domingo, 30 de novembro de 2008

UMA RUA POR MÊS: Av. José Estêvão


Homenagem justa ao grande tribuno aveirense


No dia 12 de Março de 1860, iniciou-se a construção da primeira estrada que atravessa a região da Gafanha, ligando os estaleiros ao Forte da Barra. Foi concluída em 30 de Abril de 1861. Estas são as informações da Monografia da Gafanha, do Padre João Vieira Rezende. Começou em Aveiro, em 1855. Posteriormente, seis anos depois, chegou ao Forte. A seguir, passou à Barra, atravessando uma ponte de madeira, junto ao Forte Novo. Por fim, atingiu a Costa Nova. Na área da Gafanha da Nazaré, foi baptizada com o nome de Avenida Central, passando, já nos nossos dias, a Avenida José Estêvão, numa oportuna homenagem ao grande tribuno. A este propósito, até se conta uma história interessante, que terá sido protagonizada por José Estêvão. Recorda João Evangelista de Campos, em “Achegas para a Historiografia Aveirense”, que o grande orador há muito reclamava a ligação rodoviária entre Aveiro e Costa Nova. Vai daí, conseguiu trazer um dia um grupo de deputados, “dos mais refilões”, para verificarem essa urgência. “Embarcados num saleiro, começou a viagem com um tempo regular.” Entretanto, na hora do regresso, quando saíram da Costa Nova, “levantou-se um ventinho”, que foi aumentando. As “marolas” obrigavam o barco a baloiçar perigosamente; com os viajantes a mostravam medo, José Estêvão sossegou-os dizendo-lhes que, “se tivessem ido de bateira, seria muito pior”. E “quando já iam ao largo da cale”, a atmosfera começou “a mostrar sinais de que a trovoada se aproximava”. O medo apoderou-se ainda mais dos convidados, “com o barco a baloiçar e a trovoada a ribombar”. Então, José Estêvão lá anuiu ao pedido dos deputados, dizendo-lhes que regressariam a Aveiro, “se eles dessem a sua palavra de que estavam convencidos da necessidade de se construir a estrada e de que defenderiam (…) essa construção”. E isso terá acontecido, porque o medo era muito. A ser verdade, não há dúvida de que o nosso tribuno era muito esperto. Tão esperto, que até “encomendou”, para essa viagem, um temporal capaz de convencer os “deputados refilões” da premência da estrada, de que a nossa actual Avenida José Estêvão faz parte. Fernando Martins

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 105

A PROVA DE PASSAGEM DA 2.ª PARA A 3.ª CLASSE
Caríssima/o: Pudesse eu dar-vos imagens de boa qualidade do que vos pretendo transmitir! São pouco mais que borrões o que resta desses longínquos acontecimentos: papéis amontoados, amarrotados, amarelecidos, desbotados, ratados alguns... Foi em 1949 que fiz a passagem para a terceira classe! O ambiente era o mesmo do escrito anterior, apenas com uma ligeira diferença: os escolares já não são principiantes! E com esta confiança e a certeza de que tudo vai correr muito bem e até é fácil terão, muitas vezes, de encarar com o nariz torcido a tinta que escorreu do aparo e pôs uma borrata logo ali no meio da cópia! Certificado de pouco cuidado? Pouca destreza? Desleixo e desmazelo? Oh! Céus! Ninguém repara que a caneta não está em condições e o 'prevaricador' choroso vai mostrar à Professora a 'obra prima'! “Não faz mal... Anda pr'à frente...Isso não tem importância! É só um pingo!” Era mesmo só um pingo mas as lágrimas pegadas aos olhos aumentaram o tamanho... Vamos então continuar e seja o que Deus quiser, mas agora mais cuidadinho! Depois da cópia, vinha o ditado e depois a redacção; pronto, a parte escrita feita sem precalços... para além do que aí fica. Um pequeno intervalo e vamos à matemática, às contas e aos problemas; isso é canja. Pois é, mas cuidado que aquele que é um barra atrapalhou-se e passou mal a resposta! Por fim o desenho na última página e a prova escrita concluída. Mais descontraídos e confiantes, tudo termina com a leitura... Resultados afixados na porta com a aprovação de todos e de todas, seguiu-se o jogo das escondidas pelos carreiros da vizinhança da Escola do Ti Bola... e amanhã a liberdade era total: as férias!
O EXAME DA 3.ª CLASSE
Há dias em conversa alguém me dizia que o Professor Carlos era baixo e pequenote... Fiquei perplexo! Na minha ideia ele era um 'gigante'... Foi assim que me ficou retido na minha infantil imaginação quando o contemplo ao lado da minha Professora que o aguardava à porta da Escola acompanhada por outra que também fazia parte do júri. Apareceu montado na sua bicicleta e a 'fotografia' que a minha memória reteve mostra-o como um homem grande! E o caso estava sério: tínhamos um Professor a presidir ao nosso exame da terceira classe, o exame do 1.º grau! Todo ele eram sorrisos e palavras de estímulo, mas sempre era um... homem! O papel utilizado na prova escrita era em tudo semelhante ao das provas finais realizadas por nós nas primeiras classes, mas agora começava-se logo pelo ditado, com a prova da caligrafia por baixo; na página seguinte, redacção; três problemas verificavam os conhecimentos nessa área e terminava-se com um desenho (o tal vaso... ou um copo...) A prova escrita estava feita... logo à tarde é que vão ser elas! Comida a buchita do almoço, ala para o pequeno alpendre e nada de correrias nem de saltos; olhávamos uns para os outros e parecíamos mesmos as ovelhas e os cordeiros que vinham para a festa de Nossa Senhora da Nazaré: também elas e eles não conheciam a sorte que lhes estava reservada. Entrámos e vimos e ouvimos que o senhor Professor fazia perguntas como as da nossa Professora e ria e animava-nos e afinal foi de festa o ambiente que rodeou a afixação do edital com os resultados: “Todos os alunos e alunas submetidos ao exame da 3.ª Classe foram aprovados” ... e seguiam-se as assinaturas dos elementos do Júri. E nós sabíamos que este exame do 1.º grau era importante porque ainda no ano anterior quase todas as meninas deixaram a Escola e, dos rapazes, dois ou três não voltaram que foram trabalhar. As férias esperavam por nós, em Outubro logo se veria como era! Manuel

sábado, 29 de novembro de 2008

CUFC: ADVENTO PARA TODOS

Grupos, Movimentos, PALOP, Coros, Voluntariados… a Caminho do Natal 1. Sublinhemos a palavra caminho, pois não há meta sem percurso, nem triunfo sem esforço dedicado. Estamos diante de um tempo novo que se quer revestir de novos desafios para todos nós. A aceitação corajosa de captarmos os convites permanentes que nos são propostos poderá transfigurar todas as coisas. Mas o essencial não virá do exterior, sim do interior do coração… Este, quando na sua beleza generosa aceita ser parte da construção, do fazer caminho edificante e não do parar na indiferença ou no criticismo que deita a perder os novos horizontes… 2. O tempo de Advento aparece diante de todos nós como uma oportunidade sempre única, até de dar o justo sentido às palavras. Natal não significa coisas mas atitudes, num renascimento espiritual que se abre aos outros e a Deus com novo ardor. Demos tempo à vida, numa vida que deve ter tempo para tudo. Sem o alimento espiritual – que depois se manifesta nos valores vivenciais – o caminho fica aquém do ideal. Este passa pelo reconhecimento de que Deus nos veio visitar e veio para ficar connosco, ser Natal para sempre! 3. Todos somos convocados! Para uma melhor aceitação vivencial temos muitas ajudas, começando pelo Profeta Isaías, passando pela figura emblemática de João Baptista e sentindo em Maria o aconchego do acolhimento. Não haverá Natal sem caminho de aperfeiçoamento. Acolhamos em nós aquele “choque espiritual” que nos poderá despertar para toda a Esperança! Esperança, valor fundamental que também norteará o caminho diocesano… Passo a passo, todos juntos, aceitemos as etapas que nos conduzirão ao verdadeiro Natal! Acolhamos o Convite: CONVITE: Advento Natal CUFC :
3 Dez: 18.30h Celebração 21h Serão para conhecer os Jovens Sem Fronteiras
Alexandre Cruz

Harpa na Viola

Momento musical para este sábado de chuva e muito frio. Que a beleza da melodia e a força expressiva do artista possam aquecer o espírito de todos os meus amigos. A sugestão veio do poeta Orlando Figueiredo, meu prezado amigo e familiar,

Política e Economia: cada cabeça cada sentença

Se há ciência que prima pela variedade de certezas (ou dúvidas?), a economia é uma delas, andando de braço dado com a política. O que uns defendem outros condenam. Por isso, acho que importa ler o possível para nos decidirmos pelo que acharmos melhor. Às vezes podemos acertar.
"Em Portugal, Teixeira dos Santos diz que o Governo vai estimular a economia através do investimento público. Ou seja, vai desperdiçar dinheiro em projectos de duvidosa rentabilidade que já eram contestados antes da crise financeira. As debilidades da economia portuguesa são conhecidas. O peso do Estado é elevado, os serviços públicos de saúde e educação são ineficientes, a justiça não funciona e o sector privado está sobrecarregado de impostos e de burocracia. Perante isto, o Governo recorre à solução fácil de atirar dinheiro para a economia, agravando o défice e o endividamento público."
Ler ESTÍMULOS de João Miranda, Investigador em Biotecnologia

IGREJA, SEXUALIDADE E BIOÉTICA

No lançamento do livro A Sexualidade, a Igreja e a Bioética. 40 anos de Humanae Vitae, de Miguel Oliveira da Silva, procurei reflectir sobre o paradoxo de, sendo o cristianismo uma religião do corpo - não diz a Bíblia que Deus criou os seres humanos em corpo e viu que era muito bom e não confessa a fé cristã que Deus assumiu em Jesus a corporeidade humana e que ela está presente, pela ressurreição, no seio da Trindade? -, em boa parte a má vontade contra a Igreja radicar na sua relação com o sexo. Como admitir, por exemplo, mesmo quando a saúde e a própria vida ficam ameaçadas, a proibição do preservativo? O que envenenou a relação da Igreja com a sexualidade foi o choque entre o poder e o prazer, porque o prazer pode abalar o poder. Concretamente, há a doutrina do pecado original, entendido não como o primeiro de todos os pecados - todos pecam -, mas como um pecado herdado de Adão e transmitido por geração, portanto, no acto sexual. Depois, com a reforma gregoriana, século XI, foram-se erguendo as três colunas sobre as quais assenta, segundo Hans Küng, o paradigma católico-romano: papismo (poder centrado no Papa), celibatismo (celibato obrigatório por lei para os padres), marianismo (devoção a Nossa Senhora como compensação). Como se determinou que tudo o que se refere ao sexo é por princípio matéria grave e como, por outro lado, não há ninguém que não tenha pelo menos pensamentos relacionados com o sexo e só o sacerdote ou o bispo podem perdoar os pecados, a confissão acabou por tornar-se não um espaço de reconciliação e paz, mas tantas vezes de opressão, e raramente uma instituição acabou por deter tanto poder sobre as consciências, criando infindos complexos de culpabilização. Quando se lê os manuais dos confessores e todos aqueles interrogatórios inquisitoriais, quase reduzidos ao campo sexual, percebe-se que muitos tenham começado a abandonar a Igreja por causa da confissão, considerada ofensiva dos direitos humanos. No universo sexual, que, como escreve Miguel Oliveira da Silva, continua a ser "um imenso, incómodo e multifacetado mistério", é evidente que não vale tudo. Ele reconhece que "a sociedade ocidental vive um profundo e grave vazio ético em matéria de sexualidade". De qualquer modo, a Igreja precisa de reconciliar-se com o mundo e a ciência, o corpo e a sexualidade. Mas enquanto se mantiver a lei do celibato obrigatório não estará todo o discurso eclesiástico sobre o tema debaixo do fogo da suspeita? Nos seus Jerusalemer Nachtgespräche, o Cardeal Carlo Martini interroga precisamente esta lei e, depois de considerar os estragos da encíclica Humanae Vitae, reconhece que muitos esperam do Magistério uma palavra de orientação sobre o corpo, a sexualidade, o casamento e a família. "Procuramos um caminho para, de modo fiável, falar sobre o casamento, o controlo da natalidade, a procriação medicamente assistida, a contracepção." Neste domínio da contracepção, o equívoco fundamental da encíclica Humanae Vitae encontra-se numa concepção de lei natural fixa, estática e centrada na biologia. Ora, por natureza, o ser humano é cultural e histórico e a própria realidade é processual. A sexualidade humana não pode ser vista apenas na sua vertente biológica. Como pode o Magistério fixar-se na biologia, esquecendo que, para ser verdadeiramente humana, a sexualidade envolve o biológico, o afectivo, a ternura, o amor, o espiritual? Por outro lado, na perspectiva bíblica, não criou Deus o Homem como criatura co-criadora? Não é o Homem, por natureza, interventivo, aperfeiçoador e transformador da natureza? Então, no juízo moral, o critério não pode ser o natural identificado com o bem e o artificial identificado com o mal, mas a responsabilidade digna e a dignidade responsável. Aliás, quem defende os métodos contraceptivos naturais como os únicos legítimos deverá ser confrontado com a objecção: para lá da sua falibilidade, ainda serão naturais os métodos que têm a ver com uma descoberta e aproveitamento humanos dos períodos inférteis da mulher? Anselmo Borges

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Teatro na Gafanha da Nazaré

Os tempos mudam, tal como mudam os hábitos das pessoas. Há 35 anos, surgiu na Gafanha da Nazaré um Grupo de Teatro com projectos organizativos que apontavam para muitos anos de vida. Antes, como bem me lembro, já se fazia teatro, um tanto ou quanto ao sabor das necessidades das festas. Terminadas estas, terminavam também as temporadas teatrais. Mas o GATA - Grupo Activo de Teatro Amador não queria ter vida curta nem sonhos sem ambições. Nasceu em 27 de Setembro de 1973 para dar muitas alegrias aos gafanhões, com o entusiasmo e a competência que pôs nos seus trabalhos. Tenho-me lembrado do entusiasmo do Humberto Rocha, um tanto igual ao entusiasmo que põe em tudo em que se mete. Os anos até parece que nem passam por ele. Mas, presentemente, com outras motivações, a juventude já não olha para o teatro.
Ao tentar alinhavar a história do GATA, com base no que for possível compilar, mais não quero do que homenagear o meu amigo Humberto Rocha, que foi, há 35 anos, o grande animador daquele Grupo de Teatro. Mas ainda é hoje um gafanhão, sempre em actividade, capaz de manter uma juventude invejável. Aliás, tal não é de admirar, porque, sendo ele médico, terá sabedoria mais do que suficiente para afugentar o stresse e qualquer maleita que o possa incomodar.
FM

Declaração Universal dos Direitos Humanos

60 anos depois, a actualidade dos seus princípios mantém-se
No próximo dia 10 de Dezembro, o mundo celebra o 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A efeméride recorda a proclamação dos seus 30 artigos, em Paris, em 1948, pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, três anos depois de mais uma sangrenta guerra – a II Guerra Mundial - que abalou o mundo ocidental. Fruto, decerto, de tantos conflitos, a Declaração emerge como resposta à necessidade de pôr o homem no centro da civilização, com todos os seus direitos, assentes no respeito pela liberdade e pela dignidade de todos os seres humanos, rumo a uma sociedade mais justa, fundamento de uma paz duradoira. Mas se é certo que tal desiderato se impunha há 60 anos, não é menos certo admitir que, nos tempos actuais, as ofensas aos direitos do homem continuam na agenda de todos os órgãos de comunicação social, como realidade sentida na pele por multidões de refugiados e outras vítimas de conflitos armados, mas também de guerras psicológicas, de lutas tribais e de perseguições políticas e religiosas. Lendo e meditando sobre cada um dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, compreendemos como todos eles se mantêm actuais, justificando-se, contudo, uma maior e mais ampla divulgação, com sentido pedagógico, junto das mais diversas camadas das populações de todos os países. Sobretudo dos mais jovens, os que um dia hão-de segurar nas suas mãos os destinos do mundo. Sem esse trabalho de construção de um homem novo, com alicerces na Declaração, jamais daremos corpo a uma sociedade mais fraterna e mais solidária. Olhando para a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com seis décadas de vida, temos de reconhecer que os seus artigos, sob o ponto de vista cristão, assentam ou se coadunam com a Boa Nova de Jesus Cristo. Mais uma razão para todos nos empenharmos na proclamação dos seus princípios, na defesa dos seus valores, na oportunidade de os levarmos à prática no dia-a-dia: na família, nas instituições, no lazer, no social, no político, no educacional, no ensino, no desporto, na arte. Fernando Martins

Jornal "Timoneiro" volta à luz do dia

O “Timoneiro”, jornal mensal da paróquia da Gafanha da Nazaré, reiniciou a publicação, após 11 meses de paragem, agora com o Padre Francisco Melo como director. Saiu com 16 páginas, tendo como propósito ser “um espaço privilegiado de comunicação e partilha entre as pessoas, grupos, sectores e âmbitos de acção pastoral”, como sublinha o director em “Uma primeira palavra…”. O Padre Francisco Melo ainda manifesta o desejo de que o jornal seja um veículo de "informação, mas também de formação humana, cristã e cívica dos seus leitores”. Para além de espaços alargados dedicados à paróquia, o “Timoneiro” assume a intervenção (desde a primeira hora desta sua nova fase) na comunidade humana, procurando ir ao encontro das pessoas concretas e das iniciativas que preenchem o seu quotidiano, numa aposta de proximidade fraterna, sem lutas mesquinhas e sem politiquices. Ao aceitar colaborar, com todo o meu empenho, fi-lo na convicção de que o "Timoneiro" continua a ter o seu lugar na zona geográfica em que se insere, procurando ser uma mais-valia para a união de todos os gafanhões, onde quer que eles se encontrem. Os interessados em se inscreverem como assinantes podem dirigir-se ao Cartório Paroquial, Av. José Estêvão, 3830-555, Gafanha da Nazaré. FM

Efemérides aveirenses: Bombeiros

28 de Novembro
Este dia, em Aveiro, nos anos 1882 e 1908, houve sinais evidentes de solidariedade e de voluntariado.
Em 1882, um grupo de aveirenses aprovou os estatutos da "Companhia de Bombeiros Voluntários de Aveiro".
Em 1908, um punhado de bons aveirenses, reunidos na velha sede da extinta Associação dos Bateleiros, próxima da capela de S. Gonçalinho, decidiu fundar a "Companhia Voluntária de Salvação Pública Guilherme Gomes Fernandes - Bombeiros Novos".
In Calendário Histórico de Aveiro
NOTA: Guilherme Gomes Fernandes nasceu na Baía, em 1850. Foi comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto, onde se destacou como inspector dos Serviços de Incêndios. A sua perícia conduziu os bombeiros portuenses ao primeiro lugar num campeonato do mundo, em 1910.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ESCOLA QUE FORMOU GENTE DE TÊMPERA PARA A VIDA

Refiro-me à Acção Católica. Celebrou agora os 75 anos de existência em Portugal. Foi e continua a ser, na Igreja e para a Igreja, grande escola de formação de leigos militantes, que enriquecem tanto a comunidade cristã, como tornam presente, na sociedade, o Evangelho feito vida. A minha história está ligada à Acção Católica desde 1958. Padre novo, acabado de regressar de Roma, onde fizera também, por iniciativa própria, estudos relacionados com esta, logo fui designado assistente de movimentos operários e, depois, de diversas estruturas diocesanas. Conheço a história e a realidade da Acção Católica, admiro e continuo a seguir a sua metodologia, experimentei ao vivo o dinamismo que a instituição traz consigo desde sempre, tentei dar-lhe força e lugar na acção pastoral, sofri os seus momentos difíceis, estou-lhe grato pelo número de leigos cristãos que nela se formaram. Pela sua têmpera e coragem, creditaram a acção da Igreja nos diversos meios sociais e em situações diversas em que a militância dos leigos cristãos era não apenas um desafio, mas também um risco, conscientemente assumido. A Acção Católica hpje, em Portugal, lamentavelmente, não tem a expansão de outros tempos. Os movimentos operários continuam os mais resistentes, porque a vida os oprime mais. As alterações sociológicas dos chamados meios sociais são por demais evidentes. O mundo da escola encontrou derivativos mais propensos a aspirações pessoais, mas menos exigentes e duros, frente aos desafios e compromissos da vida concreta. Mesmo assim, continua a haver, pelo país fora, militantes de qualidade e de horizontes largos, tanto no meio rural agrário, como no mundo escolar, no meio independente e nas associações profissionais. O Vaticano II assinalou a importância da Acção Católica. Os bispos portugueses também a afirmaram sem reservas. As mudanças sociais e culturais realçaram a sua importância. Porém, os caminhos do laicado parecem agora andar noutra direcção. A crise vivida na mudança não foi bem lida por muita gente responsável, que mais apontou nos desvios inevitáveis, que no rumo que sempre levara e que fazia parte da sua identidade. Só não pisa o risco em momentos de perplexidade, quem não suja os pés no lamaçal da vida..Até os bispos, lá atrás e num momento difícil, votaram pelo seguro, à revelia da história e do testemunho dos que continuavam a acreditar na Acção Católica porque a conheciam por dentro, nela tinham trabalhado e sabiam ler os sinais e o sentido dos ventos.. Estes votaram vencidos, em contra mão da maioria vencedora. Com o coração a sangrar, mas com a esperança em ponto alto, aguardando a luz da profecia. A história da Igreja e do laicado apostólico não se faz, entre nós, sem olhar a Acção Católica. O governo de há décadas perseguiu-a, quis pôr-lhe mordaças, anotou os que a acompanhavam e pôs-lhe os rótulos condenatórios de então. Gente da Igreja, sempre a houve, que não gosta de ventos fortes que sacodem e acordam, dei apoio aos governantes. Mas só a verdade faz história. E essa fez-se, a seu tempo. Quantos jovens formados na Acção Católica, hoje adultos ainda na primeira linha! Quantos outros descobriram e andaram rumos novos nas suas vidas! Quanta gente houve, a acender, corajosamente, o fósforo que rompeu trevas e desmascarou rotinas e mentiras! Quantos projectos solidários inovadores, aparentemente temerários, que mostraram que a fé se vive fora dos templos e não no aconchego dos mesmos! Quantos padres, com militantes ao seu lado, venceram crises, abriram caminhos pastorais novos, contagiaram colegas! Sempre houve cegos e surdos e hoje também os há. Outros movimentos laicais surgiram na Igreja. Parece que alguns ainda não entenderam que a vocação de leigo, é de ser cristão no mundo e animador evangélico das estruturas sociais. A AC é movimento de fronteira e sem ela as fronteiras estão desguarnecidas.
António Marcelino

Efeméride aveirense

Fotos da capa do livro de Armando Tavares da SilvaJornal aveirense
27 de Novembro de 1908
D. MANUEL II foi recebido em Aveiro com grande entusiasmo
Há precisamente 100 anos, D. Manuel II visitou Aveiro, onde foi recebido com grande entusiasmo, tendo-se realizado festas de extraordinária imponência; esteve presente o Bispo-Conde de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, seu padrinho de baptismo, que recebeu o monarca à porta da igreja de Jesus, conforme lembra o Calendário Histórico de Aveiro. Por sua vez, Armando Tavares da Silva, catedrático aposentado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, diz, no seu livro "D. Manuel II e Aveiro – Uma visita Histórica (27 de Novembro de 1908)", que houve “cerimónias, festas e realizações populares”. Acrescenta que “D. Manuel II esteve ainda presente no distrito de Aveiro por mais duas vezes pouco antes do 5 de Outubro de 1910. A primeira para uma demorada permanência no Buçaco, no Verão desse ano, e a segunda para as comemorações do primeiro centenário da batalha do Buçaco, em Setembro de 1910”. Mas se é verdade que as festas foram imponentes, com a adesão popular e das autoridades, também é certo que a oposição se manifestou contra a visita, denunciando as altas despesas que ela comportou. No livro de Armando Tavares da Silva, pode ler-se, citando O Commercio do Porto, que as festas foram brilhantes, "cumprindo comtudo especialisar os numeros da noite, isto é, o fogo, as illuminações e a marcha, que chegaram a exceder a espectativa dos proprios organizadores". Depois, adianta: "Passava das nove horas quando se deu por finda esta brilhante festa, que decorreu tão cheia de enthusiasmo como de distincção." Por sua vez, O Democrata, que havia considerado a visita como “Real bambochata”, descreveu com sarcasmo o que viu, sublinhando que “a academia de Aveiro foi reforçada com collegas do Porto e de Coimbra”; referiu que “o sr. Dr. Jayme Silva […] animando com a sua voz cavernosa as frias gentes [estava] sempre prompto a defender o régio vizitante d’algum attentado… feminino. O povo não acclama […], move-se para ver o moço rei que […] ostenta vistosas condecorações […]”
Aqui fica este breve apontamento para tornar presente a efeméride, não vá ela ser esquecida por toda a gente. Para mais informações, clicar em Armando Tavares da Silva Fernando Martins

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Um Livro de Ana Maria Lopes

“O Vocabulário Marítimo Português
e o Problema dos Mediterraneísmos”


Como já neste espaço anunciei, com a certeza de que voltarei ao assunto, Ana Maria Lopes vai lançar, no Museu Marítimo de Ílhavo, no próximo sábado, 29, pelas 17 horas, mais um livro, com ligações ao Mar, tema de paixões da autora. Intitula-se ele “Regresso ao Litoral – Embarcações Tradicionais Portuguesas”
Tenho tido o privilégio de conversar com Ana Maria Lopes sobre estas questões para perceber a riqueza dos seus conhecimentos sobre matérias marítimas, e não só. De tal modo que o seu blogue, que visito com frequência, foi baptizado com o expressivo nome de Marintimidades. Ou seja, um nome que nos remete para as suas intimidades com ligações profundas ao oceano, ou não se reflectisse ele nos olhares de todos os ílhavos, de que a autora é paradigma. Sobretudo quando se fala das influências que o mar exerce nas gentes daquela terra maruja. Mas antes de falar desse trabalho que a envolveu durante bastante tempo, numa busca constante de tudo quanto diz respeito às embarcações tradicionais da nossa costa, permitam-me que lembre, hoje e aqui, uma outra obra de Ana Maria Lopes – O Vocabulário Marítimo Português e o Problema dos Mediterraneísmos –, publicada em 1975, surgindo em 2.ª edição, facsimilada, em 2006, sob a responsabilidade dos Amigos do Museu Marítimo de Ílhavo. Este livro, que é a dissertação de licenciatura em Filologia Românica de Ana Maria Lopes, apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em Janeiro de 1970, oferece um repositório precioso de vocábulos e expressões que corriam o risco de se perder no tempo.
Com o rigor da recolha e investigação feitas pela então jovem autora, a obra dá, a quem a lê, o prazer de voltar ao linguajar dos nossos antepassados que mourejavam no nosso mar, mais ao largo ou mais em terra. E sendo certo que uma boa parte do trabalho publicado se destina a estudiosos de ciências linguísticas e náuticas, não deixa de ser interessante que pessoas como eu, pouco dadas a rigores fonéticos e a termos técnicos deste domínio, sintam um grande prazer na leitura daquele livro.
Com ilustrações, a preto e branco, e grafismos elucidativos, com redes, alfaias e barcos diversos, de meu directo conhecimento, uns, e meus ilustres desconhecidos, outros, esta obra da autora ilhavense merece ser mais conhecida e mais apreciada pelas gerações actuais, em especial pelos que se dispuserem a colaborar na preservação do nosso passado colectivo.
Olhando para os seus quatro capítulos, com a atenção devida, reconhece-se o esforço meritório de Ana Maria Lopes, numa altura em que talvez não fosse muito frequente ver uma jovem andar de terra em terra nas pesquisas eruditas que ousou empreender, mostrando, no que fez, uma paixão digna de nota.
No capítulo I, o leitor entra em contacto com vários tipos de barcos, costeiros e do alto, e de apetrechos para diversas funções. No Capítulo II, os processos de pesca, com aparelhos e sistemas, mais venda e transporte de peixe. No Capítulo III, dedicado ao confronto entre o litoral algarvio e a costa ocidental, registamos o Portugal com costa de alguns contrastes. Por último, no Capítulo IV, temos a relação entre Portugal e o Mediterrâneo, com índices que ajudam na procura dos temas a ler. É que, para quem gosta de fazer uma leitura, sem pressas, talvez dê jeito começar à cata de um ou outro assunto, segundo o apetite da ocasião.

 Fernando Martins

Melhor acolhimento para os imigrantes

Os Bispos católicos da Europa e da África lançam um apelo às suas comunidades para que sejam “ainda mais acolhedoras em relação aos irmãos estrangeiros, reconhecendo o valor e o contributo que os imigrantes trazem aos países de acolhimento”.

Crónica de um Professor

O Gentleman
Quando se cruzava com a teacher, nos longos corredores da Escola, com um sorriso amistoso, saudava-a, sempre, de forma cordial! Era um rapaz entroncado, rondando os 16 anos e que finalizava, nesse ano, a sua frequência, naquela Escola E.B 2/3.Já não era seu aluno, mas a delicadeza de maneiras, o fino trato, o cavalheirismo arreigado, não o tinham abandonado. E os seus olhos verdes, a fazer estremecer corações, à sua volta, num raio bem alargado da zona escolar? As meninas pululavam como abelhas, em volta de uma flor viçosa, colorida e cheia de fragrância. Era o Julinho, carinhosamente apelidado pela teacher, que, à semelhança de um outro Júlio, sexólogo proeminente da nossa praça, também a cativara pela diferença! Sim, que a monotonia da má educação, da boçalidade, da ignorância, também cansam e desgastam. Um dia, na sala de informática, em substituição de um outro professor, a teacher deparou com esta cena... ternurenta e… tão frequente em meio escolar. Em frente do PC, as imagens sucediam-se, no display, a um ritmo acelerado, captando a atenção do aluno. Sim, digo do aluno, pois foi essa a primeira impressão deixada! Com efeito, ali estavam duas cabecinhas jovens, tão coladinhas, tão empolgadas uma com a outra, que a teacher não ousou interromper aquele idílio! Estavam na idade dos sonhos, das ilusões, do melhor da vida. Como bem os compreendia aquela teacher! Sim, porque ela também sonhava! Por isso se sentia jovem. “Uma pessoa só envelhece, quando os sonhos dão lugar aos lamentos” - ouvira alguém dizer. Apenas comentou, no final da aula: - A tua colega é muito bonita, não é Julinho? Um sorriso cúmplice espraiou-se no rosto… daquele aspirante a Gentleman! A teacher cogitou: - Il n'est pas bon que l´homme soit seul! Lá dizia a Bíblia!
Mª Donzília Almeida

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Recordando Eça de Queirós

Eça agHora Disse João da Ega, Que não era um primo A campanhas alegres dado, Depois que encontrou Carlos, no avistado arrimo Do Turf, num Rossio ultrapassado Pelos anos em que ensonou Num País de lupanares e calotes, E de malandros aos magotes, Num País de corridas falazes E de vestidos sérios de missa, Com jornais bafientos E de artigos rançosos Lidos por uns tantos rapazes De futuros pachorrentos E costumes ociosos: «-Falhámos na vida, menino!» E os tempos verbais trocados Ensinam a História redita, Desde os serões iluminados Pelas lições da monarquia, À juventude nérvea de sabedoria E impaciência liberal, Que corre num vai-vem Num outro aterro irreal Aquém delirante do trem Que nem sempre alcançamos. E assim vai o País de quem promete Lançar carris em largueza Para deixar de vez a charrete E permanecer na certeza Das falas finais que relembramos: «-Ainda o apanhamos!» Hélder Ramos 25.XI.2008
NOTA: A propósito do dia de hoje, aqui segue um poema dedicado a Eça de Queirós, pelo 163º aniversário. É um poema ao estilo parodioso do romancista, inspirado em algumas personagens e obras marcantes do autor.
Hélder Ramos

FÓRUM NÁUTICO DO MUNICÍPIO DE ÍLHAVO

O MAR POR TRADIÇÃO
A Câmara Municipal de Ílhavo e um conjunto de entidades deste concelho e da Região de Aveiro vão criar o “Fórum Náutico do Município de Ílhavo”, com o objectivo-base de dinamizar o desenvolvimento das actividades náuticas, centradas no recreio, no desporto e na cultura. Esta é uma aposta estratégica para a terra que tem “O Mar por Tradição” e a modernidade como aposta permanente, tirando proveito e rentabilizando as suas condições ao nível da natureza, da história e da cultura da nossa gente. Nesse âmbito, vai realizar-se amanhã, 26 de Novembro, quarta-feira, pelas 18 horas, no auditório do Museu Marítimo de Ílhavo, o acto formal de constituição do “Fórum Náutico do Município de Ílhavo”.
Nota: Clicar na foto para ampliar

Efeméride aveirense

25 de Novembro
Neste dia, em 1905, o Governador Civil de Aveiro aprovou os primeiros estatutos do Clube dos Galitos, prestimosa colectividade aveirense fundada em 24 de Janeiro do ano anterior, conforme se pode ler nos Estatutos do Clube dos Galitos, edição de 1905, páginas 21-23, e edição de 1956, página 3.
In Calendário Histórico de Aveiro

Madre Teresa: para pensar

NUNCA TE DETENHAS
Tem sempre presente, que a pele se enruga, que o cabelo se torna branco, que os dias se convertem em anos, mas o mais importante não muda! Tua força interior e tuas convicções não têm idade. Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida. Atrás de cada triunfo, há outro desafio. Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo. Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo. Não vivas de fotografias amareladas. Continua, apesar de alguns esperarem que abandones. Não deixes que se enferruje o ferro que há em ti. Faz com que em lugar de pena, te respeitem. Quando pelos anos não consigas correr, trota. Quando não possas trotar, caminha. Quando não possas caminhar, usa bengala. Mas nunca te detenhas! Madre Teresa de Calcutá

Banco Alimentar vai recolher alimentos

A CRISE ATINGE MAIS OS MAIS FRÁGEIS DA SOCIEDADE
Nos dias 29 e 30 de Novembro, o Banco Alimentar vai recolher alimentos junto das grandes superfícies. Precisa, por isso, de voluntários, que possam dar algum do seu tempo para esta tarefa. Todos sabemos que a crise que estamos a sentir na pele atinge muita gente, mas com mais força os mais frágeis da sociedade. Porém, é precisamente nestes momentos que a solidariedade deve manifestar-se com mais vigor. Que cada um saiba dar um pouco do seu tempo, mas também daquilo que tem, alimentos ou dinheiro, na certeza de que esse gesto irá direitinho para quem passa fome. Eu sei que às vezes temos dificuldade em acreditar que há gente sem pão para comer, em época de tanta abundância para alguns. E se nos convencermos desta realidade, então mais força encontraremos em nós para a partilha, urgentíssima.

“Moinhos do Distrito de Aveiro”

Marca da nossa memória colectiva
“Moinhos do Distrito de Aveiro” é um livro de Armando Carvalho Ferreira, que vai ser lançado na Universidade de Aveiro, na Sala dos Actos Académicos (Edifício da Reitoria), no dia 13 de Dezembro, pelas 16 horas. Com este trabalho, o autor, um apaixonado pelo tema, pretende mostrar o trabalho de recolha e investigação que fez durante dois anos. Ainda apresenta o património molinológico da nossa região, "a grande maioria dele desconhecido ou esquecido, contribuindo assim para a sua valorização como marca da nossa memória colectiva", lê-se no convite de divulgação do evento.

Carlos Duarte apresenta fotografias

(Clicar nas fotos para ampliar)
"O MEU OLHAR"
“O meu olhar” é uma exposição de fotografia de Carlos Duarte. Vai ser inaugurada em 29 de Novembro, na Biblioteca Municipal, com o apoio do Rotary Club de Ílhavo. São fotografias retratando temas diversos como a Ria, Costa Nova, os canais de Aveiro ou as procissões, mas com a matriz própria de quem vê estas imagens para além do real, o que para o comum dos observadores não será fácil de captar num primeiro registo. Esta mostra é feita em parceria com o Rotary Club de Ílhavo e a receita reverte para a campanha que os rotários estão a levar a efeito para apoiar a Obra da Criança. Do seu currículo, destaca-se a colaboração que tem prestado a diversos eventos, tendo sido, pelo seu labor, distinguido pela associação Os Ílhavos com o “Leme da Reportagem”. Carlos Duarte expôs, pela primeira vez, em Ílhavo, na Junta de Freguesia, em 2005. Em 2006, na Gafanha da Nazaré, e em 2007 na Biblioteca Municipal, apresentando o livro “40 anos de fotografia”, cuja edição se esgotou.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Para minha mãe

Pequeno poema Quando eu nasci, ficou tudo como estava. Nem homens cortaram veias, nem o Sol escureceu, nem houve Estrelas a mais... Somente, esquecida das dores, a minha Mãe sorriu e agradeceu. Quando eu nasci, não houve nada de novo senão eu. As nuvens não se espantaram, não enlouqueceu ninguém... Pra que o dia fosse enorme, Bastava toda a ternura que olhava nos olhos de minha Mãe. Sebastião da Gama
NOTA: Quando hoje acordei lembrei-me deste poema de Sebastião da Gama. Tenho boas razões para isso. Setenta anos de vida, bem vividos, justificam esta pequena imodéstia.
FM

domingo, 23 de novembro de 2008

XANANA ditador?

Xanana, o herói timorense, anda nas bocas do mundo, acusado de ditador. O filho querido do povo Lorosae, que sofreu nas masmorras a tirania dos que não queriam Timor livre e independente, “já não goza da admiração de outrora”, no dizer do EXPRESSO. Durante anos, mesmo depois da independência da ex-colónia portuguesa, era escutado com respeito e seguido com devoção. Presentemente, e depois de uma nebulosa eleição que o levou ao poder, como primeiro-ministro, não falta quem o acuse de estar ilegitimamente no cargo, chegando-se ao ponto de dizer que está conotado com atitudes autoritárias. Estará, assim, a cair em desgraça. Sempre vi em Xanana um herói simples, com capacidade de se dar a causas justas, como a da libertação do seu povo. Até admirava o seu estilo, que chegou a ser parodiado em programa televisivo. Vi, algumas vezes, como humanamente acalmou o povo revoltado e resolveu conflitos entre militares, governantes e a população. Mas também registei, embora à distância, as eleições pouco claras e as manobras pouco democráticas que o levaram à chefia do Governo. Então tive pena do Xanana. Para mim, os heróis raramente têm uma segunda oportunidade. De repente, quando menos se espera, passam a ser olhados com desconfiança. Não me espanta nada que isso venha realmente a acontecer. Teria sido bem melhor para a história de Timor e para o próprio Xanana que ele tivesse ficado simplesmente numa situação de reserva da nação. Xanana, sem cargos políticos na sociedade timorense, seria muito mais útil ao seu povo do que na chefia do Governo. O futuro o dirá. Mas, pelo que é possível perceber, o Xanana, mártir da independência, estará a ser destruído, com a sua própria colaboração. Fernando Martins

Mais vale ser ex-ministro que ministro

Há muito se diz que é melhor ser ex-ministro que ministro. O caso de Dias Loureiro, que saiu sem fortuna quando deixou o Governo e que logo a seguir enriqueceu, é paradigmático. E julgava eu, ma minha boa-fé, que não era assim. Não terá acontecido com muitos, mas é um caso dos que se serviram dos relacionamentos de ministro para subir na vida dos negócios, aparentemente com uma facilidade incrível. Uns contactos, umas viagens, mais uns amigos daqui e dali, e está bem feita a cama onde pode dormir descansado o resto da vida. Ele e a família. Não tenho nada contra o ex-ministro Dias Loureiro, que sempre me pareceu um homem digno, sendo certo que, até prova em contrário, temos de o respeitar. Porém, depois da entrevista na RTP, já há quem o desminta, sobre a história dos contactos que manteve no BdP, por causa do BPN. A justiça dirá. Vem isto a propósito de me habituar há muito à ideia de que cargos políticos são, para os vocacionados para isso, para servir a comunidade, como missão e contributo para o bem comum. Para servir, que não para ser servido. Mas, afinal, parece que não é bem assim. Daí o vigor com que muitos políticos se agarram aos “tachos”, como lapas à rocha dura. Para eles, a vida, fora disso, nem terá sentido. Continuo a ter dificuldades em aceitar estes comportamentos, embora admita que possa estar enganado. Eu sei que o poder, pelos vistos, é aliciante. Há quem goste de estar na crista da onda, quem goste de ocupar cargos de chefia, quem goste de mandar e de impor as suas razões, e, ainda, quem goste de ficar na história, de preferência com busto ou estátua na praça pública. Eu gostaria mais de ver políticos que cumprissem, com dignidade, os cargos para os quais foram eleitos, regressando às suas ocupações anteriores com toda a naturalidade deste mundo. E se gostassem de se dar à comunidade, haveria sempre um qualquer campo de intervenção tão importante como os cargos políticos. Não há por aí tantas instituições à espera de voluntários? É claro que nem todos os políticos terão na manga a preocupação de enriquecer depois de regressarem a uma vida profissional normal. Nem todos enriquecem à custa dos cargos que desempenharam, mas começa a notar-se, infelizmente, que há uma certa vantagem em ser ex-ministro. Não será a maioria, mas, pelos vistos, há quem se aproveite.
Fernando Martins

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 104

A PROVA DE PASSAGEM DA 1.ª PARA A 2.ª CLASSE Caríssima/o: Pelo que se vê, estamos a chegar ao final do ano, mas antes ainda temos de esfolar o rabo, que é como quem diz: temos de passar por uma prova bem difícil. E que prova era essa? Apenas e só a prova de passagem de classe, levada ao extremo da seriedade e da ansiedade! Começava pelos treinos: papel almaço e com umas palavras impressas sobre as quais sobressaía e se sobrepunha um escudo de Portugal! Aí, nessa primeira página, rabiscávamos o nosso nome a tinta... e não podia ter emendas nem borrões. Preparativos minuciosos, qual motor de fórmula um, para verificar e afinar o aparo, se não abanava, se a tinta não caía... E o lápis bem aguçado... E as mãos limpas para não deixarem marcas no papel... À prova assistia a nossa Professora e uma outra que muitas vezes nos era desconhecida, vinha de escola próxima... Procuravam cativar-nos e sorriam e que fizéssemos tudo com cuidado que ia correr tudo bem e todos passávamos... Começávamos pela cópia: do livro de leitura, à sorte. A seguir uma redacção que também não trazia grandes surpresas: as duas ou três frases que se escreviam já nos não eram desconhecidas. Agora era a vez da aritmética: um problema de uma operação, com a respectiva indicação e uma resposta completa e também uma conta que podia ser de somar, subtrair, multiplicar ou dividir, com toda a tabuada até nove. Claro, a multiplicação e a divisão era só por um algarismo... Havia também a representação de uma fracção por meio de um desenho-gráfico e a escrita de um número romano até XX... Está quase, que só falta o desenho na última metade da quarta página (pois em cima tínhamos feito a fracção e escrito o tal romano...): o vaso fica mais bonito com uma flor! Terminada a prova escrita, íamos para o recreio esperar que nos chamassem para mostrarmos a nossa arte na leitura. Muitas vezes, só à tarde é que aparecia pregado à porta o papel onde se lia que todos os que fizeram a prova de passagem tinham transitado para a 2.ª classe...
Manuel

sábado, 22 de novembro de 2008

Voluntários Hospitalares

Quando passo por um hospital, quase sempre registo a presença dos voluntários hospitalares. Homens e mulheres que se dão ao apoio a quem está a sofrer, física e psicologicamente. Ontem mais uma vez confirmei o bem que eles fazem. Atentos a quem chega, frequentemente pressentem quem precisa de ajuda. A partir daí, não mais deixam de estar com a pessoa. “Eu sei que não é fácil vir a estas casas, mas temos de ter esperança que tudo se vai resolver; há ali café, chá e bolachas que oferecemos a quem quiser”, disse um, enquanto, com o seu sorriso, dava algum ânimo a quem estava. Tanto quanto posso imaginar, são pessoas reformadas e, por isso, disponíveis. Porém, não se vão meter em casa à espera que o tempo passe, nem se acomodam num qualquer café… ou banco de jardim. Dão-se aos outros generosamente. É certo que não é voluntário hospitalar quem quer. Reconheço que é preciso ter vocação para lidar com doentes, mas também sei que em reuniões vão recebendo formação específica. Hoje, mais do que nunca, estas tarefas delicadas exigem conhecimentos e preparação, sob pena de se cometerem falhas que podem provocar efeitos contrários aos desejados. E depois, os voluntários hospitalares têm de assumir os seus compromissos, cumprindo, escrupulosamente, os horários que subscrevem. Por tudo isto, e pelo que diariamente fazem nos hospitais, junto dos doentes, mais admiro os voluntários que no dia-a-dia estão próximos dos que sofrem. FM

A INFAUSTA DOUTRINA DO PECADO ORIGINAL

A impressão geral que me ficava da religião nos tempos da catequese não era luminosa. Pelo contrário, tudo aquilo transmitia um mundo bastante tenebroso, a ideia de um Deus castigador e de nós sujeitos a um destino de submissão trágica. Os primeiros pais tinham pecado, Deus andava irado com a gente e Jesus sofria na cruz para ver se nos libertava. A alegria era um roubo e a palavra Evangelho, que quer dizer "notícia boa", não pousava sobre nós nem nos aquecia. O que infectava o cristianismo era a doutrina infausta do pecado original. Escreveu o célebre historiador católico Jean Delumeau: "Não é exagerado afirmar que o debate sobre o pecado original, com os seus subprodutos - problemas da graça, do servo ou livre arbítrio, da predestinação -, se converteu (no período central do nosso estudo, isto é, do século XV ao século XVII) numa das principais preocupações da civilização ocidental, acabando por afectar toda a gente, desde os teólogos aos mais modestos aldeões. Chegou a afectar inclusivamente os índios americanos, que eram baptizados à pressa para que, ao morrerem, não se encontrassem com os seus antepassados no inferno. É muito difícil, hoje, compreender o lugar tão importante que o pecado original ocupou nos espíritos e em todos os níveis sociais. É um facto que o pecado original e as suas consequências ocuparam nos inícios da modernidade europeia o centro da cena mundial, sem dúvida muito atribulado." No entanto, a doutrina do pecado original, no sentido estrito de um pecado transmitido e herdado, não se encontra na Bíblia. Jesus nunca se referiu a um pecado original. Na sua base, encontra-se fundamentalmente Santo Agostinho, a partir de um passo célebre da Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo 5, versículo 12. Mas ele seguiu a tradução latina: Adão, "no qual" todos pecaram, quando o original grego diz: "porque" todos pecaram. Ora, uma coisa é dizer que todos são pecadores e outra afirmar que todos pecaram em Adão, como a árvore fica infectada na raiz, de tal modo que todos nascem em pecado do qual só o baptismo os pode libertar. Santo Agostinho deixava cair no inferno, mesmo que menos terrível, as crianças sem baptismo. Durante séculos, houve mães tragicamente abaladas, porque os filhos morreram sem baptismo. A Santo Agostinho serviu esta doutrina sobretudo para, convertido do maniqueísmo ao cristianismo, "explicar" o mal no mundo, que não podia vir do Deus criador bom. De facto, baseou-se numa exegese errada. E quem não sabe hoje que o que diz respeito a Adão e Eva e à queda é da ordem do mito? Adão e Eva não são personagens históricas. Depois, se eles ainda não sabiam, como diz o texto do Génesis, do bem e do mal, como podiam pecar? O que o texto diz é outra coisa, e fundamental: o que caracteriza o Homem frente ao animal é a liberdade. O Homem já não é um animal como os outros: tem auto-consciência, sabe de si como único - a nudez metafísica - e que é mortal. Mas os estragos desta doutrina infausta foram e são incalculáveis, sobretudo a partir do acrescento de Santo Anselmo e a sua doutrina da retribuição: os primeiros pais cometeram uma ofensa contra Deus infinito e, assim, era necessária uma reparação infinita para uma dívida infinita que só o Deus-homem Jesus podia pagar na cruz. Ficou então a ideia de um Deus por vezes monstruoso, que precisou da morte do Filho para reconciliar-se com a Humanidade. Mas como era isso compatível com o Deus amor? Porque o pecado se transmitia pelo acto sexual, a sexualidade, o corpo e a mulher ficaram envenenados, numa situação dramática: era preciso continuar a gerar filhos - no limite, a actividade sexual só se legitimava para a procriação -, mas eles eram gerados em pecado e a mulher trazia o pecado dentro dela. Porque é que o primeiro acto humano da História havia de ser o pecado? Hoje, com a teoria da evolução, a contradição torna-se maior. E, afinal, o que São Paulo diz no passo célebre da Carta aos Romanos é uma mensagem de esperança: todos os seres humanos pecam, o pecado do Homem é grande, mas o amor de Deus é maior. Infinito. Anselmo Borges

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O significado de vestir a camisola da selecção

Face ao escandaloso comportamento dos jogadores da selecção portuguesa de Futebol, no jogo com o Brasil, o seleccionador nacional, Carlos Queiroz disse: "Todos têm e já tiveram oportunidade de mostrar empenhamento e atitude. Isto tem de servir de lição, de aprendizagem. Nós podemos tentar estimular e tentar chamar a atenção daquilo que é importante fazer. Depois compete, no momento certo, fazer e se não acontecer teremos naturalmente de tomar decisões para aquilo que é o significado de vestir a camisola da selecção."
Mesmo percebendo muito pouco de futebol, permito-me acrescentar que, no mínimo, os nossos multimilionários jogadores foram passear até ao Brasil. Que a triste figura que fizeram lhes sirva de lição, são os meus votos.

PISTAS PARA O EXAME FINAL

Ao cair da tarde, em terras da Judeia, um pastor separa as ovelhas dos cabritos. Acção simples, mas cheia de simbolismo, que Jesus aproveita para transmitir uma mensagem sublime e interpelante. A linguagem que usa é fruto da cultura bucólica e campestre. A forma literária pertence a um género especial – a apocalíptica. A realidade envolvida na narrativa faz parte da vida humana, dos modos de relacionamento entre as pessoas, do uso dos bens, da capacidade de ver as “coisas” em profundidade e extensão. Faz assim um “esboço” do Reino que se torna presente e desenvolve, quando aquela realidade é vivida no amor e na justiça, na verdade e na liberdade, na solidariedade e na paz. Por cada pessoa e por toda a humanidade. Como Ele vive, anuncia e deixa em forma de testamento. Ser fiel à herança de Jesus constitui a alegria cristã mais profunda, revigora a esperança mais consistente e intensifica a dedicação mais generosa àqueles que Deus ama e quer ver felizes. Supõe o nosso envolvimento afectivo e inteligente, completo e integral. Brota da certeza que Jesus está connosco e nos abre caminhos acessíveis cada vez mais concretos. A prova de fidelidade faz-se na vida, nos critérios e comportamentos assumidos. Um dia, ao fazer o nosso “exame final”, Deus não pergunta pelo modelo do carro, pela grandeza da casa, pela marca da roupa, pela conta do ordenado, pela categoria profissional, pela quantidade de amigos, pela cor da pele, pela religião, pela frequência do culto ou prática devocional. Não. Se chegar a fazer tais perguntas é por causa de outros assuntos mais importantes. Ele prefere seguir outra pista para nos ajudar e vai-nos segredando: Que fizeste com os teus bens? A quantas pessoas serviste com o carro e a quantas acolheste em casa? O ordenado era fruto de trabalho honesto ou vendeste a consciência e deixaste-te corromper? A categoria profissional foi merecida pela competência e honradez ou resultado de suborno e falcatruas? Quantas pessoas te consideravam amigo sincero? Como tratavas os vizinhos? Fazias discriminação de alguém apenas pela cor da pele ou preconceito de raça? Viveste a fé como um compromisso de amor, uma âncora de esperança, um farol de horizontes novos? Dando respostas positivas, o estilo de vida da humanidade, sobretudo dos cristãos-discípulos do meu Filho Jesus, configurará o rosto social da realidade nova que vos proponho no meu Reino. Será um rosto belo e atraente. Será uma realidade inclusiva e envolvente. Para bem e felicidade de todas as criaturas e de toda a criação. Georgino Rocha

Obamomania

Com a vitória de Obama nas eleições presidenciais dos EUA, uma onda de euforia se espalhou pelo mundo. Uma vitória inédita num país que se proclama como o mais democrático do mundo deu para alimentar a esperança da construção de uma nova ordem social. Uma nova ordem social assente no diálogo, na democracia, na paz e na justiça. Desde a eleição e até hoje têm-se multiplicado esses sinais de esperança, mesmo de certeza de que essa nova ordem social será uma realidade a curto prazo. Nem passa pela cabeça de ninguém admitir o contrário. Obama, para muitos, já ganhou o céu, ocupando um lugar especial no coração de cada cidadão do mundo. Contudo, estou convencido de que o paraíso não está a chegar, sobretudo à medida dos sonhos de muitos. Bem gostaríamos que assim fosse, mas não vale a pena acreditar em utopias, embora os ideais ocupem os nossos quotidianos. A realidade vai ser bastante diferente, quando as suas propostas se confrontarem com o dia-a-dia do seu país e dos demais países da terra, até onde chegam os interesses dos EUA. Admitindo que os sonhos fazem parte da vida de todos os seres humanos, temos de assentar os pés na terra em momentos como este. Quando Obama decidir, seja o que for, logo depois de tomar posse da principal cadeira da Casa Branca, é certo e sabido que de imediato brotam os descontentamentos, um pouco por todo o lado. FM

O ILHAVENSE FAZ ANOS

O ILHAVENSE completou hoje 87 anos de vida. Mesmo a caminho do seu centenário (já não falta muito), não podemos dizer que se trata de um jornal velho. E não é velho porque continua na luta constante pela defesa do seu lema, isto é, por ÍLHAVO e pelas suas gentes, tal como desde o nascimento. E se soubermos que não é fácil, nos dias que correm, alimentar princípios de justiça e de verdade, quando cada um se arroga o direito de admitir a sua justiça e a sua verdade como únicas e indiscutíveis, então mais facilmente compreendemos as dificuldades que têm de enfrentar, no dia-a-dia, os responsáveis por um órgão de comunicação social como este.
Ao seu director e meu bom amigo, José Manuel Torrão Sacramento, e a quantos fazem O ILHAVENSE dirijo os meus parabéns, na certeza de que não lhes há-de faltar coragem para prosseguirem na caminhada, para bem de todos os ílhavos, neles incluindo os ilhavenses e os gafanhões.
Fernando Martins

Crónica de um Professor...

Furo
Em tempos não muito remotos, na década de 80 do século passado, ocorreu um episódio insólito, em que foi protagonista um Mercedes amarelo. Este, partindo da Invicta Cidade, levava um grupo de professores para uma Escola do interior, neste país rural. Uma pequena avaria, um furo no pneu da frente, fez atrasar a viagem, que prosseguia, rumo a terras da Lixa. Dizia um colega com ar jocoso, quando se aproximava do baixo em que ficava a Escola: - Estamos a chegar à Cova... Sim, rumava esse grupo docente para a pequena vilinha rural de Vila Cova da Lixa, ali mesmo ao lado de Amarante. Também integrava esse grupo, a teacher, que aproveitava o percurso para uma amena conversa com os demais companheiros de viagem. Enquanto se procedia à reparação do furo, na estação de serviço local, na Escolinha, várias turmas de alunos pulavam de contentes, anunciando, a altos brados, aquela “prenda” inesperada, que aqueles professores lhes haviam oferecido: - Temos furo, temos furo... Era uma alegria, quando faltava um professor e se anteviam uns instantes de brincadeira, acrescidos! Sem pretender fazer a apologia das faltas dos professores, apraz-me aqui tecer algumas considerações, sobre a tão amaldiçoada aula de substituição. Qual será, à luz duma pedagogia dos valores, dos afectos do são desenvolvimento, a vantagem de aprisionar a energia incontrolável de crianças, alunos, no interior de uma sala de aula, numa actividade de mero entretenimento? Que lucrarão as crianças em permanecer, trancadas, entre quatro paredes, na ausência do professor da disciplina, supervisionadas por um outro qualquer docente, totalmente alheio às matérias e à empatia estabelecida pelo colega? A palavra “furo”, outrora sinónimo de feriado, intervalo inesperado entre duas aulas, perdeu, hoje, a polissemia e restringiu-se apenas ao conceito de “perfuração”! Se não existissem os pneus dos carros a arcar com esta responsabilidade... dos furos..., seria considerada um arcaísmo!Em contrapartida, surgiram novos vocábulos, para suprir as falhas existentes no léxico: professor substituto, aula de substituição, bloco de 90 minutos, meio bloco... etc; serão os neologismos criados pela força inovadora da língua! Esta é um processo dinâmico... Com 20 minutos de atraso, lá foram professores e alunos aproveitar o que restava da aula de 55 minutos. Não houve protestos, não houve birras. Todos, ordeiramente, acompanharam os professores; estes, alheios à falta que lhes fora atribuída, apenas pensaram em cumprir o seu dever, apesar do percalço que lhes tinha acontecido. Apesar do inesperado acréscimo de tempo de brincadeira, nenhum aluno sentiu que a aula ia ser um castigo! In illo tempore! No século passado!
Mª Donzília Almeida

Trabalho Infantil




A Renascença noticia que "Há crianças em Portugal que trabalham 12 horas por dia. O trabalho infantil é uma realidade e a Confederação Nacional de Acção contra o Trabalho Infantil alerta para o seu aumento, por causa da crise e do aumento do desemprego."
Há muitos anos que se fala deste problema, mas a verdade é que as crianças continuam a ser obrigadas a ser adultos, à força, em idade de brincar.

Efeméride aveirense

1880 - 20 de Novembro
Numa reunião de prelados do Continente, efectuada em Lisboa na presença do ministro da Justiça, foi resolvida a extinção da Diocese de Aveiro pelos arcebispos de Mitilene e de Braga e bispo de Lamego. Votaram pela sua conservação o arccebispo de Évora e o bispo de Bragança e abstiveram-se de votar os bispos de Coimbra e do Porto.
In "Calendário Histórico de Aveiro"

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Cavaco Silva lamenta falta de diálogo entre Ministério da Educação e Sindicatos

Face à incapacidade para dialogar, entre o Ministério da Educação e os Sindicatos dos Professores, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou hoje ter "muita pena" que o seu apelo para a serenidade do sector não tenha aparentemente surtido efeito. Estou em crer que, mais dia menos dia, o momento do diálogo soará. Portugal não pode continuar a assistir a posições irredutíveis, sob pena de se prejudicarem de forma irreparável os alunos, mola real da vida do Ministério da Educação e dos Professores.

Jubileu do Carmelo de Aveiro

O Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, escreveu uma Nota Pastoral sobre o Jubileu do Carmelo de Cristo Redentor. Nela sublinha: “A paz, o silêncio e a contemplação são fontes de alegria e de esperança, espelhadas no olhar puro e simples de quem, habitado por Deus, reparte o amor e a esperança pelo mundo e retira com suavidade e mansidão deste mesmo mundo a vaidade, a ganância, o orgulho, a inveja e a maldade. Os caminhos humanos do nosso tempo estão frequentemente marcados pela rotina, pela corrida e pela pressa e obrigam-nos a passos distraídos e a viagens desencontradas que nos distanciam da verdade, do bem e do belo e nos afastam de Deus e das pessoas.”

Nostálgicos do religioso abundam por aí

Falar de religião, brincar com temas religiosos, pôr a ridículo os sentimentos das pessoas crentes, proclamar o agnosticismo pessoal, cultivar dúvidas e propalar convicções de quem as transformou em certezas próprias, parece hoje ser moda e oportunidade aproveitada por gente que tem tribuna livre e antena aberta, e, ainda por cima, recebe por utilizá-las a seu belo prazer, que muitas vezes é a seu mau gosto. Uma nostalgia do religioso que talvez os psicanalistas possam explicar e que o povo já explicou quando disse: “Quem desdenha quer comprar”. Este campo vai sendo ocupado por políticos, legisladores, jornalistas, humoristas, gente de certa cultura, muitos deles incapazes de reconhecerem as suas limitações culturais e incapazes de calar os gritos interiores que os povoam. Fazem lembrar crianças que nasceram e brincaram no adro da Igreja e voltam lá, mais tarde, para apedrejarem telhado, quando não mesmo o interior do templo. Deste modo, mostram, também, a aprendizagem necessária para viver numa sociedade democrática plural, para aceitar os direitos humanos fundamentais, para respeitar opiniões e vivências diferentes, relacionadas com aspectos importantes da vida, como a liberdade de consciência, que tem na liberdade religiosa uma expressão essencial. Por vezes, o produto publicitado de diversos modos passa quase despercebido, como semente que se lança à terra, sempre na esperança de que caia em terra onde, mais tarde ou mais cedo, se gere dúvida ou repulsa. Acontece assim com gente que tanto fala e escreve sobre desporto como política internacional, com políticos que tanto bajulam como desprezam, com humoristas gastos que, com a sua pitada que suja os sentimentos religiosos de outros, mendigam sorrisos e aplausos, que já mal conseguem de outro modo. Não ando, nem nunca andei na vida, à caça de bruxas e aprendi cedo a respeitar os outros, conhecidos ou desconhecidos, que pensam como eu ou que divergem livremente de mim. Mas, como compro os jornais e os leio, procuro estar atento ao que neles se diz e a quem o diz. Comunicar também é semear e a parábola do trigo e do joio é, para este tempo concreto, uma advertência que não me pode deixar indiferente, mesmo respeitando o comunicador. Leio no Público (4.11.08) o artigo que aí escreve semanalmente, e mais de uma vez, um dos seus jornalistas de opinião que eu leio habitualmente. Desta vez escreveu: “Em certo sentido, a eleição do próximo Presidente dos Estados Unidos da América é a notícia mais esperada desde a ressurreição de Jesus Cristo - embora esta última ainda não tenha sido confirmada, dois mil anos depois”. Outra qualquer opinião sobre religião far-me-ia passar ao lado. A ressurreição de Jesus Cristo, pese embora a racionalistas, agnósticos ou ateus, será sempre a verdade central do cristianismo, aquela sobre a qual o silêncio é traição. Por isso mesmo, a piada não me deixou insensível. Está equivocado o jornalista em causa. Nenhuma verdade cristã está mais confirmada do que esta, pois que nem sempre a razão é o melhor caminho para a verdade. A vida dos crentes é, desde há dois mil anos, a melhor prova da ressurreição de Cristo e continuará sê-lo até ao fim dos tempos. Quem ama a sua vida, até ao ponto mais alto de a entregar por aquilo em que acredita, avaliza a verdade da sua fé. Milhares de cristãos convictos que se entregam, por completo, à causa de Jesus Cristo, e dão, se necessário, ontem como hoje, a própria vida ao martírio, que provam senão isso? Em plena consciência e de modo livre não se dá a vida por uma simples opinião ou crença, qualquer que ela seja. Nunca a ressurreição de Jesus Cristo foi provada por argumentos da razão. A adesão à fé é um acto de amor. A razão mostra, por factos consequentes, que acreditar não é um absurdo, mas a forma mais pura da liberdade. A compreensão das coisas mais profundas requer sempre meios adequados. Quem endeusa a razão empobrece a liberdade humana. O crente é um homem livre, por isso mais homem e mais senhor da sua vida.
António Marcelino

Manuela Ferreira Leite: afirmações de mau gosto

“Eu não acredito em reformas,
quando se está em democracia…”
Mal vai o País quando um político brinca com coisas muito sérias. E se esse político é um chefe partidário, então começamos a ficar confusos. Manuela Ferreira Leite, líder do maior partido político da oposição, cometeu uma gaffe do tamanho do caos em que vive o PSD. A nossa democracia precisa de muito mais do que afirmações de mau gosto. “Até não sei se não é bom haver seis meses sem democracia” não pode ser tida como tirada irónica, como veio o PSD esclarecer. A ironia não estava no rosto nem no tom de voz de Ferreira Leite. Ela estava mesmo a falar a sério, compenetrada do que estava a dizer. Não houve ali nenhum esgar que denunciasse a intenção de brincar. E mesmo que houvesse, seria sempre uma brincadeira, como quem conta uma anedota numa festa íntima. Não era o caso. Tenho pena que o PSD não acerte com um líder carismático para fazer valer os seus ideais. Assim, meus caros amigos do PSD, o PS não pode deixar de dar graças a Deus para que Ferreira Leite continue de saúde, pelo menos, até às próximas eleições. A derrota do PSD começa, assim, a definir-se. O que é pena. É que um partido do Governo sem oposição que seja alternativa corre a tentação de esquecer o diálogo com a sociedade.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Se quereis conhecer Deus

“E, se quereis conhecer Deus, não vos preocupeis em querer decifrar enigmas. Olhai antes ao vosso redor e vê-l’O-eis a brincar com os vossos filhos. E olhai para o espaço e vê-l’O-eis a caminhar nas nuvens e a estender na luz os Seus braços, descendo com a chuva. Vê-l’O-eis sorrindo nas flores, erguendo-se em seguida para agitar as árvores com as Suas mãos.” In “O Profeta”, de Khalil Gibran

Aveiro: Canal Central antigo

As gavetas e velhos arquivos são sempre um manancial de recordações. Desta feita, encontrei este postal sobre o Canal Central, que partilho com os meus amigos mais velhos. Os que, afinal, talvez mais gostem de recordar imagens que nos não saem da memória. Quem quer colaborar, enviando-me as suas velhas fotos?

Fotografia de Carlos Duarte

“O meu olhar” é uma exposição de fotografia de Carlos Duarte, patente ao público na Biblioteca Municipal de Ílhavo, com o apoio do Rotary Clube da mesma cidade, a partir do próximo dia 29 de Novembro. A receita reverte para a Obra da Criança de Ílhavo. Canais de Aveiro, Ria, Costa Nova e procissões, entre outros motivos, segundo a objectiva e a sensibilidade de Carlos Duarte, merecem ser apreciados até 13 de Dezembro.

Fotografia na Casa da Cultura

PORTO DE ENCONTRO
No passado sábado, foi inaugurada, na Casa da Cultura de Aveiro, a exposição “Porto de Encontro”. Inclui seis dezenas de trabalhos participantes no concurso de fotografia “Porto de Encontro”, organizado pela Comissão das Comemorações do Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro. Resulta de compromisso assumido pela organização aquando do lançamento do concurso. A exposição pode ser visitada de terça a domingo, entre as 14h e as 19h, até ao próximo dia 30 de Novembro.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Mais um livro de Ana Maria Lopes

“REGRESSO AO LITORAL - Embarcações Tradicionais Portuguesas”


O mais recente livro de Ana Maria Lopes, “REGRESSO AO LITORAL - Embarcações Tradicionais Portuguesas”, editado pela Comissão Cultural da Marinha, vai ser lançado no Museu de Marinha, em Lisboa, no Pavilhão das Galeotas, no próximo dia 24, pelas 17.30 horas. A apresentação da obra vai estar a cargo de Álvaro Garrido, director do Museu Marítimo de Ílhavo.
Entretanto, posso já adiantar que a referida obra será lançada em Ílhavo, no Museu Marítimo, no dia 29 de Novembro, pelas 17 horas, ficando a apresentação ao cuidado de Rodrigues Pereira, director do Museu da Marinha. “REGRESSO AO LITORAL - Embarcações Tradicionais Portuguesas” é um livro que reflecte, tanto quanto sei, o trabalho profícuo a que a autora já nos habituou, merecendo ocupar um lugar de destaque nas estantes de quem gosta de temas ligados ao nosso mar, e não só.

domingo, 16 de novembro de 2008

Semana dos Seminários

Termina hoje a Semana dos Seminários. Tanto quanto é possível imaginar, todas as dioceses do nosso país se empenharam nela, procurando chamar a atenção dos fiéis para a importância dos seminários na vida da Igreja, concretamente nas paróquias, base da vida eclesial. Dos Seminários saem, por norma, os padres que são, nas comunidades e nos demais sectores da Igreja Católica, os braços direitos dos Bispos. Nos Seminários, para além dos candidatos ao sacerdócio ministerial, há outros serviços de apoio à vida diocesana. Em Aveiro, por exemplo, no edifício do Seminário de Santa Joana Princesa, funciona o ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosos). Quando se fala destas casas de formação, logo nos lembramos dos alunos, professores e responsáveis pela espiritualidade dos seminaristas. Mas nem sempre recordamos outros servidores, encarregados de diversas tarefas. Hoje, enquanto esperava pela missa das 18.30 horas, que na igreja do Seminário se celebra para os universitários e outros fiéis, conversei um pouco com a Irmã Emília, que todos os domingos abre a porta do templo e tudo prepara para a eucaristia. A Irmã Emília pertence às Religiosas do Amor de Deus e veio para o Seminário de Aveiro em 1974. De sorriso franco, foi-me falando um pouco da sua vida. Esteve em África, onde serviu desde muito nova. Natural de Guimarães, um dia desejou professar e a partir dos votos de consagração aceita estar onde é preciso. É uma daquelas pessoas que estão na base da vida do Seminário de Aveiro. Trabalha na cozinha, dando o melhor de si, mas sabe que tem outras tarefas no dia-a-dia. Por exemplo, os vasos com plantas, que decoram os claustros e salas do Seminário, estão ao seu cuidado. Quando a questionei sobre o dia de folga semanal, adiantou que nem pensa nisso. Está ali para trabalhar, seguindo o princípio da obediência. Férias? Só quando vai para as termas, no Gerês, porque sofre da vesícula. "Às vezes abusamos um bocadinho!" - disse-me ela. Para além disso, participa em encontros de formação do instituto a que pertence. Mas aqui, refere que também tem de trabalhar um pouco, embora com a cabeça. Na Irmã Emília, com todo o seu sorriso e testemunho, apetece-me homenagear vários servidores do Seminário de Aveiro, com o meu carinho e reconhecimento pelo muito que fazem, na sombra de tudo o que é tido como de fundamental importância para a Igreja Diocesana.
FM

“Correio do Vouga” faz anos

O “Correio do Vouga”, órgão oficial da Diocese de Aveiro, celebra hoje o seu aniversário. Nasceu em 16 de Novembro de 1930, tendo como director o Dr. António Almeida e Silva Cristo, como editor o Padre Alírio Gomes de Melo e como administrador o Padre António Fernandes Duarte Silva. Em 1938, quando a diocese foi restaurada, passou para a responsabilidade da Igreja de Aveiro, mantendo-se, presentemente, como arauto dos valores cristãos. É, pelo que sei, o mais antigo jornal com publicação permanente na cidade dos canais, apostando, como desde a primeira hora, na defesa do bem e do justo, bases de uma sociedade mais fraterna. Tive o privilégio de dirigir o “Correio do Vouga” durante 12 anos, pelo que mais me ficou no coração. Vivi o dia-a-dia da redacção com o entusiasmo de quem acredita na possibilidade e na vantagem de apostar num jornal aberto ao que a vida tem de positivo. Ainda experimentei – com que entusiasmo! – os novos desafios sugeridos pelas novas tecnologias da comunicação, sem esmorecimentos nem cedências. Agora, que o jornal diocesano prossegue na caminhada de renovação permanente, não posso deixar de agradecer a quantos, durante 12 anos, me acompanharam, me ajudaram e me incentivaram a alimentar a esperança de contribuir para um semanário atento ao mundo, que sonhasse para além dos adros das igrejas. Aos seus actuais responsáveis e meus bons amigos, formulo votos sinceros de que continuem, como, aliás, o têm feito, a oferecer a toda a gente uma leitura cristã dos acontecimentos, na perspectiva de uma sociedade mais solidária.
Fernando Martins

Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro

Vasco Lagarto entrega prémio à professora Madalena Anastácio, da Escola da Chave, com aluno a assistir
Prémios para contos e blogues
O Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro teve ontem mais uma iniciativa. Não foi uma iniciativa capaz de atrair muita gente, mas teve o mérito de distinguir contos e blogues que responderam aos desafios da APA e da Rádio Terra Nova. Apreciei a satisfação dos que saíram vencedores e alguma tristeza de quem esperava ver mais reconhecido o seu trabalho. A vida, no entanto, tem destas incongruências. De qualquer forma, haverá outras oportunidades noutros contextos.
Há, porém, um registo que não posso deixar de lado. Não existiu, por parte de alguns Agrupamentos e Escolas, o devido esforço para motivar alunos e turmas para este concurso de contos. Vasco Lagarto, presidente da Rádio Terra Nova e grande entusiasta por acções do género, lamentou o facto e disse que tal atitude não é de agora.
Sempre gostaria de saber por que razão os Agrupamentos e as Escolas se divorciam destas acções, quando é sabido que as crianças e jovens precisam de ser incentivados, no sentido de se abrirem ao envolvimento nas propostas culturais, sociais e outras, que são postas à disposição de todos. Escolas e alunos alheios ao mundo que os envolve não contribuem para uma sociedade mais participativa, mais culta e mais fraterna.

STELLA MARIS: Jogo da malha com castanhas

Ontem à tarde houve mais um convívio no Stella Maris, clube da Obra do Apostolado do Mar. Um grupinho de amigos ali se reuniu a convite da direcção, para jogar a malha, mas também para saborear as castanhas assadas, regadas com jeropiga, bebida conhecida, entre nós, por vinho-abafado. Não eram pessoas propriamente muito jovens, embora o espírito o seja, como bem vi, pelo que temi que não houvesse força para atirar a malha a 25 metros. Porém, a verdade é que me enganei. Na foto, o Zé Manel, perito em consertar motorizadas e bicicletas, mostrou que tem força e habilidade para lançar a malha. Apreciem os meus amigos a postura correcta de quem sabe disto. Eu nem tentei, para não dar cabo de algum músculo ou osso. Contudo, derrubei um meco porque... tropecei.
O presidente da direcção, Joaquim Simões, com esta e com outras iniciativas, lá consegue mostrar que o Stella Maris tem potencialidades para congregar pessoas. Vontade não lhe falta. Resta-nos, como amigos, dar uma ajudinha.
FM

Um Poema de Maria Donzília Almeida

Variações em Citrinos
A filha da Laranja é a Tangerina E o Limão? Um primo afastado. A primeira é fresca e ladina. Tem a pequenez duma menina E tem um gosto doce e refinado! Do Limão se faz a limonada. Azedo, mas refresca no Verão! Por isso fica aqui a lição dada: Qualquer coisa, até, menosprezada Tem no fundo, sempre servidão! Variando em doçura e não somente, A tângera tem aqui seu parentesco. Da Laranja é nobre descendente Que nos dá, de forma permanente O seu suminho doce e tão fresco! E que dizer da nossa Clementina? De um paladar muito apurado, Tem nome de mulher ou de menina, Embora bem chegada à Tangerina, Tem sabor extra doce e requintado. E as limas de casca tão fininha, São uma fruta rica e sumarenta. Apreciadas são na caipirinha, Que ajuda a passar uma noitinha, De forma sonhadora e pachorrenta! E por fim aparece a toranja, Algo amarga, terá sua qualidade! Humilde descendente da Laranja Decerto não se come como canja, Mas terá, porventura utilidade! Mª Donzília Almeida
NOTA: Ora aqui está uma forma bonita e artística de ensinar os dotes da fruta, tão importante numa alimentação sadia. Sobretudo numa época em que aparece tanta coisa para comer, que nem sabemos bem o que é. Às vezes até são petiscos saborosos, mas uma frutinha fresca não trará mais benefícios para a nossa saúde? Julgo que sim...
FM

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 103

OS JOGOS
Caríssima/o: Tal como hoje, muitos dos nossos jogos eram marcados pelo ritmo da cantiga que se desenrolava enquanto decorria; outros eram “a seco”. Uma lista de alguns jogos da nossa meninice aí fica para que acrescentem os que faltam e se entretenham a descrever as regras e o desenrolar dos mesmos:
jogo da macaca da malha da choca da bilharda, dos calotes ou calarotes do pião; dos sete posséis da barra das nações da glória do xui (bingo) do «dá-me lume» do esconde-esconde (agacha), escondidas ou escondidoiro do eixo, 'uma-bala-uma' do gato e do rato do bom barqueiro do belindre do cantinho do chícharo ou das pedrinhas da cabra-cega do pico-pico do lencinho da sardinha assim se r'amassa do botão, tiço do ringue... Muitos dos poucos que me fazem companhia nesta viagem estão a rir-se porque me esqueci do seu jogo preferido, ou escrevi mal este ou aquele... E devo até confessar que de alguns não lembro as regras nem o modo como eram jogados e, um ou outro só os ouvi da boca da geração anterior à minha, logo já não os jogávamos: “ dá-me lume”... Alguém o conhece? Há que ir preparando os piões que o tempo aproxima-se e as nuvens de trovoada anunciam chuva! Manuel

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AS TRAPALHADAS COM AS MULHERES NA IGREJA (I)

Frei Bento Domingues  no PÚBLICO 1. O Cardeal norte-americano Joseph William Tobin, arcebispo de Newark, nasceu em 1952. É o mais v...