi, Luther King, Teresa de Calcutá!... Estamos, divertidamente, a desviarmo-nos do ideal humano!... Cada vez com menos lugar para as “filosofias”, menor qualidade de pensamento, já quase sem gosto em viver o “sonho”, num sem sentido cheio (qualquer dia) de prendas de Natal mas com a “alma” vazia de esperança, assim nos vamos afastando do humanismo profundo em que erguemos as referências dos valores que chegaram ao nosso tempo. Estamos a exagerar?! No dia-a-dia andante das avenidas e praças televisivas da sociedade, que hoje “educa” bem mais que todas as energias das instituições (por muito que nos custe!), ainda há dias nos detivemos a contar quantos dias de futebol seguidos existiram e reparámos que foram 11 dias seguidos de bola a meados de Outubro. Factos são factos, valem o que valem; mas é dos factos e de toda a sua preparação entusiasmante (para além do saudável entretenimento) que se vão criando as novas formas de vida. 4. Por tantos “ecos” existenciais do dia-a-dia os “valores para este tempo?” é, simplesmente, questão que já não é precisa, não faz sentido, não há nada a “procurar” aperfeiçoar; tal é a grandeza do vazio; para outros os valores serão mesmo a nulidade elevada a modelo, contra-valores estes espelhados numa chamada “cultura de morte” que não vê mais longe que o egoísmo de seu próprio umbigo, estando cada “outro” sempre a mais. Estará também “morta” a responsabilidade?! É determinante e inquietante demais o que está em causa para os nossos grandes pensadores ficarem só pelas elites dos auditórios de umas dezenas de pessoas que participam; é preciso ir bem mais longe!... Há toda uma nova geração a não entender o que é a “liberdade” e à custa desta a destruir a sua própria viagem pessoal e social! É possível reflectir, pensar, dialogar e partilhar sobre o que está em causa (nas causas) e dignificar os rumos deste tempo? “Amanhã” pode ser tarde!...

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

COMUNICAÇÃO SOCIAL E IGREJA

RELAÇÃO ENTRE
MEDIA E IGREJA
É DE DESCONFIANÇA
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“Os media mostram uma grande ignorância e descon-fiança em relação à religião. Por outro lado, as institui-ções religiosas mostram uma falta de confiança nos media e parecem incapazes de entender as fundamentações do jornalismo, assim como não aproveitam os desafios tecnológicos da informação moderna.” Isto mesmo afir-mou António Marujo, jorna-lista do jornal “Público”, na sua conferência “Religião e Media – Mal entendidos e oportunidades”, em cerimónia ligada ao prémio John Templeton, que decorreu na segunda-feira passada, em Lisboa. O Grémio Literário, foi o local da conferência, onde participaram entre outros, o presbítero Diamantino Lemos, da Igreja Lusitana, ligada à Igreja Anglicana, e Luca Negro, assessor de comunicação da Conferência de Igrejas Europeias. “Em muitas cabeças da Igreja, os media são simplesmente o púlpito moderno”, disse António Marujo, que acrescentou: “Este é um dos piores mal-entendidos. Como jornalista, devo escrever sobre instituições religiosas, mas, para mim, é também importante dar espaço a vozes desconhecidas e a experiências de fé humildes, mas cheias de significado.” António Marujo, foi o vencedor do prémio Templeton, como “Escritor Europeu de Religião 2005”, atribuído pela Conferência de Igrejas Europeias, em Julho passado, numa cerimónia na Catedral da Igreja Anglicana em Lisboa. Em 1995, o jornalista foi galardoado com o mesmo prémio. :::
Fonte: Ecclesia
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Foto: António Marujo

BIBLIOTECA DE ÍLHAVO

Crianças na Biblioteca
::: ESPAÇO DE CULTURA
ABERTO A TODOS
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A Biblioteca Municipal de Ílhavo, que fica na Av. Dr. Rocha Madaíl, é um espaço aberto a todos. A Câmara Municipal, no seu projecto Serviços Educativos 2006/2007, destinado aos diversos ciclos de ensino, diz que se pretende "dar a conhecer autores do nosso país, da nossa terra e também estrangeiros".
"Todos os meses serão relembrados um ou mais autores, através da simples afixação de um cartaz comemorativo ou de uma exposição das suas obras literárias sobre a sua pessoa ou da sua autoria. Serão também levados a cabo outros eventos, tais como exposições de âmbito nacional, debates, conferências e encontros...", lê-se na brochura editada pela autarquia.

IMAGENS DA GAFANHA DA NAZARÉ

PÔR DO SOL
NA GAFANHA DA NAZARÉ
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O meu amigo Ângelo Ribau, que continua como sempre apaixonado pela fotografia, ofereceu-me esta para nossa contemplação. A beleza deixa-nos, de facto, encantados e com vontade de andar por aí à cata de belos enquadramentos para os registarmos para a posteridade possível.
Espero que gostem desta foto da Barra, tirada da Docapesca, como eu gosto. E aqui fica, também, o desafio para fazerem experiências deste género.
F.M.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

JOVENS EM ASSIS

Encontro de jovens
com representantes
de diversas religiões
A Santa Sé está certa de que a paz no mundo depende em parte do autêntico diálogo inter-religioso. Sob este espírito, convocou jovens das diferentes religiões para um encontro que se celebrará em Assis. A iniciativa será celebrada de 4 a 7 de Novembro, no vigésimo aniversário da primeira Jornada Mundial de Oração pela Paz convocada por João Paulo II na cidade de São Francisco, com a participação de representantes de diversas religiões. Este encontro foi apresentado pelo cardeal Paul Poupard, Presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, durante a conferência de imprensa de apresentação da mensagem que escreveu aos muçulmanos, por ocasião do final do Ramadão. Em Assis participarão cem jovens, cinquenta cristãos e outros tantos pertencentes a outras religiões, dos diferentes continentes. Além do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, participam na organização desta iniciativa o Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, os frades do Sagrado Convento de Assis e essa diocese. O cardeal Poupard revelou, ainda, que o encontro procura ser “uma reflexão e um intercâmbio de ideias, com a esperança de que ajude os jovens a serem instrumentos de diálogo, de paz e de esperança para o mundo”. Bento XVI enviou uma mensagem em 2 de Setembro de 2006, na qual faz referência a este encontro, dizendo: “Temos mais necessidade que nunca deste diálogo, especialmente quando contemplamos as futuras gerações”. :: Fonte: Rádio Vaticano

UM LIVRO PARA A AMI

"Cartas a Deus"
A editora «Publicações Pena Perfeita» pediu a alguns (3 dezenas) vultos portugueses que escrevessem uma carta a Deus. Como resultado saiu uma obra - «Cartas a Deus» - com cerca de 120 páginas e testemunhos de vários quadrantes. Marcelo Rebelo de Sousa, Carlos Pinto Coelho, Clara Pinto Correia, Fernando Nobre, Maria João Seixas e António Rego foram alguns dos que aderiram ao projecto cujos Direitos de Autor do Livro revertem para a AMI.
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Fonte: Ecclesia

Um artigo de António Rego

Nada a acrescentar
Acho que, tudo somado, o tempo que vivemos é o menos mau dos tempos que conhecemos da história. Não creio que seja possível apontar um século, uma década, um ano preciso em que a humanidade tivesse optimizado o seu ponto de equilíbrio, os jogos da guerra e da paz, da riqueza e da pobreza atingissem os graus desejáveis e perfeitos num mundo em contínuo movimento. Por que nos voltamos excessivamente para os nossos estreitos metros quadrados e para os minutos antes e depois do agora, como que nos vemos deformados em espelhos de medo e desalento, quais testemunhas oculares de quedas caóticas de todos os edifícios que constituíram o melhor da nossa cidade desejada e imaginária. Mas é assim. Caminhamos pelas ruelas estreitas da euforia e do desalento, esmagados pela amplificação dos acontecimentos em velocidade acelerada que nos roubam a paz. A paz? Mas será paz o desconhecimento e o silêncio, a ficção alienante que esconde o real até que ele se precipite como uma hecatom-be sobre a nossa pequena urbe? S. Isaac, o Sírio (sec VII), monge em Nínive, perto de Mossul, actual Iraque, escreveu num dos seus discursos ascéticos:"A vida neste mundo é semelhante àqueles que formam palavras com letras, acrescentando-as, retirando-as, e alterando-as a seu bel prazer. Mas a vida do mundo futuro é semelhante ao que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, a que nada falta e a que nada há a acrescentar". Este comentário ao "Evangelho Quotidiano" lança-nos bem na reflexão das nossas vidas como dobadoiras do efémero, onde cada acontecimento nos faz voltar a cabeça e o coração em direcções opostas. E nos sugere julgamentos precipitados e porventura injustos sobre o agora, amaldiçoando-o em benefício do ontem. O agora, no tempo, sempre foi assim. Tempos virão em que se não acrescentará qualquer palavra. Temos de aceitar este drama. E acreditar no futuro sólido e imutável. Eis é a grande diferença na leitura da história, do tempo, da evolução, do progresso, do porvir. Tudo tem importância. Mas só ganha significado o que desagua no futuro, "escrito sem o menor erro nos livros selados a que nada falta acrescentar".

CONTADOR

RECUPERAÇÃO DO CONTADOR
Hoje consegui recuperar o antigo contador. Há tempos, a opção por novo grafismo fez desaparecer o contador da Bravenet, sem que, na altura, houvesse possibilidades de o manter em actividade. A partir de agora, cá está ele, novamente, perdendo-se o segundo contador, que já ia nas 4200 entradas. Isto significa que o meu blogue já ultrapassou as 36 mil entradas, em 22 meses.
Fernando Martins

Editorial de António José Teixeira no DN

Desfaçatez
O acórdão do Tribunal Constitucional que avalia as contas da última campanha para as eleições legislativas volta a deixar envergonhada a democracia portuguesa. De tão repetidas as irregularidades, tendemos a relativizá-las. Não surpre-endem.
Sempre que o país vai a votos, é certo e sabido que as candidaturas se estragam em habilidades. Ou melhor, boa parte das vezes, nem sequer se dão ao trabalho de as exibir. Pura e simplesmente não justificam as despesas. A desfaçatez e a impunidade política levaram a este pântano, que coloca sob suspeita permanente aqueles que deveriam ser um exemplo de probidade para os cidadãos-eleitores.
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Leia todo o Editorial no DN

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

VOLUNTARIADO

UMA EXPERIÊNCIA
MUITO ENRIQUECEDORA
Em tempos de algum egoísmo e de muito comodismo, é salutar verificar que há gente jovem (de todas as idades) com capacidade para se dar aos outros. Assim é nos PVU - Projectos de Voluntariado Universitário, uma iniciativa do CUFC (Centro Universitário Fé e Cultura) e da AAUAv (Associação Académica da Universidade de Aveiro), com apoios dos Serviços de Acção Social e da Reitoria da UA.
Esta boa iniciativa partiu da ideia de que, se quisermos, há sempre tempo para dedicar ao Serrviço do Bem Comum, sobretudo na área da formação humana.
Porque há diversas vertentes do voluntariado, a organização solicita aos interessados que procurem o CUFC ou a AAUAv, fundamentalmente para descobrirem, em diálogo aberto com os responsáveis, qual o caminho que mais se coaduna com as disponibilidades e com os dons de cada um.

UM POEMA DE MIGUEL TORGA

CONFIANÇA
O que é bonito neste mundo, e anima, É ver que na vindima De cada sonho Fica a cepa a sonhar outra aventura... E que a doçura Que se não prova Se transfigura Numa doçura Muito mais pura E muito mais nova...

Uma reflexão de Georgino Rocha

CORAÇÃO
QUE VAI À FRENTE
Muitas vezes me vêm pensamentos de ir às escolas desses lugares, gritando como quem perdeu o juízo, e principalmente à Universidade de Paris, dizendo na Sorbona aos que têm mais letras do que vontade para dispor-se a frutificar com elas, quantas almas deixam de ir à glória e vão ao inferno por negligência deles…”. Esta frase consta da carta que Francisco Xavier escreve de Cochim aos universitários de Paris, seus ex-colegas. Nessa universidade, havia sido aluno e mestre, depois faz-se padre jesuíta e parte para o Extremo Oriente nas caravelas portuguesas a 7 de Abril de 1541. São tempos de D. João III. Fiel ao lema que marca a sua vida “Mais, sempre Mais”, percorre os pontos nevrálgicos daquela vasta zona do mundo: Índia, Malaca, Molucas, Japão, China onde não chega a entrar por a morte o haver surpreendido no caminho. Tal como ele, tantos outros sentem a urgência da missão que Jesus deixa aos seus discípulos – os cristãos. “Ide por todo o mundo, anunciai a boa notícia de que Deus quer a felicidade de todos e de cada um. Eu estou sempre convosco: umas vezes escondido nas culturas e religiões dos povos aonde chegais, outras nas comunidades cristãs que ides construir, no modo fraterno do vosso relacionamento, no espírito de serviço e de partilha de que dareis testemunho”. Assim o entendeu um missionário idoso que sonha com ir às montanhas do Himalaia para ajudar os povos que aí habitassem. Põe-se a caminho, logo que a vida lho permite. É Inverno, o frio aperta, começa a chover, a neve a cair, mas nada o demove. O dono de uma pousada interpela-o, dizendo: “Onde vai, meu bom homem? Como chegou aqui?”. E ele, encharcado e quase enregelado, responde sorridente: “ Sigo o meu coração que vai à frente. É o amor que me guia. Quero chegar. Sou missionário!”. De facto, lembra Bento XVI o amor é a fonte da missão. Ser missionário significa amar a Deus, entrar no seu dinamismo, cultivar os critérios de vida que Jesus nos transmite e propor a todas as pessoas, com ousadia e simplicidade, a alegria de colaborar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. ::
In "Para Ti", folha dominical do CUFC

domingo, 22 de outubro de 2006

ABORTO - 4

Nota Pastoral
do Conselho Permanente
Conferência Episcopal Portuguesa
sobre o referendo ao aborto
RAZÕES PARA
ESCOLHER A VIDA
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1. A Assembleia da República decidiu sujeitar, mais uma vez, a referendo popular o alargamento das condições legais para a interrupção voluntária da gravidez, acto vulgarmente designado por aborto voluntário. Esta proposta já foi rejeitada em referendo anterior, embora a percentagem de opiniões expressas não tivesse sido suficiente para tornar a escolha do eleitorado constitucionalmente irreversível, o que foi aproveitado pelos defensores do alargamento legal do aborto voluntário. Nós, Bispos Católicos, sentimos perplexidade acerca desta situação. Antes de mais porque acreditamos, como o fez a Igreja desde os primeiros séculos, que a vida humana, com toda a sua dignidade, existe desde o primeiro momento da concepção. Porque consideramos a vida humana um valor absoluto, a defender e a promover em todas as circunstâncias, achamos que ela não é referendável e que nenhuma lei permissiva respeita os valores éticos fundamentais acerca da Vida, o que se aplica também à Lei já aprovada. Uma hipotética vitória do “não” no próximo referendo não significa a nossa concordância com a Lei vigente. 2. Para os fiéis católicos o aborto provocado é um pecado grave porque é uma violação do 5º Mandamento da Lei de Deus, “não matarás”, e é-o mesmo quando legalmente permitido. Mas este mandamento limita-se a exprimir um valor da lei natural, fundamento de uma ética universal. O aborto não é, pois, uma questão exclusivamente da moral religiosa; ele agride valores universais de respeito pela vida. Para os crentes acresce o facto de, na Sua Lei, Deus ter confirmado que esse valor universal é Sua vontade. Não podemos, pois, deixar de dizer aos fiéis católicos que devem votar “não” e ajudar a esclarecer outras pessoas sobre a dignidade da vida humana, desde o seu primeiro momento. O período de debate e esclarecimento que antecede o referendo não é uma qualquer campanha política, mas sim um período de esclarecimento das consciências. A escolha no dia do referendo é uma opção de consciência, que não deve ser influenciada por políticas e correntes de opinião. Nós, os Bispos, não entramos em campanhas de tipo político, mas não podemos deixar de contribuir para o esclarecimento das consciências. Pensamos particularmente nos jovens, muitos dos quais votam pela primeira vez e para quem a vida é uma paixão e tem de ser uma descoberta. Assim enunciamos, de modo simples, as razões para votar “não” e escolher a Vida:
::: Para ler toda a Nota, clique aqui

O SORTILÉGIO DA SERRA

24 HORAS
NA PAZ DA MONTANHA
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Como homem do mar e da ria, pisando chão plano, sempre sonhei, desde menino, com a magia da serra. Anos e anos olhei para as silhuetas das montanhas, bem visíveis em dias claros, com sonhos de um dia sentir ao vivo a paz dos montes, rodeado do silêncio e da verdura da floresta virgem. Já crescido, recordo os meus primeiros contactos com a serra e senti muitas vezes, ao longo da vida, o sortilégio da montanha, onde vou quando posso. E o mais curioso é que, quando a visito, novas sensações me invadem a ponto de alimentar, nem sei porquê, projectos inviáveis de me fixar nos montes de vidas mais calmas e da tranquilidade absoluta que me aproxima de modo diferente do espiritual. Por 24 horas, fui mais uma vez ao Caramulo, onde há recantos aparentemente nunca vistos. Recantos que vamos descobrindo e redescobrindo em cada esquina, sobretudo em aldeias quase despovoadas, que estão carregados de história e de estórias que são, sem dúvida, riqueza que não pode continuar ignorada. Dia de chuva, ora miudinha ora pesada e agressiva, com nuvens negras a indiciarem o Inverno que oficialmente ainda vem longe, as 24 horas que passei na serra proporcionaram-me uma paz interior que foi saboroso viver. Da janela da casa que me acolheu, fui contemplando a floresta que os fogos de Verão, felizmente, não têm mutilado nem nunca, ao que soube, transformaram em montanha de cadáveres hirtos e ressequidos. Nem carros acelerando e chiando nas cursas, que as há por ali, nem cães que ladram e gente que grita, nem altifalantes que anunciam aos berros arranhados a próxima festa, nem aviões em exercícios mecânicos e enfadonhos, nada perturbava o sossego da montanha que vivia, tranquilamente, a sua existência milenar. Dei comigo a prescindir da música armazenada para ouvir o silêncio apenas perturbado, docemente, pela chuva miudinha que teimava em cair, senti o prazer de conversar ignorando a caixa mágica que mudou e moldou o mundo, deliciei-me com a sesta reconfortante, apreciei um conto da escritora Flannery O’Connor que me deixou emocionado… Passeei por ruas tortuosas despidas de gente, olhei com curiosidade para a toponímia da terra, parei na fonte que corria ininterruptamente, decerto há séculos, admirei a vegetação espontânea que tudo cobre, ouvi estórias de gente que trabalhou e que sofreu, aprendendo na vida a vencer obstáculos e a ser feliz. As nuvens acompanharam-me neste andar e neste estar, alimentando, com as suas correrias mágicas, ao sabor do vento, os meus sonhos, que nunca me abandonaram, de um dia correr mundo, como elas... E tudo isto, e muito mais, graças a bons amigos que sabem muito dos meus sonhos e dos meus gostos. Fernando Martins

Um ARTIGO DE ANSELMO BORGES, NO DN

DEUS NA COZINHA
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Há uma história que Aristóteles narra sobre uma palavra do filósofo Heraclito a uns forasteiros que queriam chegar até ele. Aproximando-se, viram como se aquecia junto a um fogão. Detiveram-se surpreendidos, enquanto ele lhes dava ânimo: "Também aqui estão presentes os deuses."
Os visitantes ficaram frustrados e desconcertados na curiosidade que os levou a irem ao encontro do pensador. Julgavam ter de encontrá-lo em circunstâncias que, ao contrário do viver dos homens comuns, deveriam mostrar em tudo os traços do excepcional e do raro e, por isso, do excitante.
Em vez disso - e estou a transcrever o comentário do filósofo Martin Heidegger à história relatada por Aristóteles -, os curiosos encontraram Heraclito junto ao fogão. É um lugar banal e bastante comum. Ver um pensador com frio que se aquece tem muito pouco de interessante. A situação é mesmo frustrante para os curiosos. Que farão ali? Heraclito lê essa curiosidade frustrada nos seus rostos. Ele sabe que a falta de algo de sensacional e inesperado é suficiente para fazer com que os recém-chegados se vão embora. Por isso, infunde-lhes ânimo. Pede-lhes que entrem: "Também aqui estão presentes os deuses." Também aqui, neste lugar corriqueiro, é o espaço para a presentificação de Deus.
A mística Santa Teresa de Ávila também dizia que Deus anda na cozinha no meio das panelas. Para sublinhar que quem julga encontrar Deus fora do mundo lida apenas com as suas ilusões.
Na união com Deus, Mistério último da realidade, o crente continua no mundo, embora o veja a uma luz nova. A mística, sem o compromisso com os outros, concretizado também no amor político, que inclui o amor cósmico-ecológico, é auto-engano. Como escreveu o filósofo Henri Bergson, "a mística completa é acção"; o místico autêntico, "através de Deus, por Deus, ama a humanidade inteira com um amor divino".
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Leia todo o artigo no Diário de Notícias

Gotas do Arco-Íris – 36

CORES DE AVEIRO
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Caríssimo/a: Será que as cidades têm cor? Quem souber que responda; eu apenas sei que a minha Aveiro é toda ela uma aguarela que sempre me encantou e seduziu... De todas as povoações beijadas pela Ria, Aveiro foi a que mais profundamente se deixou invadir pelas marés; e, assim sendo, encantamento e sedução os atribuia ao sal, aos nevoeiros e neblinas, às nortadas e calmarias. Porém, o Congresso sobre Arte Nova e os livros que me surgiram, mostraram-me que ... E mais escrevi, abrindo o livro de Amaro Neves: «A Arte Nova em Aveiro e seu Distrito». Dizia também que pegando-me pela mão, me levou a admirar fachadas e a espreitar o interior de prédios e casas e solares e palácios aí me revelando a cantaria, a carpintaria, passando à serralharia (aquele gradeamento da varanda com uma borboleta em ferro forjado, na “vila Cecílio”...), ao estuque, ao mobiliário, à pintura, à azulejaria. Realçava eu as “cores arte nova”, com “tons verdes e amarelos vivos... vermelho de intenso colorido... azuis e brancos de gradações diferentes...”, enfim, “cores vivas e geralmente contrastantes”... Nesse instante o sistema operativo do computador deixou de responder, e quedei-me como se estivesse encostado àquela parede a abrigar-me da chuva. Que me resta fazer: esperar que a chuva passe ou avançar? Avancei e ... tudo o que havia escrito se apagou. E agora onde ia encontrar a luz e a cor que se espraiam e nos levavam a subir os empedrados antigos, ruas e vielas acima, a caminho do Liceu ou da Escola Comercial? Sendo-me impossível apresentar-te o meu escrito, fica o convite para que montes na buga e te surpreendas, em cada esquina, com as cores de Aveiro! Manuel

sábado, 21 de outubro de 2006

LÍNGUA PORTUGUESA

ESTAMOS SEMPRE
A APRENDER
As Línguas vivas, que estão sempre a crescer, podem levar-nos a ter dúvidas. Por isso, quem quiser falar e escrever correctamente a Língua Portuguesa tem de estar atento, para se actualizar.
Aqui ficam duas sugestões muito úteis:
Na RTP1, pode ver, à sexta-feira, o programa "Cuidado com a Língua";
No "PÚBLICO on-line" há, também, uma rubrica que pode consultar, intitulada "Dúvidas Linguísticas".

JOÃO PAULO II em desenho animado

O PAPA AMIGO
DA HUMANIDADE
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A vida do Papa João Paulo II vai poder ser vista em desenho animado. Um DVD multilingue, com o título de "João Paulo II - o Amigo de toda a humanidade", vai mostrar a quantos o admiraram o que foi a sua caminhada até aos fim dos seus dias à frente dos destinos da Igreja Católica, marcando, de forma indelével, os destinos do mundo dos homens de fé e amantes da paz. Trata-se de um trabalho produzido pela Cavin Cooper Productions, com a colaboração do Centro Televisivo Vaticano. Além da parte de animação, o DVD inclui um documentário onde o Papa Wojtyla fala de si próprio. Este vai ser um DVD que não deixará de ser apreciado por gente jovem e menos jovem.

PRIVILÉGIOS

OS PRIVILÉGIOS
NÃO FAZEM SENTIDO
NUMA SOCIEDADE
DEMOCRÁTICA
Para mim, numa sociedade democrática, os privilégios não fazem sentido. Viola, a meu ver, o princípio de que a Lei é igual para todos. Portanto, sem excepções.
Toda a gente sabia, penso eu, que os futebolistas tinham um regime especial, tendo por base, alegadamente, que essa profissão é de vida curta.
Se têm uma vida curta, o que em princípio é verdade, também é verdade que alguns ganham muitíssimo mais do que os trabalhadores de outras áreas. E depois, há futebolistas que, depois de arrumarem as botas, continuam ligados ao mundo do futebol.
Numa altura em que se pede a todos os portugueses que se unam para que Portugal deixe de ser um país deficitário, será justo que os jogadores deixem se ser privilegiados, pagando os impostos como todos os cidadãos.
Mais ainda: há hoje muitos trabalhadores que, por ficarem numa situação de desemprego, acabam as suas carreiras profissionais muito cedo, sem terem hipótese de retomar o trabalho.

ABORTO - 3

D. José Policarpo esclarece declarações à comunicação social sobre o aborto
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Posição do Patriarca
de Lisboa sobre o aborto
As minhas respostas à comunicação social, que me interpelou sobre a hipótese de um novo referendo sobre o aborto, foram incorrectamente utilizadas por alguns meios de comunicação e mesmo por forças políticas e parecem ter gerado confusão e mesmo indignação em algumas pessoas. Parece-me, pois, necessário retomar as afirmações aí feitas, com uma clareza que não permita interpretações ambíguas ou desviadas. 1. Comecei por afirmar, o que parece que ninguém ouviu, que a doutrina da Igreja sobre esta matéria, não mudou e nunca mudará. De facto, desde o seu início, a Igreja condenou o aborto, porque considera que desde o primeiro momento da concepção, existe um ser humano, com toda a sua dignidade, com direito a existir e a ser protegido. 2. Afirmei, de facto, que a “condenação do aborto não é uma questão religiosa, mas de ética fundamental”. Trata-se, de facto, de um valor universal, o direito à vida, exigência da moral natural. Com esta afirmação não foi minha intenção negar a sua dimensão religiosa. A mensagem bíblica assumiu, como preceito da moral religiosa este valor universal, dando-lhe a densidade do cumprimento da vontade de Deus. Não é só por se ser católico que se é contra o aborto; basta respeitar a vida e este é, em si mesmo, um valor ético universal. É claro que o respeito pela vida é uma exigência da moral cristã, porque está incluído no quinto mandamento da Lei de Deus: “Não matarás”. Porque é um preceito da moral cristã, violá-lo é um pecado grave. Mas o Decálogo, estabelecido, pela primeira vez no Antigo Testamento, por Moisés, consagrou como Lei do Povo de Deus, alguns dos valores humanos universais, que interpelam a consciência mesmo de quem não é religioso. E de facto, na presente circunstância, há muitos homens e mulheres que, não sendo crentes, são contra o aborto porque defendem a dignidade da vida, desde o seu início.
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Leia todo o comunicado
do Patriarca de Lisboa

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

NOVO BISPO DE AVEIRO

Do semanário MiraDouro, de Cinfães, transcrevo, com a devida vénia, duas expressivas referências ao novo Bispo de Aveiro
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D. António Francisco dos Santos
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Aspectos e figuras da nossa terra:
Desta vez a nossa homenagem vai para uma personalidade dos tempos presentes, para uma referência moral, cultural, eclesiástica e de esperança, que é o Dr. António Francisco dos Santos, nomeado já Bispo da Diocese de Aveiro, cargo de que, em 8 de Dezembro próximo, tomará posse. Pessoa simpática e contida, mas sabedora e construtiva, é, na verdade, uma referência intelectual e humana de rara expressão na nossa terra e mesmo na região e país. A nossa homenagem, de estima e apreço, com votos das maiores felicidades futuras. Que o bem de todos, nós, será. A foto é da nossa autoria, de há uns anos atrás, na Gralheira. M.C. Pinto
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A D.António Francisco dos Santos,
novo Bispo de Aveiro Santo Padre, por Deus iluminado, Pensou em D. António, outra vez, Por ser cheio de fé, culto e cortês, P’ra exercer, em Aveiro, o apostolado. Com muita inspiração e sensatez, D. António foi, pois, nomeado, Para dar ao seu novo episcopado, O seu saber, amor e honradez. Aveiro pode, assim, estar contente, Por Santo Padre, com gosto, lhe dar Um Bispo com bondade e inteligente. Parabéns, sem poderem mais findar. Deus guie o bom Amigo, sabiamente, No Projecto que quer executar. Albino H. A. Brito de Matos Setembro de 2006

ABORTO - 2

Vamos alimentar o diálogo
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Para alimentar o diálogo, de forma sadia, aqui torno mais visível um comentário feito ao meu spot com o título "Ao correr da pena... ou do teclado".
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"É cientificamente falso que um aborto "deixa traumas para toda a vida em quem o faz".
Um parto é muito mais traumatizante (em termos físicos e de risco de vida), embora não tenha a carga emocional de culpabilização que é ideologicamente inculcada a quem aborta.
Devemos tentar utilizar uma linguagem com conceitos precisos e sustentados em estudos filosóficos, éticos, mas também médicos e científicos (de que "traumas" estamos a falar?)e não embarcar em meras impressões ou conceitos ambíguos.
Falar da "natureza" é outro conceito falacioso, porque na natureza, uma parte significativa das fecudações redundam em abortos espontâneos. Aliás, na própria gestação de um embrião, produzem-se fenómenos naturais de destruição de outros potenciais embriões.
Estudar e investigar os diferentes aspectos do assunto em discussão ajudam a enquadrar melhor o problema."

Rui Falcão

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Uma explicação

Gostei da sua participação no diálogo que se pretende animar à volta deste tema tão complexo. O silêncio é que é perigoso. Tenho ouvido e lido, de alguns testemunhos de mulheres que provocaram ou aceitaram o aborto (Hoje mesmo o ouvi na rádio), que jamais esquecerão o dia em que se dirigiram à casa onde abortaram. Claro que haverá gente que aborta e se fica a rir. Também admito que muitas ficarão alegres por se verem livres do feto. Também se sabe que há abortos não desejados, espontâneos. Mas não é desses que estamos a falar. Estamos a falar dos que são desejados e feitos, conscientemente, pelas mulheres, decerto por razões muito fortes... ou simplesmente porque não querem ter os filhos... O diálogo vai continuar... F.M.

UMA VENCEDORA

PRESIDENTE DA REPÚBLICA
HOMENAGEIA
VANESSA FERNANDES
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O Presidente da República, Cavaco Silva, homenageou a atleta Vanessa Fernandes, no Palácio de Belém, não só pelo desejo que sentiu de a conhecer pessoalmente, mas também para a apresentar aos portugueses como exemplo de uma vencedora. O Presidente sublinhou que a nossa campeã mostrou que os portugueses podem ser como ela, vencendo nas artes, nos espectáulos, na ciência e na economia. Vanessa Fernandes não é jogadora de futebol, modalidade com honras exageradas na comunicação social. Esta atleta é, simplesmente, de verdade, uma daquelas campeãs que dignificam o nosso País, mesmo sabendo que não têm lugar de destaque nos jornais, rádios e televisões. Esses lugares vão, normalmente, para o futebol e para os seus ridículos mexericos. Do Presidente Cavaco Silva recebeu como prenda, não um chorudo prémio em dinheiro, mas a Bandeira Nacional, que a atleta considerou como uma medalha, "e das grandes".
A vice-campeã mundial de triatlo recebeu também palavras de incentivo, enquanto prometeu tentar elevar no mastro mais alto, nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, a Bandeira Nacional.
São assim as grandes atletas... F.M.

ABORTO - 1

AO CORRER DA PENA...
OU DO TECLADO
HIPOCRISIA: Esta palavra está muito em voga quando se fala de Aborto. Alguns defensores do aborto gostam muito de a aplicar quando se referem a quem o condena. Estará certo? Penso que não. E penso que não porque as pessoas são livres de ter opiniões, tal como são livres de as manifestar, desde que essas opiniões não colidam com os direitos dos outros, ao nível dos direitos fundamentais que a democracia consagra. Por isso, não gostei nada de ouvir o nosso primeiro-ministro a classificar de hipócritas quem procura, dentro do PS, descobrir uma solução para evitar a condenação das mulheres que são forçadas a abortar. Então, que cada um defenda as suas ideias, sempre no respeito pelas ideias dos outros. : ABORTO VAI ACABAR: Diz-se para aí que o aborto clandestino vai acabar com a descriminalização das mulheres que abortam. Penso que não. Porquê? Porque a mulher, por norma, sabe que o aborto é coisa má. Que deixa traumas para toda a vida em quem o faz. Por isso, muitas mulheres hão-de continuar a procurar, na clandestinidade, quem as ajude a abortar. É da condição humana fazer na sombra aquilo que, na realidade, bem no fundo da sua consciência, sabe que é contra a natureza e que é coisa má. Fernando Martins : (Continua)

Um artigo de D. António Marcelino

Sopro de esperança
num compromisso humanitário
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Um acontecimento da semana alegrou todos quantos têm os outros no horizonte da sua vida, mormente se mais marginalizados e sofredores. Muhammad Yunus, um homem de um dos países mais pobres do mundo, o Bangladesh, porque “soube mostrar que era um líder capaz de transformar as visões em actos concretos para benefício de milhões de pessoas…”, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz 2006. Não o ganhou por um passe de magia, mas por um sopro de esperança traduzido em compromisso humanizador e que, pela competência científica e sensibilidade do coração, se tornou serviço efectivo aos menos protegidos da sociedade. O microcrédito ficará na história como uma das iniciativas mais bem sucedidas e mais humanas, a favor da pobreza que roça a miséria. Não se trata de uma teoria bonita, mas de uma prática concreta e geradora de vida e de confiança. De um projecto de desenvolvimento humano e social, nascido da solidariedade que ajuda a entender que a paz é fruto da justiça e projecto sempre a realizar-se. Vai-se repetindo, aparentemente com convicção, que as pessoas são mais importantes que as coisas e o ser está acima do ter. Porém, alguém disse a propósito, que ninguém está totalmente convencido do que diz. Afirma-se o princípio, mas logo depois, com serenidade e desfaçatez, se age em sentido contrário. Esta atitude que se vai generalizando, mostra bem que a sociedade se envolveu em contradições flagrantes a que já não se reage, porque a doença se tornou contagiante.Quando se toma consciência desta contradição, a que bem se pode chamar mentira social, umas vezes subtil, outras despudorada, logo se tenta, de mil modos, explicar o que se faz e não se faz. Há sempre razões para o justificar, mesmo que não se consiga apagar a evidente contradição entre o dizer e o fazer, entre a explicação e a coerência. Mais preocupante ainda é ver que a sociedade se deixou enredar nesta teia e parece estar satisfeita. As pessoas acima das coisas! Mas como se entende isto numa sociedade corroída por um consumismo exacerbado, em que o supérfluo de uns não sente o mínimo incómodo com a miséria que mora ao lado? Como, se ouvimos que 250 mil portugueses esperam por um cirurgia e que muitos virão a ser chamados depois de terem morrido? Como, se assistimos a um declínio preocupante da natalidade, ao mesmo tempo que quem governa se vai empenhar, pessoalmente e em cheio, na legalização do aborto? Como, se grupos corporativos querem para si o impossível, sem olhar ao dever de fazerem o possível a favor da comunidade? Como, se somos bombardeados com os números que comandam as políticas, quebrando sempre a corda pelo lado dos mais fracos? Como, se os bancos, com saldos de milhões, são duros e inexoráveis para com os mais necessitados, tirando-lhes o guarda-chuva, como alguém escrevia há dias, precisamente quando começa a chover? Como, se em alguns serviços públicos e mesmo particulares, nem sequer a Igreja é sempre modelo, se mantém um tratamento diferente para as Marias e para as senhoras Donas Marias? Como, se a pobreza real e diversa deixou de nos incomodar e, em vez de acção, se multiplicam razões para não agir? Como, se a obsessão dos números da finança comanda a vida e trucida os que já vivem a meias? Como, se o compadrio com os que mais podem desvia a atenção dos que mais precisam?Solidários nas tragédias ocasionais, todos somos capazes de o ser. Solidários no dia a dia, são bem poucos os que arriscam um tal projecto de vida. Esperamos que o sopro se transforme em vendaval de esperança, porque, quer queiramos ou não, as pessoas valem bem mais que as coisas. Não o reconhecer será uma omissão com muitas consequências.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

"FESTIVAIS DE OUTONO"

"FESTIVAIS DE OUTONO"
ANIMAM AVEIRO
Está a decorrer a 2ª edição dos «Festivais de Outono». Até 22 de Novembro não deixe de passar pelas várias salas de espectáculo da cidade para assistir a uma série de concertos, conferências, workshops e masterclasses. Bernardo Sassetti e Maria João Pires são apenas dois dos vários artistas de renome a marcar presença nos festivais. O evento, uma iniciativa da Universidade de Aveiro e da Fundação Jacinto Magalhães, conta também com o apoio da CMA, do Teatro Aveirense, do Museu e do Conservatório de Aveiro.
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Leia mais em UA

POBREZA

Texto do Diário de Aveiro
Cerca de 20 por cento
dos aveirenses
vivem em pobreza
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Ontem, por todo o país foram criados espaços de debate e reflexão sobre a erradicação da pobreza. Aveiro juntou-se a este «debate nacional» com a realização de um mini-fórum que juntou autarcas, responsáveis de instituições, técnicos e voluntários envolvidos em planos de intervenção social
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No Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, Aveiro recebeu um mini-fórum organizado pela Rede Europeia Anti-Pobreza que juntou na mesma sala agentes locais e do país envolvidos em acções estratégicas de combate à pobreza e à exclusão. Com uma forte componente prática, devido aos vários workshops que dominaram o período da tarde, a abertura dos trabalhos contou com o testemunho de responsáveis de IPSS locais, que têm vários projectos de carácter social no terreno. Padre Rocha, responsável pelo Centro Social e Paroquial da Vera Cruz, lembrou à plateia a «grande atenção que desde sempre a instituição dedica àqueles que precisam de ajuda, a vários níveis» e citou, como exemplo, os muitos imigrantes que, recém chegados a Aveiro, encontraram no CSPVC o chuveiro, a comida e a roupa que há muito não tinham. Foi ainda referida a empresa de inserção na área da costura, lavandaria e limpeza, o Gabinete Entre Laços, que dá actualmente apoio a 182 indivíduos, ou ainda o gabinete de acção comunitária direccionado à população imigrante, sem esquecer a Casa Abrigo, sempre cheia. Um complexo trabalho que tem vindo a ser feito nos mais de 30 anos de instituição e que, segundo o Padre Rocha, só é possível graças às parcerias que se vão estabelecendo a nível local e nacional.
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