sábado, 31 de outubro de 2009

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 155

BACALHAU EM DATAS - 45




NO BICO (MURTOSA) CONSTRÓI-SE
O “MARIA DAS FLORES”

Caríssimo/a:

1946 - «Os arrastões que compunham a frota de 1946 eram os seguintes: SANTA JOANA e SANTA PRINCESA, da praça de Aveiro, e JOÃO CORTE REAL, ÁLVARO MARTINS HOMEM, JOÃO ÁLVARES FAGUNDES e PEDRO BARCELOS, pertencentes à praça de Lisboa. Os arrastões que compunham a frota do final da década de quarenta, possuíam todos TSF, radar, radiogoniómetro e instalações consideradas como boas e confortáveis para a tripulação.» [Oc45, 119, n. 9]

«No período pós-guerra verificou-se uma abertura às construções em estaleiros estrangeiros. [p. 119, n. 10] Nos últimos anos da década de quarenta, chegaram a Portugal navios destinados à pesca do bacalhau provenientes de estaleiros de Inglaterra, Holanda e Itália. Entre as muitas unidades provenientes desses estaleiros, destacam-se os navios de pesca à linha CONCEIÇÃO VILARINHO, SERNACHE, VAZ, e os arrastões PÁDUA, CONCEIÇÃO VILARINHO, SANTO ANDRÉ, SANTA MAFALDA, ANTÓNIO PASCOAL e SOTO-MAIOR.» [Oc45, 114]

«Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo são fundados em 1946, por iniciativa dos armadores Vasco de Albuquerque d'Orey e João Alves Cerqueira. Em 1948 apresentaram as primeiras embarcações destinadas à pesca do bacalhau.» [Oc45, 119, n. 11]

«Referindo-se ao processo de renovação da frota bacalhoeira, o Jornal do Pescador constatava: “renasceu a construção naval” na Murtosa. O mestre José Maria Lopes de Almeida, por encomenda do industrial e proprietário dos estaleiros do Bico da Murtosa, João Carlos Tavares, concluía em 1946 a construção do lugre de madeira de três mastros, o MARIA DAS FLORES, que viria a participar na campanha desse mesmo ano, ao serviço da Empresa Comercial e Industrial de Pesca, Pescal. A esta construção juntou-se, no mesmo ano, a do lugre MARIA ONDINA, trazendo ambos a alegria aos habitantes da região, pois estes estaleiros davam trabalho a muitos operários da zona. Apesar de o estaleiro ocupar um espaço exíguo no Cais do Bico, o mestre construtor José Maria Lopes de Almeida conseguiu obrar um navio como o MARIA DAS FLORES, de 50 m de comprimento e 10,30 m de largura, num total de 800 t. Esta embarcação, desenhada pelo arqueador oficial António Maria Rodrigues, possuía alojamentos para 50 pescadores, um motor propulsor de 340 CV e dois motores auxiliares com a missão de fornecer energia ao frigorífico e iluminação.» [Oc45, 115]

24 OUTUBRO - «PRIMEIRO NAVEGANTE» Lugre motor Naufragou ao Sul, próximo do Farol.[História da Pilotagem Prática em Portugal, António Joaquim Martins, p. 94]

«[...] No dia 24 do referido mês, perante um cais apinhado de gente para assistir ao sempre emocionante espectáculo da entrada, pairavam também, lá fora, o Lousado, o Navegante II, o Ilhavense II, o Santa Mafalda, o Maria das Flores, o António Ribau e o Viriato. Vinha o Maria das Flores, a entrar, rebocado pelo “Marialva”, quando o “Vouga” lançou o cabo ao Primeiro Navegante, iniciando o caminho já percorrido com os outros navios. Em frente à Meia Laranja, alterosas e repetidas vagas conjugadas com violentas rajadas de vento, encheram todo o poço do navio, que desgovernou e tomou proa ao sul, sendo impelido para cima da coroa ali existente, apesar de todos os esforços do rebocador “Vouga”. Também o “Marialva” veio em auxílio do lugre, perante o perigo iminente que ele corria, mas os seus esforços também foram em vão.[...]» [Vd. Mais no blogue Marintimidades, de Ana Maria Lopes, no dia 26/02/2009]

Manuel

EXPRESSO de hoje:"Caim" - a desilusão

A não perder, para quem gosta de saber mais





"Caim" - a desilusão

O teólogo católico Joaquim Carreira das Neves explica por que ficou desiludido com a leitura do livro "Caim". Em artigo de opinião, escreve que José Saramago "pode ficar totalmente em paz porque só é herege quem é crente". E agradece o convite, feito pelo escritor e pela mulher, Pilar del Río, para visitar Lanzarote.

Ler o texto do Padre Carreira das Neves aqui

NOTA: Texto e ilustração do Expresso

O importante é discutir o negócio, criar uma rede de amigos, ter os números de telefones certos



Uma enorme lixeira

1 Uma parte da elite portuguesa tem tudo a ver com o lixo de Ovar. Viciou-se no negócio. Não consegue conceber a vida para além do dinheiro e do poder, do conforto mais hedonista e da traficância de influência. Não se lhe fale em felicidade, em cidadania ou em projectos sociais, esses conceitos desnecessários, infantis, próprios de quem não sabe nada da vida. Conversa inútil!
O importante é discutir o negócio, criar uma rede de amigos, ter os números de telefones certos. Em certos círculos, Portugal é uma pequena sociedade muito podre, consequência má de uma coisa boa: a integração europeia que nos inundou de subsídios, de auto-estradas, de cursos de formação, de rotundas, de abates nas pescas e na agricultura, de explorações virtuais e muita construção de primeiríssima qualidade. O caldo ideal para se desenvolver algo de intrínseco às pessoas que habitam a Europa do Sul: a tendência para a corrupção. É assim em Itália, na Grécia, também em Espanha, como se vê. Porque é que deveríamos, ingenuamente, esperar que Portugal fosse diferente?

João Marcelino

Leia mais aqui

NOTA: Custa-me tanto dizer isto, mas penso que é preciso fazê-lo. A indiferença, perante qualquer verdade, mesmo que vivida por uma minoria, é a pior das cumplicidades. Com o castigo de uns, muitos aprenderão.
FM

Deus não é "objecto" de ciência, mas uma esperança...



SERIA INJUSTO NÃO HAVER DEUS


As nossas sociedades científico-técnicas, comandadas pe-la razão instrumental, pelo progresso, o êxito e o consumo, hedonistas, nas quais a fé se obnubilou, são as primeiras da História a fazer da morte tabu. Este tabu, acompanhado da perda da fé no Além e da eternidade, é essencial para o entendimento do que se passa. Porque já não há eternidade, o tempo não faz texto, ficando reduzido a instantes que se devoram. Como pode então ainda haver valores e futuro num tempo que se dissolve na voragem de instantes?

De qualquer modo, estas nossas sociedades permitem a visita dos mortos dois dias por ano: 1 e 2 de Novembro. Os cemitérios enchem-se e, de forma mais ou menos explícita e funda, num silêncio ao mesmo tempo vazio e opaco, plúmbeo, há o confronto com a ultimidade, aí onde verdadeiramente se é Homem. Afinal, qual é o sentido da existência e de tudo? O que vale verdadeiramente? M. Heidegger chamou a atenção para isso: a diferença entre a existência autêntica e a existência inautêntica dá-se nesse confronto. Se tudo decorre na banalidade rasante e na gritaria oca, a explicação está aqui: no último tabu.

Para onde vão os mortos? Para o Silêncio. O mistério da morte é esse: dizemos que partiram, mas o que abala é não deixarem endereço. Na morte, a evidência é o cadáver. Mas quem se contenta com o cadáver? Por isso, a morte é o impensável que obriga a pensar e, enquanto formos mortais, havemos de perguntar por Deus.

Deus não é "objecto" de ciência, mas uma esperança, sobretudo quando se pensa nas vítimas inocentes. Como escreveu o agnóstico M. Horkheimer, um dos fundadores da Escola Crítica de Frankfurt, "se tivesse de descrever a razão por que Kant se manteve na fé em Deus, não saberia encontrar melhor referência do que aquele passo de Victor Hugo: uma anciã caminha pela rua. Ela cuidou dos filhos e colheu ingratidão; trabalhou e vive na miséria; amou e vive na solidão. E no entanto está longe de qualquer ódio e rancor, e ajuda onde pode... Alguém vê-a caminhar e diz: Ça doit avoir un lendemain!... Porque não foram capazes de pensar que a injustiça que atravessa a História seja definitiva, Voltaire e Kant postularam Deus - não para eles mesmos".

A curto, a médio, a longo prazo, todos foram estando mortos. A curto, a médio, a longo prazo, todos iremos, todos irão estando mortos, e lá, no final, só há uma alternativa.

Claude Lévi-Strauss conclui assim o seu L'homme nu: "Ao homem incumbe viver e lutar, pensar e crer, sobretudo conservar a coragem, sem que nunca o abandone a certeza adversa de que outrora não estava presente e que não estará sempre presente sobre a Terra e que, com o seu desaparecimento inelutável da superfície de um planeta também ele votado à morte, os seus trabalhos, os seus sofrimentos, as suas alegrias, as suas esperanças e as suas obras se tornarão como se não tivessem existido, não havendo já nenhuma consciência para preservar ao menos a lembrança desses movimentos efémeros, excepto, através de alguns traços rapidamente apagados de um mundo de rosto impassível, a constatação anulada de que existiram, isto é, nada".

A Bíblia, no último livro, Apocalipse, conclui assim: "Vi então um novo céu e uma nova terra. E vi descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém. E ouvi uma voz potente que vinha do trono: 'Esta é a morada de Deus entre os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; e não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor. Porque as primeiras coisas passaram.'"

No meio da perplexidade, fico com Kant: "A balança do entendimento não é completamente imparcial, e um braço da mesma com o dístico 'esperança do futuro' tem uma vantagem mecânica, que faz com que mesmo razões leves, que caem no seu respectivo prato, levantem o outro braço, que contém especulações em si de maior peso. Esta é a única incorrecção que eu não posso eliminar e que eu na realidade não quero abandonar."


Para começar o dia: Pensar na Poupança




Porque hoje é o Dia Mundial da Poupança, aqui fica a lembrança, indispensável, mais do que nunca


Pois é verdade. Em tempo de crise, com a retoma da economia a tardar e os desempregos a surgirem em catadupa, é preciso poupar no dia-a-dia para mais tarde não sentirmos falta do essencial. Descubra formas de gastar só no preciso; não vá em cantigas publicitárias que nos atraem para gastos supérfluos. E fico-me por aqui, para poupar nas palavras, apesar de elas não custarem dinheiro. Mas às vezes até custam.

FM

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Halloween





O DIA DAS BRUXAS...

Está aí, de novo, mais um Hallowe’en, o Dia das Bruxas, como é chamado entre nós.
Sendo uma comemoração dos países anglo-saxónicos, tem a sua provável origem, em rituais irlandeses, do culto dos Celtas. Foi levado para os Estados Unidos no século XIX e daí irradiou para o mundo com a difusão da cultura americana.
Os Portugueses, sempre ávidos de copiar o que vem do estrangeiro, também se apropriaram desta festividade e deram ao comércio uma boa ocasião de rentabilizar este costume. É mais um dia, em que a pequenada aproveita para se divertir, como se não lhe bastassem todos os outros dias do calendário! Propensos a tudo o que soar a brincadeira, convívio, aí estão a organizar-se em grupos, fantasiados de bruxas ou fantasmas, conforme a disponibilidade dos adereços. A partir do anoitecer, clima propício ao aparecimento de tais criaturas, começam a vaguear pelas ruas da nossa vila, e cidade, grupinhos de crianças, algumas acompanhadas pelos pais que alinham na brincadeira. Tocam à campainha e é vê-los desfiar a lengalenga que lhes dará direito a uns rebuçados ou chocolates, segundo a generosidade do anfitrião. Às vezes, recitam aquilo que lhes foi ensinado na Escola e assim estão a pôr em prática as aprendizagens efectuadas. Forma pragmática de utilizarem a Língua Inglesa de forma lúdica, que a brincar também se aprende. Sweet or treat! Smell my feet!
Give me, something good to eat!
É até feito o contrato de só receberem doces, se recitarem a lição na ponta da língua! Então, é vê-los curiosos e empenhados a memorizar o texto/discurso que hão-de proferir, aquando da visita à teacher. Esta tem já reservado um cestinho com os doces que irão premiar os bons alunos e incentivar aqueles que têm, pelo menos vontade de aprender.
Em algumas casas é apresentado, no jardim, o jack’olantern, a abóbora desventrada do seu interior e contendo uma vela para alumiar. Esta evoca uma tradição ancestral, da Gafanha rural de antanho, em que as abóboras eram colocadas nas encruzilhadas dos caminhos para afugentar as bruxas e alumiar o caminho aos lavradores, no seu regresso tardio a casa.

M.ª Donzília Almeida

31.10.09

Bento XVI expressa satisfação pela vinda a Portugal



O Papa falou ao Cónego António Rego sobre a sua vinda a Fátima, em Maio próximo. O Cónego Rego participou, em Roma, na Assembleia Plenária do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais. No último dia, os membros desta Assembleia foram recebidos por Bento XVI que, ao trocar algumas impressões com o Cón. Rego, referiu sorrindo a vinda a Fátima. “Eu vou a Fátima em Maio”, disse. “Vê-se que ele tem muito presente a vinda a Portugal”, afirmou o director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja.

Ler mais aqui

Poesia de Fernando Pessoa





O DOS CASTELOS


A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

Fernando Pessoa

In Mensagem

NOTA: O jornal i começou hoje, sexta-feira, a oferecer uma colecção de livros de Fernando Pessoa. Durante dez semanas, se quiser, pode ler ou reler a obra de um génio da literatura portuguesa e, até, universal.



A Nossa Gente: Padre Manuel Ribau Lopes Lé


Padre Lé com D. António Francisco (foto de Manuel Olívio)


O sacerdote tem de se dar
até ao fim da vida

Um dia destes, de calor de Verão em pleno Outono, fui à procura do meu amigo e antigo confidente Padre Manuel Ribau Lopes Lé, mais conhecido por Padre Lé, que serviu a Igreja na Gafanha da Encarnação até há pouco tempo. Sentado num sofá, recebe-me de olhos bem abertos. Os olhos que sempre lhe conheci. Cedo, porém, percebi que o Padre Lé, com o peso dos 87 anos de idade e das canseiras, de mistura com recentes achaques, estava fragilizado.
A recomendação que me acolheu indica que a memória recente tinha dado lugar à mais antiga, para onde ele encaminha, já com alguma dificuldade, as conversas sobre a sua vida sacerdotal.

Ler toda a entrevista aqui

Para começar o dia: Uma boa ideia para pensar



“Precisamos urgentemente de voltar a ensinar ética e civismo nas escolas e matar a pior doença do país, que não é a gripe A, mas sim a ‘doutorite’, para que as mentalidades mudem radicalmente e se possa instalar uma meritocracia em todas as relações dos cidadãos entre eles e com o Estado.”

José de Sousa

In i de hoje

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O FIO DO TEMPO: Uma pausa, até ao infinito



A aventura humana
precisa de cor e de luminosidade

1. Nestes próximos dias os sinais e as pausas convidarão a parar, na liberdade de quem dá esse sentido à vida. Os primeiros dias de Novembro (Dia de Todos os Santos) revelam esse apelo a uma comunhão que ultrapasse meramente o mundo do visível. Um apelo na pressuposta e fundamental liberdade a sentir-se a si mesmo muito acima da condição biológica e física. Se formos a atravessar a história da humanidade e a história que se escreve nos nossos dias, o essencial encontra-se na relação humana e numa relação que não quer ter barreiras na ordem do tempo e do espaço. É precisamente esse acontecimento na perspectiva do supra-histórico que a tradição assinala como algo sempre novo.

2. Superando as concepções do materialismo histórico ou da mera satisfação na óptica de “acreditar” ou mesmo que se recuse esta palavra, do “viver acreditando” nas coisas ou nas concepções…acima de tudo o que já se atinge e na procura da verdade absoluta, ergue-se uma projecção de toda a esperança, de todos os valores, de todas as virtudes. Não como mero facto sócio-psicológico e mesmo este, se existe como necessidade de libertação existencial, revela por si no profundo do espírito humano a necessidade de um absoluto que seja um farol de referência fixo, pois que tudo o resto mostra-se repleto de movimentações e mesmo inseguras. Em que(m) alavancar toda a esperança? Eis a pergunta fundante que gera alicerces no rumo do infinito.

3. A manifestação e os gestos destes dias não são outra expressão que o desejo de «continuar». Continuar com os outros, continuar em si próprio, continuar na consciência aprofundada de que a Humanidade, não existindo por si mesma, tem uma meta definitiva, um encontro total após todos os milhentos encontros parcelares históricos. As flores, velas e todos os gestos (diários) serão sempre o sinal claro de que a aventura humana precisa de cor e de luminosidade e que a busca da identificação com o «Homem Novo» é cada dia missão inacabada quando inadiável!


Posse dos novos membros da Assembleia e Câmara Municipal de Ílhavo



Que os homens do leme
procurem os rumos certos...


Amanhã, 30 de Outubro, pelas 18 horas, os membros da Assembleia e da Câmara Municipal de Ílhavo vão tomar posse dos cargos para que foram eleitos no passado dia 11 de Outubro.
Todos sabemos que as funções políticas são de suma importância para a sociedade. Do bom desempenho dos eleitos, beneficiaremos todos nós. E se é justo lutar por ideais e projectos políticos, também não podemos esquecer que, depois das eleições, os escolhidos pelo povo têm o direito e a obrigação de exercer os seus mandatos, numa postura de respeito por toda a comunidade, independentemente da cor política dos munícipes.
Por minha conta digo que terei sempre o máximo respeito pelos órgãos autárquicos, na certeza de que os empossados farão o que é melhor para a qualidade de vida dos nossos concidadãos. Isso não obsta a que, quando não concordar com qualquer decisão, no respeito pelos meus direitos, que são de todos, manifeste a minha discordância a par das minhas sugestões.
Felicito antecipadamente os que vão exercer os respectivos cargos, na convicção de que o povo do concelho de Ílhavo virá a sentir, cada vez mais, que o progresso, a vários níveis, será um símbolo da nossa unidade e marca da felicidade de todos.
Que os homens do leme procurem a todo o momento o rumo certo. São os meus votos.

FM

Uma boa sugestão para começar o dia...


Para não cairmos na tentação de falar da Bíblia, mormente do Antigo Testamente, de forma leviana, penso que vale a pena estarmos atentos ao que se vai publicando no blogue TRIBO DE JACOB, do meu amigo Jorge. Da Bíblia e de temas de âmbito cultural, religioso, espiritual, entre muitos outros. É que eu fico espantado com tanta ignorância, mesmo de gente que, por ter muitos "canudos", julga que pode, deve e  sabe pronunciar-se sobre tudo e mais alguma coisa. Numa democracia, qualquer cidadão tem o direito de se exprimir. Mas para dizer asneiras, se for pessoa com os cinco litros aferidos, mais vale ficar calado, para não induzir em erro os incautos, engrossando o universo dos iliteratos.

FM

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Roupagens da história nada consonantes com uma Igreja Serva e Pobre



Reformas na Igreja e espírito conciliar

(...)
"Roupagens da história, coladas ao corpo eclesial, nada consonantes com uma Igreja Serva e Pobre, Mãe e Mestra, cuja missão é testemunhar Jesus Cristo. Uma Igreja de irmãos, luz para todas as gentes, aberta ao diálogo salvador hoje e sempre. Os atavios profanos e as honrarias com cheiro profano só complicam, dificultam e dividem, dando da Igreja de Cristo uma imagem do que ela não é, nem pode querer ser."

António Marcelino

Ler tudo no Correio do Vouga, em Opinião

O FIO DO TEMPO: As pessoas e os instrumentos



O ser humano é o fim último e o essencial

1. O utilitarismo no mundo actual continua em crescendo. A utilidade de tudo com todos os instrumentos às costas ou è frente dos dedos faz caminho sem precedentes. Mas o que não se poderá confundir é o instrumento com o dono. Desde o aparecimento do rádio e televisão, até ao progresso impressionante das novas tecnologias, por vezes gera-se confusão ao ponto de responsabilizar o instrumento e desculpabilizar o utilizador. Quando se diz que o telemóvel prejudica, que a internet é insegura, que o mundo das tecnologias gera ansiedades…, em tantas destas situações acaba por pagar o justo pelo pecador. Sejamos claros, os utensílios, os objectos, as coisas não têm qualquer culpa da má aplicação dos humanos utilizadores.

2. Nunca se poderá desculpabilizar os seres humanos quando fazem mau uso de determinados instrumentos que hoje fazem parte do dia-a-dia. A moderação razoável, ou o excesso que prejudica, é da competência de quem absolutiza determinados objectos que não merecem essa centralização. Faz falta uma agenda que conduza o espírito humano actual a fim de saber discernir no lugar de todas as coisas o seu próprio lugar. Um humanismo que saiba situar aprofundadamente a dignidade, a sensibilidade, a alegria, o sentido de viver…como dados fundamentais para o caminho. Arrepia ver crianças e adolescentes de tal maneira cheios de instrumentos com imensas designações modernas que dá pouca margem para o diálogo, a profundidade de pensar e o horizonte de viver com os outros.

3. O instrumento é o meio, o ser humano é o fim último e o essencial. Descentrar esta realidade, tornando o meio no fim acaba por secundarizar as relações humanas e colocar no meio de tudo os utensílios que se usam. A pobreza de humanidade tem em muito esta raiz em que a relação pessoal não é alimentada e sai muito a perder. É também neste terreno que as filosofias e as culturas humanistas são urgentes.

Alexandre Cruz

Imagem de sonho, para começar o dia


Costa Nova, na hora do pôr do Sol


Há cores, sombras e reflexos que nos deixam extasiados. E o Sol, o rei das estrelas e dos nossos universos, faz jus à sua majestade, brindando-nos, como ontem, com clarões de um fogo purificador, onde novas vidas hão-de renascer. Deixemo-nos de banalidades próprias de existências  sem sentido e olhemos para esta beleza, de cor e oportunidade, captada pela sensibilidade do Carlos Duarte. Depois, sigamos  em frente, que outras maravilhas há que nos podem inebriar.

Ainda José Saramago e Deus

Se gosta de ouvir falar da Bíblia alguém que sabe o que diz, a propósito da polémica provocada por Saramago, veja aqui.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

TER VOZ



"À margem de toda a espuma mediática destes dias, no nosso país, encerrou-se no Vaticano o II Sínodo dos Bispos para a África, do qual saiu claramente a ideia de que este continente tem uma voz própria e muito a dizer sobre as opções que definirão o seu futuro imediato.

O trabalho quase inquantificável de milhões de católicos em território africano só é notícia, praticamente, quando há temas polémicos pelo meio. Ao renovar a sua esperança no que a África é capaz de fazer e procurar distanciar-se das imposições ideológicas do Ocidente, os Bispos mostraram que é possível viver sem a meta da exposição internacional ou do aplauso da opinião dominante."

Octávio Carmo

Ler todo o texto aqui

Já agora, uma estória de Camilo, para os que o apreciam

A Graça de Camilo


"Num grupo de que fazia parte Camilo falava-se, um dia, de certa mulher muito conhecida na sociedade portuense.
- Não será bonita - comentou, em dado momento, um dos do grupo - Mas temos de concordar que tem uma cara picante. Não acha, sr. Camilo?
- Lá que tem uma cara picante, isso acho - respondeu Camilo - Especialmente nos dias em que não faz a barba."

In O Espírito e a Graça de Camilo, de Luís de Oliveira Guimarães

O FIO DO TEMPO: Cooperação na acção



Ouvindo as aspirações lícitas, temos dúvidas…

1. Foi dada posse ao XVIII Governo Constitucional. Palavras de cooperação, apelo reformista e num horizonte temporal de legislatura. A Sala dos Embaixadores do Palácio da Ajuda encheu-se para o acontecimento simbólico da abertura desta «parte 2», agora liderada por uma minoria que, ao serviço da nação, saberá catalisar e gerar oportunidades, mobilização e desenvolvimento para todos(?). Fala-se em referenciais de estabilidade, em não se ser elemento perturbador da governabilidade. Sublinha-se a determinação em avançar, progredir, melhorar a vida dos portugueses e das multigentes que habitam Portugal. As reacções das oposições espelham votos de confiança e, na palavra seguinte, avançam para a desconfiança se alguma coisa vai mudar/melhorar.

2. Tudo como hábito, tudo na essência como dantes. Nada de novo em matérias de tomadas de posse em que, não havendo nenhum descuido, tudo corre bem. Como hábito, o povo votou e agora o povo assiste às tomadas de posse… Mas, haverá algo de fundo a (trans)formar: não chega a participação democrática reduzir-se aos actos eleitorais, e a vigilância sobre os que o povo elegeu será virtude democrática. Uma purificação do autêntico sentido de «a política» dará ao privilégio de pertencer ao parlamento a grande e delicadíssima responsabilidade de SERVIR a comunidade que se representa. Num olhar translúcido, que efectiva representação existe nos trabalhadores parlamentares?

3. Ainda que a resposta oriente à desilusão mas parecendo que os protocolos habituais das tomadas de posse decorram dando imagem de que tudo está bem, a verdade é que a frescura de uma cidadania activa será o eixo de todas as mudanças a efectuar não “para” mas “com” todos. Veremos como às várias agendas conseguirá presidir o bom senso, o sentido de bem comum, os grandes valores que hoje terão de ser sintetizados na responsabilidade como caminho de autêntica felicidade. Ouvindo as aspirações lícitas, temos dúvidas…

Alexandre Cruz

Grupo Poético de Aveiro evoca Jorge de Sena: Dia 7 de Novembro, na Livraria Buchholz, pelas 18 horas



Jorge de Sena nasceu em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919, e faleceu em Santa Barbara, na Califórnia, a 4 de Junho de 1978. É hoje considerado um dos grandes poetas de língua portuguesa e uma das figuras centrais da cultura do século XX.
O Grupo Poético de Aveiro vai evocar a obra poética de Jorge de Sena, no dia 7 de Novembro pelas 18h00, no espaço da Livraria Buchholz Aveiro (Praça Marquês de Pombal). Será uma tertúlia onde todos poderão intervir, se assim o desejarem, no entanto, por uma questão de organização, seria conveniente saber os poemas que cada um irá ler para não haver leituras repetidas.
Depois da sessão de homenagem a Jorge de Sena na Livraria, quem estiver interessado em continuar a tertúlia entre amigos poderá inscrever-se para o jantar a realizar no restaurante O Buraco, junto à capela de S. Gonçalinho (perto da Praça do Peixe). O preço do jantar é de 12,5 euros e as inscrições terão de ser feitas até ao dia 30 de Outubro.

Ruas da Gafanha da Nazaré: Rua Camilo Castelo Branco



Um escritor que todos
os portugueses conhecem 


Homenagem merecida a um dos grandes escritores da Língua Portuguesa. Penso que não há nenhum português, minimamente letrado, que não conheça O Amor de Perdição, obra famosa de Camilo Castelo Branco.
Não consta que o escritor, falecido em 1890, com 65 anos de idade, alguma vez tenha passado por esta nossa terra, ainda longe de figurar no mapa de Portugal com o título de freguesia, o que só aconteceu, como os leitores do Timoneiro sabem, em 1910. De qualquer forma, e porque é hábito no nosso País baptizar as ruas com nomes de gente célebre, compreende-se, perfeitamente, a lembrança, para quem passa, de Camilo Castelo Branco.
 
Ler todo o texto aqui

Poesia para começar o dia

Outono



Entro na sala…
Se a turba se cala
Olho em frente….
Não fico indiferente
A árvore triste
Vai-se despindo…
O Outono persiste
E vai colorindo
De nova roupagem
A paisagem!
Tanta beleza
É com certeza
A despedida
Muito sentida
Da natureza!


M.ª Donzília Almeida

22.10.09

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Filarmónica Gafanhense celebra aniversário com concerto e participação na eucaristia


Filarmónica Gafanhense


Filarmónica Gafanhense tem um sonho...

A Filarmónica Gafanhense celebrou, no sábado, 24, mais um aniversário, o 173.º, de uma vida longa em prol da cultura musical. Houve concerto nas escadarias da igreja matriz, romagem ao cemitério e participação na eucaristia das 19 horas, que animou com o seus músicos e coral.
Muitas pessoas assistiram, em sinal evidente de que gostam da nossa Filarmónica, sempre presente nos mais diversos eventos que ocorrem não só na freguesia da Gafanha da Nazaré, mas também na área concelhia. As suas actuações passam, ainda, por muitas festas, um pouco por todo o lado.
A Filarmónica, mãe do Grupo Coral, da Banda Juvenil e da Orquestra Jovem, ainda assume a responsabilidade, que é uma necessidade, de formar os seus músicos e coralistas, com a contribuição, indispensável, de professores especializados no ensino da música e de vários instrumentos.
Presentemente, tem 40 executantes musicais e outros tantos coralistas, ostentando o estatuto de Utilidade Pública, como reconhecimento pela sua acção no domínio da cultura.
Segundo nos afirmou o seu director, Carlos Sarabando Bola, a Filarmónica Gafanhense tem um sonho, que acalenta há anos: possuir uma sede onde possa ensaiar, ensinar e preservar a sua memória, com 173 anos de vida. Há promessas que esperam concretização. Pode ser que a festa do centenário da freguesia e paróquia traga novidades.


Posse da Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora da Nazaré


Comissão de Festas

Importa respeitar a legislação
em vigor sobre festas religiosas

No domingo, na missa das 10 horas, celebrada pelo Prior da Gafanha da Nazaré, Padre Francisco Melo, tomou posse a Comissão de Festas em honra da nossa Padroeira, com o propósito firme de levar por diante uns festejos condignos no próximo ano, 2010, ano em que a freguesia e paróquia comemoram um século de existência.
Depois das palavras estimulantes do nosso Prior,  no sentido de promoverem o culto a Nossa Senhora da Nazaré, razão primeira das festas, os empossados leram, em conjunto, o compromisso de respeitar as leis da Diocese de Aveiro, no referente às festividades ligadas a Nossa Senhora e demais padroeiros e outros santos, venerados nas diversas paróquias.

Sublinho este acontecimento por saber que nem sempre os princípios estabelecidos, legalmente, pela Diocese são respeitados, não sei por culpa de quem, uma vez que os párocos, admito, não se têm esquecido de lembrar, a quantos integram as comissões de festas, o que está determinado, com rubrica indispensável do bispo diocesano.
Estranho, por isso, que em algumas paróquias surjam conflitos, num claro desrespeito ao que, desde há muito, ficou legislado, organizando as festas e encaminhando dinheiros remanescentes à revelia do que está oficialmente escrito.
Lamento ainda que, durante as festas ligadas à Igreja, sobretudo na parte chamada profana, haja cantores de baixo nível, a que não chamo artistas, que usam e abusam de uma linguagem pior que brejeira, ofensiva do respeito que devem merecer os santos e Nossa Senhora. Julgo que se impõe uma reflexão sobre estes pormenores, no sentido de se dignificarem os festejos que à sombra da Igreja Católica se realizam, sobretudo no Verão, como manda a tradição.

Fernando Martins

O FIO DO TEMPO: O difícil mundo de Bagdad




1. Já há dois anos que as proporções dos atentados não chegavam ao nível deste 25 de Outubro 2009. Os relatórios de Bagdad apontaram de imediato para mais de 130 pessoas mortas e cerca de 600 que ficaram feridas na sequência da explosão de dois carros armadilhados no centro da capital iraquiana. Quatro hospitais da capital acolheram as vítimas do estrondo dos dois veículos que em locais distintos quase em simultâneo vitimizaram tanta gente. A estratégica foi cruel e premeditada: um carro explodiu junto ao edifício do governo, outro no bairro Al Salehiya, junto ao ministério da justiça. Governo e Justiça, dois pilares da estruturação social que são atingidos em tempos eleitorais.

2. Ainda um outro ponto de referência: os atentados registaram-se perto da designada «Zona Verde», esta que abriga as embaixadas dos Estados Unidos e do Reino Unido e ainda protege alguns edifícios governamentais do Iraque. Esta zona de forte segurança sentiu os abalos de uma insegurança iraquiana que persiste em atingir melhores dias. Nas televisões e das ruas sentia-se o desespero pela situação em que se torna impossível o viver, o dormir, o andar pelas ruas com normalidade… Estranho mundo dessa grande cidade da antiguidade persa, onde tantas correntes de pensamento ao longo da história foram apontando bons indicadores para a Humanidade em geral. Será uma fatalidade o que acontece por aqueles lados?

3. Os caminhos da tolerância entre todas as etnias e entre todas oposições será talvez o maior desafio do século XXI. Ao vermos nessas ruas de Bagdad tantos gritos para tantos lados onde todos pensam que são os únicos que têm razão…esta cenário faz sentir quanto difícil é a convivência humana em circunstâncias onde se absolutiza aquilo que é humano. Nenhuma terra deste mundo é santa, as pessoas sim, poderão, quando em diálogo fraterno com os outros, ser santas. Quanto mais difícil mais urgente é esta nova consciência do essencial.

Crónica de um Professor: Que forma expedita de usar as mãos...para “dar com os pés!”




De pequenino se torce o pepino

- Ela bate-me!
Descontextualizada, esta frase prefiguraria um cenário de violência doméstica! Com os movimentos de emancipação da mulher e a luta pela igualização ao homem, declarações destas são cada vez mais recorrentes e já há notícia de homens a apresentar queixa na A.P.P.A.V.!
Sinais dos tempos, ou apenas um mero ajuste de contas?
De tão explorada, violentada e maltratada, a diversos níveis, a mulher parece ter ganho consciência da sua força, não a nível meramente psicológico, já sobejamente aceite pela hierarquia masculina, mas também ao nível da força braçal!!! Que se cuidem os cavalheiros... pois a este ritmo, o mulherio ainda vai destronar o rei da violência doméstica – o sexo masculino!!!
Não foi, no entanto, neste mundo bizarro dos adultos, que a frase foi proferida. Numa sala de aula, quando todos saíam já, para um merecido intervalo.
Aquele aluno manifestara, durante a aula, uma agitação inusitada, não parava de mexer-se na carteira, por várias vezes fora admoestado pela teacher, que exasperava. Esta pensava já, no correctivo a aplicar-lhe, mas não descortinara ainda qual. A escrita repetida da regra da aula que estava constantemente a transgredir, acenava-lhe como possível e dissuasora de futuros desvios comportamentais. Mas, cogitava a mestra: -  ocupar-lhe os bracitos a escrever “n” vezes a frase, passaria a uma rotina que se ficaria apenas por um ligeiro cansaço dos membros superiores, mas deixar-lhe-ia a mente e ainda mais a língua, bem soltas, para continuar a agitar-se e a falar pelos cotovelos.
- Discutam em Inglês! Não me importo que o façam, desde que pratiquem a língua que estão a aprender! - disse-lhes várias vezes.
Era preciso que a deixassem primeiro, treiná-los na argumentação!
Calam-se logo, quando instados a traduzir para língua estrangeira as brincadeiras e quezílias duma infância hiperactiva!
Retraiu-se e foi adiando a aplicação do “castigo”, para trabalho de casa, que encurtando-lhe o tempo de brincadeira e de televisão, talvez resultasse mais. Assim aconteceu e a aula acabou.
Quando já todos os colegas tinham saído, abeira-se da teacher o Joãozinho Amoroso e sussurra-lhe quase ao ouvido, com ar decidido:
- Gosto de uma garota, mas ela não gosta de mim!
- E....? Indaga a teacher.
- Ela, como não gosta de mim, bate-me!
- Ah... que patético! Pensa para si.
- Que forma expedita de usar as mãos...para “dar com os pés!”
- Ah! Replica o João com ar vitorioso.
- Mas eu já lhe disse, que quanto mais ela me bate, mais gosto dela!
Estaremos perante a fase embrionária de um amor platónico? Nos seus tempos de menina e moça, não era assim! Nem havia “violência” no namoro, quanto mais na intenção dele! E... amor platónico... que a autora também experimentou... era mesmo só no universo das ideias, da pura espiritualidade! Noutros tempos... em que Platão ainda tinha seguidores! Hoje a filosofia é outra! Começa-se cedo e logo de forma contundente! Não há tempo a perder e há que passar logo à acção!
Ou será esta gente de palmo e meio que tem razão e inicia-se, mal nasce, nesta aventura dos sentimentos, do amor?
Amores não correspondidos, sempre os houve, mas... violência doméstica desde tão pequenino... é obra dum Cupido mal orientado, que sofre de cegueira... ou teremos que concluir com a voz do povo que diz: “De pequenino se torce o pepino”?

M.ª Donzília Almeida

25-10-09

Neste início de semana útil:Uma Boa Ideia para Portugal




"Não adianta mudar de tractor, se o problema é do tractorista. E o nosso problema é precisamente este. Os nossos governantes passam a vida a mudar as leis, quando o problema é de quem as aplica. Qual a solução? É fácil. Primeiro, não mudar de tractor, depois ensinar o tractorista a usar o tractor,  por fim, substituir o tractorista se ele não aprender ou não quiser aprender."

Santa-Maia Leonardo

No i de hoje

domingo, 25 de outubro de 2009

Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo encerra comemorações dos 25 anos de existência


Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo, no 1.º Festival de Folclore
da Gafanha da Nazaré, em 1985


BOM PRENÚNCIO PARA UM FUTURO RISONHO



Com apresentação do livro “Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo”, de Maria Teresa Filipe Reigota, logo seguida de um espectáculo etnográfico da responsabilidade do Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo, denominado “Sangue de Mar”, foram dadas por encerradas as celebrações dos 25 anos de existência daquela instituição ilhavense, vocacionada para o estudo e divulgação dos usos e costumes dos  nossos antepassados.
Importa salientar estes dois acontecimentos, que tiveram lugar no Centro Cultural de Ílhavo completamente cheio de gente que vive, com determinação, a causa da preservação do nosso património cultural e histórico, de feição popular, porque ilustram bem o esforço e a sensibilidade de quem os protagonizou, tudo feito à sombra do espírito que anima, desde a sua fundação, em 6 de Janeiro de 1984, o Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo.
Teresa Filipe Reigota teve o cuidado e o bom gosto de concretizar a tarefa que devia ser apanágio de todos quantos se dedicam à etnografia, registando em livro recordações da sua meninice, para memória futura.
No espectáculo, em que participaram os membros do Rancho Regional, foram trazidas até ao presente cenas do quotidiano dos nossos pais e avós, com graça e arte. Pelo palco passaram pregões e cantares, falares dos ílhavos e arredores, danças ritmadas e melódicas, trauteadas pela assistência que não regateou aplausos bem merecidos.
O encerramento das celebrações dos 25 anos do Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo foi, pois, vivido com muita alegria, bom prenúncio para um futuro risonho, no domínio da cultura popular, e não só.

Fernando Martins

Grande Prémio Terra Nova na Gafanha da Nazaré



Realizou-se hoje, na Gafanha da Nazaré, o 17.º Grande Prémio Terra Nova, apesar da chuva miudinha que, apesar de tudo, não incomodou os atletas que vieram um pouco de todo o lado. Inscreveram-se cerca de mil crianças e jovens de todas as idades, que encheram de alegria o povo que à festa se associou.
Não importa vir para aqui com nomes dos muitos vencedores, aqueles que chegaram nos primeiros lugares à meta. Importa, isso sim, sublinhar que os vencedores foram todos os que participaram, incluindo atletas, dirigentes, professores, pais e amantes do atletismo, vivendo, ao vivo, o espírito, sempre actual, de alma sã em corpo são. A Rádio Terra Nova está, pois, de parabéns.

Uma pequena reflexão para começar o domingo

Sobre a polémica causada pelas afirmações de Saramago, a propósito do seu recente livro Caim, Frei Bento Domingues diz, a abrir a sua crónica de hoje no PÚBLICO, o seguinte:




"Seja qual for o interesse literário de Caim de José Saramago, as declarações feitas no seu lançamento foram interpretadas em registo publicitário: o importante não é que se diga bem ou mal; o importante é que se fale."

Nota: Sabido é que a maioria (ainda não suficientemente quantificável) dos católicos não lê a Bíblia com regularidade. Os que participam nas missas, contudo, têm a oportunidade de ouvir leituras bíblicas, com a respectiva adaptação aos dias de hoje, expressa nas homilias. Às vezes os celebrantes esquecem-se disso, mas isso é outro assunto. Com esta polémica, publicitária ou não, estou em crer que, por via dela, haverá muitos que vão pegar no Livro Sagrado dos cristãos, para, enfim, poderem ver quem tem razão. De qualquer modo, não se pense que é assim tão fácil. Ler o Antigo Testamento fora do contexto da época, atendendo apenas à letra do texto, e não ao espírito do mesmo texto, pode ser não aconselhável. Mas leia-se a Biblia e quando houver dúvidas, que haverá certamente, então consulte-se quem sabe.

FM

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 154

BACALHAU EM DATAS - 44



D. João Evangelista


A BÊNÇÃO DO INÁCIO CUNHA

Caríssimo/a:

Vem daí comigo ao Estaleiro que o ambiente é de festa... Já lá vão tantos anos, mas vale a pena observar tudo através dos olhos privilegiados de alguém que participa e vive intensamente o momento:

«A BÊNÇÃO DO LUGRE

O cenário é o mesmo do da nau Portugal. Um sopro discreto e fagueiro do vento encrespa e orla de espuma a maré-cheia. Sabem-nos os beiços e a língua a salgado. E dentro da alma, à sua maneira, na sua esfera, sente-se como que a repercussão da frescura que, por fora, nos toca e consola a pele.
Estava tentado a repetir o que ouvi uma vez ao Cónego Pontes, num êxtase, diante de um espectáculo soberbo do Atlântico:
- Há coisas que nos reconciliam com a Natureza!
Eu não ando zangado com a Natureza; ao contrário, eu e ela sempre nos temos entendido perfeitamente. Mas, com efeito, no caso de alguma hora de amuo que nem todas as horas são as mesmas na vida, aquela Gafanha que só tem de esquisito o nome, com a cintura azulada das suas águas, com o murmúrio terno das suas ondas, com aquele ar fino que nos limpa a fronte, se o suor corre penosamente por ela, com aquela agitação das gaivotas, das narcejas e dos maçaricos que parecem doidos de alegria e de fome, só ela bastaria para fazer as tais pazes de que falava, à beira do Oceano, o filósofo Pontes. Não era preciso mais nada.
Os estaleiros eram nessa tarde campo apertado para uma tal multidão de gente. Valia, para os descongestionar um pouco, a linha longa da estrada e da praia e, melhor ainda, o convés dos navios vizinhos, as amuradas, e até as vergas dos mastros, improvisadas para o efeito em camarotes e galerias. Não haveria teatro que se lhes pudesse parecer.
E no meio lá estava ele, o «lnácio da Cunha», ainda preso à terra pelas amarras, ainda seguro por cabos, mas parece que com dois olhos enormes na quilha a cobiçar já as águas e a lamentar a demora do seu bota-abaixo. Lembrava a águia que se quer lançar aos espaços e fitar de frente nas alturas o sol, mas que se sente atada por um laço no pé ao chão.
A Igreja, nestas bênçãos dos barcos de pesca, foi buscar ao Evangelho o que mais próprio poderia parecer para animar e dar confiança e alegria aos homens na sua faina: a tempestade de Tiberíades, quando os apóstolos, cansados de lutar com as ondas, ao fim vencidos, foram acordar o Mestre que dormia tranquilo, como um menino no regaço da sua mãe, à proa da bateirinha; e o Mestre, erguendo-se, esfregando os olhos do sono, disse-lhes com dolente sorriso, que era uma benção:
- Não estava eu aqui? Que medo é esse?
Ou então quando os apóstolos, ainda pescadores, depois de uma noite inteira de labuta infrutífera, tendo-lhes pergunntado o Mestre, ao romper da manhã, vaga silhueta na praia, em pé na areia:
- Moços, foi boa a pesca?
E eles reponderam, abanando os ombros de fadiga e desânimo:
- Nem sequer um!
- Deitai as redes daquele outro lado - apontou o Senhor.
E daí a pouco, ao recolherem o saco, era peixe de estoirar as malhas!
Coisa maravilhosa! - já dizia no seu tempo Montesquieu - A Igreja Católica, que parece não ter outra ocupação senão os destinos eternos do homem, também se interessa, mesmo até estas minúcias de ventos prósperos e pescarias, mesmo até pequenos detalhes de enxalavares e de remos, pelo aconchego material dos seus filhos. E, sem que nenhum mestre de cerimónias indicasse ao povo a liturgia do acto, ele por si mesmo, com uma espécie de instintivo respeito, ministros, soldados, marinheiros, magistrados, arrais, pescadores, operários, crianças, todos se descobriram e perfilaram quando o Pontífice, com o seu raminho de paz, de água benta, aspergiu o costado e o coração da nau e assim a fortaleceu para os dramas e para as conquistas do mar.
- Aquelas duas escoras acompanham o navio até à água - explicava assim ao meu lado uma mulher com a cara tão torrada do sol da Gafanha que já parecia da cor do seu lenço preto.
Não se poderia exprimir por uma forma tão graciosa, tão poética, tão literária, eu ia a dizer tão rítmica, tão musical, um pensamento de pura técnica. O que se aprende a escutar o povo!
O mundo então por um momento parou.
- Em nome de Deus e da Pátria, vai lá!
Ouviu-se a voz do machado que partia as cordas no seu cruzamento e logo a mole, até aí parada, tomou fôlego, deu um arranco e docemente mergulhou na ria, dando em seguida, com uma elegância estranha, meia volta para se mostrar a todos.
O cenário era o mesmo mas desta vez, graças a Deus, a nau não tombou para o lado, com a melancólica resignação da outra, com os mastros estendidos na água como em esquife.
Deus vá e volte contigo, com os seus anjos e arcanjos ao leme, com a Estrela do Mar a guiar-te, adormecida nas ondas, ó nau da Pátria!»
(CV, n.º 731, de 5-5-1945, pg. 1)

in Aveiro-suas gentes, terras e costumes, D. João Evangelista de Lima Vidal, pp. 131-133

Manuel



sábado, 24 de outubro de 2009

Todo o cristão lúcido sabe que a Bíblia não é um ditado divino e que precisa de interpretação



Caim e Saramago

"É o primeiro exemplar que vendo", diz-me a jovem da livraria, e parte da passada segunda-feira foi para a leitura do Caim de Saramago. Sinceramente, gostei. O romance escalpeliza um Deus tirânico, arbitrário, imoral, cruel, concluindo que "a história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele".
Um crente reflexivo não precisa de irar--se. Em primeiro lugar, há a liberdade de expressão. Depois, é preciso reconhecer que também há na Bíblia e noutros livros sagrados muito daquilo que Saramago denuncia: violência, crueldade, imoralidade, tirania, arbitrariedade.
Chamei aqui frequentemente a atenção para isso. Quantas vezes, num quadro sádico, se pregou inclusivamente que Deus, para aplacar a sua ira, precisou do sangue do próprio Filho. Neste sentido, os ateus que sabem o que isso quer dizer prestam real serviço a Deus na medida em que obrigam os crentes a purificar a sua imagem. No limite, ai dos crentes, se não houvesse ateus!
O que causou mal-estar e crítica legítima foram, no que alguns consideraram uma operação de marketing, as declarações de Saramago em Penafiel, que continuaram, referindo-se à Bíblia como "um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana", sendo o Corão "a mesma coisa". "Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos." "O Deus da Bíblia é rancoroso, vingativo e má pessoa."
Foram afirmações de ignorância arrogante. E não fica bem ao Prémio Nobel passar um certificado de estupidez aos crentes, que são milhões. Aliás, perante o Deus de Saramago, só haveria uma atitude digna para o crente: ser ateu.
A Bíblia na sua configuração actual, cuja formação demorou mais de mil anos, é formada por 73 livros, mas os crentes aceitam-na como um todo e só como todo é que se reclama da verdade. Como qualquer livro, para se poder apreender o seu sentido, tem de ser lida na totalidade. Saramago, com as suas declarações, fez, pois, uma leitura completamente parcial e unilateral.
Todo o cristão lúcido sabe que a Bíblia não é um ditado divino e que precisa de interpretação. O fio condutor dessa interpretação ou hermenêutica tem a ver com a salvação plena e o sentido último. O que lá se encontra de desumano é para que o crente tome consciência do que nem o homem nem Deus devem ser.
A Bíblia relata, ao longo de mais de mil anos, a relação dos encontros e desencontros dos homens com Deus e de Deus com os homens, sendo natural que se vá dando uma compreensão cada vez mais purificada de Deus. Assim, termina em Jesus Cristo, que mandou amar os próprios inimigos. E a única tentativa de "definir" Deus aparece em São João, e diz: "Deus é amor." Mas, mesmo no Antigo Testamento, também há, por exemplo, o Cântico dos Cânticos e os Profetas, arautos da revolução moral segundo a justiça.
Foi neste contexto que, interpelado pelos media, chamei à colação um dos grandes filósofos do século XX, Ernst Bloch, também ele ateu e marxista, mas conhecedor da Bíblia. Professor na Universidade de Leipzig, na então República Democrática Alemã, teve problemas com o regime comunista, vindo assim para Tubinga, precisamente porque chamava a atenção para a importância da Bíblia. Sem a Bíblia, "o livro mais significativo da literatura mundial", não podemos compreender as catedrais, a Idade Média, Dante, Rembrandt, Händel, Bach. Sim, que se entende então verdadeiramente? Sem ela, não se entende a cultura alemã, a Missa solemnis de Beethoven, nenhum Requiem, nada".
Para Bloch, há um duplo fio condutor na Bíblia: o sacerdotal, em que domina o deus opressor, dos senhores, e o profético-messiânico-apocalíptico, que anuncia o Reino de Deus, a herdar meta-religiosamente como Reino do Homem: "Esta vida no horizonte do futuro veio ao mundo pela Bíblia."

Anselmo Borges

No fim do dia, poesia, para dormir melhor



Nunca mais


Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.


Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.


Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser.
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência.
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Nota: Transcrito por Mia Couto em Jesusalém

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Acta da instalação e 1.ª sessão da Comissão Paroquial Administrativa da Freguesia da Gafanha

No mês de Outubro de 1910, tomou posse a Comissão Paroquial Administrativa da Freguesia da Gafanha. Para que se não perca por aí a acta, aqui fica uma cópia, para memória futura.

FM

CÂMARA DE ÍLHAVO: Oficinas criativas 2009


UMA BOA OPORTUNIDADE
PARA SABER MAIS


No âmbito do seu projecto Oficinas Criativas 2009, a Câmara Municipal de Ílhavo disponibiliza, a partir deste mês de Outubro, um novo leque de oportunidades para alargar ou enriquecer os teus conhecimentos. Até Dezembro decorrerão as Oficinas Criativas de Comunicação e Letras, de Agulhas e Linhas, de Artes Culinárias e de Artes Plásticas. Informa-te acerca destes módulos e inscreve-te já nos teus preferidos! As inscrições são limitadas, por isso não percas tempo!...
As Oficinas Criativas da Câmara Municipal de Ílhavo são espaços de aprendizagem e de troca de experiências que abrangem variados temas, entre os quais a fotografia, a música, a dança, o teatro, a língua gestual, a banda desenhada, as artes plásticas, tendo como principal objectivo o fomento nos participantes do gosto pelo saber.
São constituídas por diversos módulos independentes, abordando cada um deles uma temática específica, funcionando preferencialmente nos Fóruns Municipais da Juventude.

Ver mais aqui

Luz nova que enche de alegria, beleza e verdade a vida inteira



SENHOR, QUE EU VEJA

Este desejo é expresso em público, com voz firme e confiante, por Bartimeu. Dirige-se a Jesus que ia a sair de Jericó a caminho de outras terras. É feito por um cego que estava na valeta, à margem, a pedir esmola.
As suas limitações não o bloqueiam, nem os preconceitos sociais nem a repreensão de alguns acompanhantes de Jesus. O seu gesto manifesta uma “cegueira” lúcida que vê mais longe e uma coragem ousada que rasga horizontes. A sua atitude fica registada como um símbolo para toda a humanidade em todos os tempos.
“Que eu veja, Senhor” – continuam a clamar os que amam, estudam e trabalham pelo progresso que humaniza a vida; os que se dedicam à investigação científica que desvenda os segredos da natureza; os que, incansavelmente e com desvelo, exercem a biomedicina e cuidam da pessoa doente e das circunstâncias em que está envolvida.
“Senhor, que eu veja” - exclamam os que sonham uma ordem política e económica, alicerçada na ética da responsabilidade comum e no destino universal dos bens e querem contribuir positivamente para despertar a consciência social dos cidadãos; os que acreditam na força das organizações e na eficácia das iniciativas que, à maneira de fermento, vão provocando um modo de ser e agir mais humanizados.
“Que eu veja, Senhor” – desejam os que estão constituídos em responsáveis pelo bem público integral e pretendem encontrar vias acessíveis e eficazes para o promover; os que têm a missão de, à maneira de Jesus, procurar as melhores formas de dar a conhecer os valores do Evangelho, de colaborar para que todas as pessoas tomem consciência da sua dignidade e possam caminhar na vida “de cabeça erguida e rosto descoberto”.
Bartimeu, o filho do homem apreciado pela honradez, tal é o significado do seu nome, faz o pedido da visão num contexto de diálogo profundo, depois de aceitar o chamamento e a ajuda que outros lhe ofereciam, de atirar fora a capa do resguardo, de se erguer com vigor e de, confiante, ir ter com Jesus. Gestos humanos indispensáveis para começar a ver com luz nova – a da fé - que enche de alegria, beleza e verdade a vida inteira.

Georgino Rocha

Para começar o meu dia: Outono invernoso



O dia começou mais ou menos; depois virou triste e feio. É um Outono invernoso, daqueles que convidam a estar por casa. Não para olhar para as pareces, mais ou menos decoradas, mas para uma leitura ou releitura tranquilas. Logo conto.
Para já, apetece-me dizer que, se quisermos, de todo o tempo podemos sacar razões para nos sentirmos bem. Assim seja.  

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O FIO DO TEMPO: O erro de Saramago



Há erros e erros

1. Todos têm erros, todos temos erros. Claro que há erros e erros. O próprio cientista António Damásio ao falar de «O Erro de Descartes» está a falar não de erros de ortografia mas de abordagens erróneas, descontextualizadas, desfocagens de princípio nas premissas dos pontos de partida que podem conduzir a determinadas conclusões menos verdadeiras. Também, ainda, serão de considerar os erros involuntários e aqueles que são intencionais. Ainda bem que nas sociedades ocidentais é possível conviver publicamente com as diferenças de opinião (e o direito ao erro!). Mas à liberdade de opinião haverá de presidir a delicadeza da prudência e da ética de quem sabe que não basta dizer-se que se é frontal atirando para a frente esta ou aquela ideia, esta ou aquela inverdade provinda de desconhecimento da densidade do que está em causa…

2. A polémica está instalada, mas como hábito daqui a umas semanas tudo volta ao normal. Se ao menos a polémica servisse para uma procurada clarificação, um debate (ao jeito daquele de há breves anos entre D. José Policarpo e Eduardo Prado Coelho) que o vento não leve, um aprofundar da procura da verdade em assuntos tão sérios. Na matéria em causa (religião) e na sociedade mundial actual, para vender mais ainda será facílimo, bastará trazer de modo simplista religiões como o Islamismo. Vale a pena responder alargando o nível da reflexão com pensadores como Eduardo Lourenço, um (quem sabe, merecedor!) futuro prémio Nobel da Literatura. Na sua seriedade sublinha o cuidado a ter em juízos precipitados nestas questões pois que as religiões são a resposta mais profunda da busca de sentido para a vida. O entrar no mundo do simbólico como reflexo do existencial profundo não é, efectivamente, tarefa prática…

3. Como na história da humanidade, no caminho da perfeição, infelizmente as guerras pertencem à viagem humana, estando presentes em alguns textos do AT… Abrindo os olhos da maturidade humana, Deus veio anunciar, dar-se pela paz (Shalom)!


Parece que o Outono se despediu mesmo


Dos destroços, brota novamente a vida


Primavera tardia


Estava condenada à morte, já ouvira a sentença, na observação minuciosa da sua dona. O instrumento de tortura e execução, jazia ali mesmo ao pé dela, mudo, à espera do movimento que lhe desse vida. Um serrote velho, ferrugento, iria por termo àquela árvore que morrera de pé, ali no pomar.
O calor excessivo do Verão que terminara, mais o seu prolongamento pelo Outono fora, até aos princípios de Outubro, tiveram muita culpa naquele desfecho. A juntar a isso, alguma incúria na assistência húmida que lhe era devida, haviam persuadido a dona, que aquela árvore tinha estiolado.
Puro engano! Após as primeiras e fortes chuvadas da estação, aquilo que parecia um esqueleto de ramos secos e enegrecidos pelo tempo, parece ter ressuscitado.
Quando ia para lhe desferir o derradeiro golpe e olha para a árvore como que em despedida, é acometida da maior surpresa do mundo. Havia rebentos verdes, minúsculos, nos ramos ressequidos e negros daquela árvore. Teve um baque, na sua atitude demolidora e, imediatamente, depôs armas. Aquela árvore ressuscitara, estava a mostrar como, lá no seu interior, ainda corria a seiva vital. Precisou da fonte de vida, da água que lhe havia sido negada na época estival, para renascer! Foi-lhe dada uma segunda oportunidade e agora é vê-la com flor e os frutinhos em embrião. Que maravilhosa forma de mostrar aos humanos que a vida vegetal ou outra, pode estar enclausurada, mas não aniquilada.
Assim, num paralelismo com a vida humana, também, por vezes nos surpreendemos com a recuperação que se dá, após os reveses e os infortúnios com que a vida nos põe à prova; nos reerguemos com determinação e pujança das duras batalhas da nossa peregrinação pela terra. Dos destroços, brota novamente a vida com mais força e intrepidez!
Fiquei fascinada com esta prova de confiança e resistência, deste ser vegetal que agora irá enfrentar as agruras da nova estação. Pelo que nos é dado observar, parece que o Outono se despediu mesmo, da sua afastada prima Vera e do seu parente próximo – o Verão.

M.ª Donzília Almeida

destaque

NATUREZA NA MINHA TEBAIDA

Gosto da natureza… Quem não gosta?! Gosto tanto, que nem prescindo dela. E se possível, ou quando possível, instalo-a ao pé de mim, para...