quinta-feira, 30 de junho de 2016

A Festa da Vista Alegre em Honra de Nossa Senhora da Penha de França 
tem início já na próxima sexta-feira, dia 1 de julho até ao dia 4 (segunda-feira), 
numa organização conjunta entre a Vista Alegre e a Câmara Municipal de Ílhavo.


"A recente e intensa qualificação dos equipamentos: Museu, Capela de Nossa Senhora da Penha de França, Teatro, novo hotel e lojas da marca e, ainda, a recente classificação desta festa no Inventário do Património Cultural Imaterial nacional (2015), bem como a temática de 2016 centrada na ilustração e que reunirá alguns dos nomes mais emblemáticos quer nacionais quer mundiais são, desde logo, excelentes motivos para não perder esta celebração, que é uma festa religiosa um pouco diferente do habitual."

Fonte: CMI

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Na Rota dos Bacalhaus

O Senos da Fonseca não deixa de nos surpreender com as suas constantes investigações, sobre tudo quanto diz respeito aos ílhavos, Por isso, e por outras facetas da sua personalidade,  muito o admiro, procurando estar a par do que escreve e diz. Desta feita, das suas andanças pelos arquivos, de que eu conheço apenas uma gota das águas em que ele navega, vem com uma achega curiosa que eu partilho com gosto.

«Na procura documental, de vez em quando,surgem-me casos que me vêm esclarecer duvidas antigas. Ou ao contrário, criar novos motivos de procura.
Registo este ,como um daqueles, que, se tiver tempo, hei-de esclarecer.
Um documento encontrado, fez-me melhor perceber o que no livro «Rotas dos Bacalhaus» então escrevi, já lá vão quase vinte anos. O documento, encontrado na BN , na altura mais ou menos inédito, contava um pouco da história da Companhia de Pescarias Lisbonenses. Relatei ,então, seguindo um pouco desta história, os factos que marcaram o início do regresso à pesca do bacalhau.»

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“O meu Bacalhau é melhor que o teu”


“O meu Bacalhau é melhor que o teu” é tema de um concurso que vem com motivação do próximo Festival do Bacalhau, que se vai realizar em agosto no Jardim Oudinot, porventura a mais bela sala de visitas do nosso município, mas também a mais ampla e expressiva zona de lazer da Ria de Aveiro.
O concurso, promovido pela autarquia ilhavense, conta com a parceria da EFTA – Escola de Formação Profissional de Turismo de Aveiro, e tem por objetivos, entre outros, «promover o consumo do bacalhau e dos seus derivados, de cura tradicional portuguesa, junto da população em geral», mas também «a cultura em torno do bacalhau, na vertente do conhecimento tanto das técnicas de culinária tradicionais como da inovação na sua confeção». Ainda pretende «fomentar a troca de experiências e conhecimentos entre os participantes e divulgar e posicionar o Município de Ílhavo enquanto a Capital Portuguesa do Bacalhau».
As candidaturas terão de ser apresentadas de 29 de junho a 15 de julho, sendo este o período em que «os candidatos deverão submeter a suas receitas através do envio do formulário de inscrição, acompanhado de um vídeo de mostra da elaboração da receita».

Normas de Participação e Formulário de Inscrição, bem como demais informações, disponíveis em www.cm-ilhavo.pt

terça-feira, 28 de junho de 2016

Gastronomia: Sr. Bacalhau ao Aguilho


Ingredientes

4 fatias de pão (200g)
300g bacalhau desfiado e demolhado
2 colheres de sopa de azeite
4 dentes de alho laminados
Piri-piri
Pimenta e sal q.b.
50ml de leite

Preparação 

Comece por alourar os dentes de alho
laminados colocando-os em azeite.
Adicione o bacalhau e mexa por 2 a 3
minutos.
Tempere com o piri-piri, o sal e a pimenta.
Junte o leite e deixe ferver para
apurar um pouco.
Retire do lume e
sirva quente com o pão.

Desfrute.

Receita gentilmente cedida pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo, Associação participante no Concurso Gastronómico do Bacalhau 2015.

Fonte: Agenda “Viver em…” da CMI

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A Festa dos Grandes Veleiros

Porto de Aveiro | 5 a 8 de agosto


É preciso preparar a Festa dos Grandes Veleiros que vai ter lugar entre nós de 5 a 8 de agosto. Agosto é, por tradição, o mês das festas, um pouco por todo o país. O tempo ajuda e o povo aproveita, porque sem elas a vida é muito mais triste, mais monótona. Nessa linha, o Município de Ílhavo  tudo fez para que o nosso concelho seja palco de um acontecimento de beleza ímpar, mas também um pouco raro. Se fosse uma festa normal não teria tanto impacto Estamos convencidos de que a multidão não perderá a oportunidade de presenciar ao vivo grandes veleiros, muitos deles decerto carregados de história. 
Temos então de nos preparar para a grande festa. Ponha isto na sua agenda: 5 a 8 de agosto no Porto de Aveiro. Sigam as indicações do GPS — Gafanha da Nazaré. 

domingo, 26 de junho de 2016

Diálogo inter-religioso e conversão das religiões

Crónica de Frei Bento Domingues 

1. Nunca vivi em países que invocassem explicitamente a religião para fazer a guerra. No próprio coração da civilização moderna, os totalitarismos do século XX – soviético, fascista, nazi, maoista – com mais de cem milhões de vítimas inocentes, não eram movidos por qualquer religião. A guerra foi muitas vezes encarada como o motor da história. Com o desenvolvimento sempre crescente das ciências e das técnicas poderá tornar-se a sua destruição.
Foi em épocas de muita violência que trabalhei em alguns países de África ou da América Latina. Nenhum deus era invocado para abençoar a crueldade. Em alguns casos, o ateísmo era a regra. Essas guerras não precisavam da bênção de nenhuma divindade. Ainda hoje, o comércio de armas, o tráfico de pessoas e de órgãos, o trabalho escravo, a prostituição, o narcotráfico, a criminalidade organizada nem sempre pertencem a organizações religiosas! A idolatria do dinheiro tem pessoas e serviços bem organizados, a nível local e à escala global, que dispensam o recurso a qualquer outra divindade.
No plano religioso, a pergunta mais importante talvez seja esta: ainda haverá religiões que se alimentam de sacrifícios humanos? Se isto for verdade, o dever da memória não pode substituir a coragem de olhar para o presente.

sábado, 25 de junho de 2016

Ilha de S. Miguel — Início do povoamento



A história está bem clara na placa que indica o início do povoamento na Ilha de S. Miguel. Os meus votos de boa viagem para quem lá for ou por lá passar.

As dez heresias do catolicismo actual (1)

Crónica de Anselmo Borges 


Heresia vem do grego háiresis, com o significado de parcialidade. Ora, pode acontecer que uma parcialidade se absolutize de tal modo que já não deixa espaço para elementos imprescindíveis da identidade cristã. É neste sentido que o jesuíta J.I. González Faus, um dos teólogos vivos mais sólidos e cristãos, escreveu um livro intenso com o título em epígrafe, para desmontar as dez heresias que inconscientemente foram tomando conta da teologia e da vida, arruinando a identidade cristã. Será o nosso guia também nas duas próximas semanas.

1. Primeira heresia: "Negação da verdadeira humanidade de Jesus." Como reconhecer em Jesus "uma psicologia humana como a nossa: sujeita ao erro e à ignorância ou à fraqueza, à angústia, ao medo ou à sensação de fracasso"? O problema está em que já se tem uma ideia prévia de Deus e estas características parecem incompatíveis com a dignidade divina. Mas qual é a consequência? Ao exigir que, em Jesus, Deus corresponda à imagem que temos dele, acabamos por impedir que Jesus revele efectivamente Deus. São Paulo, esse, percebeu, ao escrever que o Deus que anunciamos é "loucura para os sábios e escândalo para as pessoas religiosas". Afinal, a noção de dignidade divina deve ser concebida em consonância com a ideia humana ou a partir do exemplo de Jesus? "Eu, Senhor e Mestre, dei-vos o exemplo, lavando-vos os pés.".Jesus, de condição divina, escreve São Paulo, "apresentou-se como um entre outros", "sendo rico, fez-se pobre por nós, a fim de enriquecer-nos com a sua pobreza", mostrando que a verdade de Deus é o seu amor na autenticidade e fidelidade.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

União Europeia em crise


Não posso dizer que fiquei perplexo com a saída do Reino Unido da EU. E não fiquei perplexo porque vou ouvindo o povo que sofre com uma Europa Comunitária insensível ao espírito solidário que está na sua matriz. Temos uma Europa de interesses economicistas dominados por grandes grupos que põem o lucro cego na base da sua atuação, em desfavor do povo que, pesar dos avanços tecnológicos, não tem o mínimo para viver com dignidade. 
Olhando para o nosso país, com uns 11 milhões de habitantes, vemos que mais de dois milhões de portugueses  passam fome ou vivem no limiar da pobreza, quando uma minoria açambarca o grosso da riqueza nacional. 
Esta decisão do Reino Unido não vai passar apenas como saída airosa da EU, mas vai refletir-se no todo europeu. As ideias antieuropeístas vão proliferar como cogumelos e as políticas da comunidade têm de responder objetivamente a este descontentamento generalizado, repondo princípios de mais justiça social, da solidariedade entre países, de rutura com a escravatura de trabalhadores que sobrevivem com salários de miséria. 
Nada vai ficar como dantes. Este aviso, forte e porventura dramático para países e pessoas mais frágeis, tem mesmo de acordar os políticos europeus, ainda não eleitos pelo povo. 
Pelo que tenho ouvido, não há certezas de nada… Porém, vou intuindo que algo de novo estará para acontecer de mais grave nos próximos tempos. Oxalá me engane.

BREXIT



«A diferença foi curta: 51,9% contra 48,1%. Foi curta, mas suficiente. Suficiente para fazer o Reino Unido sair da União Europeia. Suficiente para provocar a demissão do primeiro-ministro, David Cameron. Suficiente para abalar a liderança de Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista. Suficiente para levar a Escócia a referendar novamente a sua independência do Reino Unido. Suficiente para provocar a maior queda de sempre das Bolsas europeias. E suficiente para o Governo português aconselhar os imigrantes a pedirem dupla nacionalidade.»

Li aqui 

Revista "ILUSTRAÇÃO"


Da revista ILUSTRAÇÃO.

QUANTO A TI, VEM E SEGUE-ME

Reflexão de Georgino Rocha


Jesus é um homem livre. Toma decisões conscientes, ainda que arriscadas. Assume as consequências das opções feitas. Tem a noção clara do tempo. Está aberto à surpresa, embora procure gerir as circunstâncias. Avança para a cidade de Jerusalém, para o Templo, o coração da vida religiosa, social, política e económica. O centro do poder que geria a ordem estabelecida que tantos privilégios concedia a uns poucos e mantinha a maioria empobrecida, submissa e resignada.
Aproveita a viagem para apresentar ao povo a novidade do projecto de Deus de que era portador e preparar os discípulos para a missão que lhes iria confiar. Pessoas entusiasmadas saem ao seu encontro no caminho, procuram falar-lhe, mostrar-lhe as suas disposições e solicitar favores. Outras nem sequer deixam que se aproxime das suas aldeias, em ostensiva rejeição.
Lucas, o evangelista narrador desta viagem, agrupa cenas, ditos e discursos, compondo um admirável itinerário catequético e realçando que “seguir Jesus é o coração da vida; que não há nada mais importante e decisivo”. A leitura de hoje (Lc 9, 51-62), faz-nos visualizar os traços fundamentais da iniciação cristã polarizados na liberdade: liberdade para decidir – “ se queres”; liberdade para manter a opção feita: - “segue-me e vai anunciar”; liberdade para ser coerente: “ “deixa” as ataduras e vive da esperança; deixa o passado, mesmo valioso e querido, e “agarra o presente” com determinação confiante. Tudo a condizer com o exemplo admirável de Jesus.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Sobre a leitura

Alçada Baptista era um bom contador de estórias. 
Incisivas e com graça. Como esta:
Alçada Batista
Raul Solnado 
«O meu querido Raul Solnado quis ser simpático com o filho de um amigo, um rapaz de 23 anos. Achou que se devia interessar pelas suas preocupações. Disse-lhe:
— Então, rapaz, tens lido alguma coisa? Gostas de ler?
Ele pensou só um bocadinho e respondeu:
— Evito.»

São Miguel: Farol da Ferraria



Mais pequeno do que o nosso. Também não seria nem será preciso um farol mais alto. Está, naturalmente, num ponto de grande altitude, muito acima do nível do mar. Mais novo uns anos. Nasceu em 1901 e o nosso, o Farol de Aveiro, foi inaugurado em 1893.

O que os meus olhos viram


O que os meus olhos viram numa passagem fugaz por uma praça de Ponta Delgada. Por não querer perder esta beleza, trouxe-a comigo para a recordar hoje e sempre. Assim seja.

Tanta informação, pouca formação

«“Tanta” informação, “pouca” formação – O «Euro» não é matéria de consenso. Nunca o foi. Terá que o ser se não for por unanimidade será exclusividade. Se a «Grã-Bretanha» sair, a Europa perde uma Amiga. Uma nação com Democracia robusta, uma sólida Economia e um Exército forte. Sou pela não-saída dos ingleses, melhor dos britânicos. Não sou eurocéptico porque a Europa, «Comunidade de Bens e Serviços», nunca deveria ser posta em Causa. Os problemas são as contas de quem gasta e não paga. Nenhum dos problemas que a Europa tem pela frente ficará resolvido. Podemos, a partir do dia 23 Junho de 2016 (3 dias depois haverá legislativas em Espanha…), estar a assistir à criação de um «mega-problema» para o qual não haverá retrocesso. Sem drama e com muita trama à mistura.»

Pode ler mais aqui

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Museu Marítimo de Ílhavo — Algumas imagens

Os bacalhaus num ambiente tranquilo
Os bacalhaus num ambiente com arte
Sala de jantar para os oficiais, com as devias proteções 
O tradicional bote
A cozinha
Concha enorme
O escritor Bernardo Santareno, em exposição

Ontem tive mais uma vez o privilégio de visitar o Museu Marítimo de Ílhavo (MMI), com o seu aquário dos bacalhaus. Mais uma vez também saí com a convicção de que é obrigação nossa divulgar este museu ímpar alusivo às nossas tradições marítimas. O MMI é realmente digno de visitas regulares, sobretudo porque há frequentemente exposições para apreciar. E se não formos nós a falar do que nos orgulha, quem o fará?

Festa de S. João na Praia da Barra





Por iniciativa da paróquia da Sagrada Família, na Barra, a festa de S. João vai animar aquela zona balnear. Os festejos começam amanhã, quinta-feira, com o “Banho Santo”, às 19h30, seguindo-se a sardinhada, às 20h. Depois vem o arraial noturno com o grupo Daikiri. 
Na sexta-feira, será celebrada a Eucaristia na capela de S. João, às 11h, estando programado o arraial noturno. A sardinhada volta porque é essencial. No domingo a Eucaristia é às 10h30, seguindo-se a procissão.

Recordando 

Recuando no tempo, é justo evocar a romaria do S. João, na Praia da Barra, famosa na minha meninice e juventude. Até se dizia que ele fazia desaparecer os cravos que cresciam nos dedos da malta. E o povo até lhe oferecia tantos cravos (flores) quantas verrugas tinha nos dedos. Bem recordo que essas promessas eram levadas a cabo com devoção por pessoas dos mais diversos lugares da região, que se deslocavam, bastantes, a pé, em jeito de peregrinação. Como é natural, as verrugas (cravos) tão depressa vinham como se iam.

NOTA: Fotos de João Caravana 

terça-feira, 21 de junho de 2016

Camilo Castelo Branco atual


Era sobejamente conhecido o esquecimento a que Camilo Castelo Branco tinha sido votado. Eu próprio, pouco dado a estudos de mercado, percebia isso mesmo quando, nas livrarias, via reedições dos nossos clássicos. Felizmente, o grande Camilo começou a ser reeditado, o que agradará sobremaneira aos seus leitores. Folgo com isso.  Para já, a revista LER anuncia a publicação de A Sereia. Tenciono lê-lo, se Deus quiser. 
Hoje, porém, mostro aqui, nesta página, um pequeno texto de Camilo, copiado da mesma revista, que mostra a atualidade ou a visão do grande Camilo. 

Fernão de Oliveira — Humanista Notável

Mais um livro de João Gaspar


Penso que não erro se disser que Mons. João Gonçalves Gaspar é o mais prolífero escritor aveirense do nosso século. Se não é, para lá caminha. Digo isto com algum conhecimento de causa, porque é raro o ano que não exiba nos escaparates das livrarias obra de mérito e oportuna, como é o caso desta edição sobre o primeiro gramático da Linguagem Portuguesa. Se puder, lá estarei na apresentação do livro.

Gafanha da Encarnação: Ainda a "Bruxa"

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Volto à "Bruxa" ou, melhor, ao "Lugar da Bruxa" da Gafanha da Encarnação, que alguma conversa provocou entre os leitores do meu blogue. E volto, não para a consultar sobre o futuro de alguém, muito menos do meu, porque não vou, como nunca fui, consultar "bruxas", adivinhos, cartomantes, astrólogos ou tarólogos... 
Este recorte do Diário de Aveiro, gentilmente cedido pela Orquídea Ribau, é mais uma achega, neste caso preciosa, para quem se envolveu na referida conversa sadia, a propósito de um escrito da Donzília Almeida, também publicado neste meu espaço.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

E de Aveiro se fala aqui...


E de Aveiro se fala aqui, onde se pedem informações. E também se revela o que os nossos olhos não topam. Hoje mesmo passei por lá a correr. E indiferente fiquei. Mas prometo voltar sem pressas.

Chegou o verão

Recanto para uma merenda com mar à vista
Chegou o verão. Ainda bem que chegou porque estava a fazer falta. De estações que não honram o seu carisma estamos nós fartos. Agora, com o verão, até vamos ter oportunidades de vestir roupas mais ligeiras. E os mais idosos, como é o meu caso, rejubilam com o prazer de gozar um tempo saboroso. Um tempo que permita uns passeios, uma busca de ares que reconfortem o corpo e a alma, um sentido de amplitude que a liberdade de sair de casa suscita em toda a gente. 
Na minha idade, e não só, o verão é calor, luminosidade envolvente, alegria, paixão de viver e de conviver. E se o sentirmos e absorvermos com intensidade, até poderemos entrar no outono do tempo e da vida com mais confiança.
Bom verão para todos!

domingo, 19 de junho de 2016

O linguajar micaelense

Portas da cidade com estátua de Gonçalo Velho Cabral, povoador dos Açores
É conhecido o linguajar caraterístico do povo de S. Miguel, sobretudo, julgo eu, o não erudito. Aquela ilha, em especial, tem realmente um sotaque próprio, que exige dos demais portugueses alguma atenção para perceberem o que os micaelenses dizem.
Sabe-se que as ilhas foram povoadas por  pessoas de Portugal Continental, Bélgica, Holanda, França e Espanha, sendo possível, ainda hoje, encontrar marcas físicas, culturais e linguísticas destes povos na população local, como li num escrito. Alguém me disse que as maiores influências vieram dos franceses.
Mesmo sem me debruçar sobre o tema, podemos inferir daí que os imigrantes terão contribuído para isso. Os estudiosos da língua que se pronunciem sobre isso. Seria uma achega interessante.

Ponta Delgada - Monumento ao Emigrante


«A emigração caracterizou historicamente a vida portuguesa e, desenhou de forma incontornável a personalidade das ilhas.
A origem da emigração açoriana estará, porventura, nos primórdios do povoamento, de acordo com o que apontam os investigadores. O seu carácter sistemático remonta, porém, ao século XVII.
Foram cinco os grandes destinos da emigração açoriana: Brasil, Estados Unidos, Bermudas, Hawai e Canadá.
A primeira emigração com características sistemáticas foi com destino ao Brasil, nomeadamente para o Sul do Brasil, em 1847, com a saída de cerca de seis mil pessoas. A emigração para este país foi variável, após este período, verificou-se um grande fluxo migratório em finais do século XIX, início e metade de do século XX para os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.»

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Nota: Justa é a homenagem que em Ponta Delgada foi prestada ao emigrante. Todos sabemos o peso da emigração que tanto contribuiu para a presença de Portugal no mundo e até para o desenvolvimento do arquipélago dos Açores. E a dos açorianos é sobremaneira importante. Terá sido este o primeiro registo fotográfico feito por mim à chegada.

AVEIRO: Ares de Festa


Ares de festa em Aveiro, na histórica Rua Direita. Pouquíssima gente a passear. Apenas umas excursões que chegaram com pessoal para os já tradicionais passeios rápidos em barcos moliceiros. Rápidos, penso eu, porque se espera mais gente. Ainda bem. Toda a cidade ganha com o turismo. Tanto o comércio local como os aveirenses que se vão adaptando aos visitantes  de vários recantos do país. E, claro, na festa não pode faltar um símbolo da região, o nosso peixe. Agora agrada à vista, depois ao paladar. Bom apetite para todos.

Apóstola dos apóstolos

Crónica de Bento Domingues 
no PÚBLICO


1. Uma senhora inglesa confessava a uma amiga teóloga: Quando vou à Igreja sinto que tenho de deixar lá fora o meu cérebro. Não é caso único.
Em vários documentos do Vaticano II, nomeadamente na Constituição sobre a Igreja [1], a participação na Eucaristia é fonte e cume de toda a vida cristã. No documento da V Conferência do episcopado latino-americano [2], afirma-se que “todas as comunidades e grupos eclesiais darão fruto na medida em que a eucaristia for o centro da sua vida e a Palavra de Deus for o farol de seu caminho e da sua actuação na única Igreja de Cristo [3]”.
Por falta de presbíteros, só no Brasil, 70% dos católicos estão privados da Eucaristia. Mas se na América Latina, a situação é difícil, que dizer de África? Na Europa, a situação é caricata. Os padres são cada vez menos e correm de um lado para o outro, não só aos Domingos, mas também nos dias de semana, dados os constantes pedidos de Missas. Decidiu-se, no pontificado de João Paulo II, que as mulheres, por não serem homens, não podem ser chamadas ao presbiterado. Por outro lado, confessa-se que não existe nenhuma objecção à ordenação de homens casados, mas o resultado é igual ao das mulheres: a seara é grande, mas os feitores recusam ao Senhor da messe a hipótese de chamar e diversificar mais operários.
Por razões de teologia incompetente, de miopia pastoral, de confiança cega em grupos e movimentos pseudo-salvadores, a situação eclesial agrava-se de dia para dia.

sábado, 18 de junho de 2016

A Igreja e os direitos humanos

Crónica de Anselmo Borges 


1 Em jornais espanhóis do século XIX, apareciam anúncios assim: "Vende-se uma pretita de 9 anos, natural de Havana, sã e sem manchas, que passou os testes da varicela e do sarampo, ágil, com boa presença e disposta a aprender toda a espécie de trabalhos"; "vende-se com equidade uma negra de 30 anos, robusta, fiel e trabalhadora, sabe fazer todas as lides de uma casa". Leio esta informação em L. González-Carvajal, que vou seguir, no seu Curso de Moral Social. Como foi possível a gente vender gente?

2 Foi lentamente que se tomou consciência da dignidade sagrada de todos os seres humanos. A Igreja institucional não foi de modo nenhum exemplar, mas é preciso reconhecer que essa consciência se dá com base também, e fundamental, no Evangelho, ao declarar que todos são filhos de Deus. E há o Génesis, dizendo que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus.

Ser discípulo de Jesus, opção livre envolvente

Reflexão de Georgino Rocha


Jesus quer fazer a avaliação das iniciativas da sua missão na Galileia. Afere critérios de actuação com Deus Pai em diálogo de oração na presença dos discípulos. Sozinhos. Depois, prossegue com a conversa à base de perguntas e respostas. Conversa que tem como tema principal auscultar o “eco” da sua mensagem nas pessoas, saber o que diziam, verificar a compreensão dos seus acompanhantes. O tempo ia passando. As acções sucediam-se. Os comentários surgiam. A fama chegava às altas instâncias políticas e religiosas. Até Herodes Antipas, o rei governador da região, mostrava curiosidade pelo que estava a acontecer. Lucas situa este episódio depois da multiplicação dos pães, que fez reviver grandes expectativas, e antes de se iniciar a viagem para Jerusalém, viagem impregnada de catequeses sobre a novidade do projecto de Deus para a felicidade humana.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

"Artesãos da festa, da maravilha e do belo"

«Semear a beleza e a alegria também é misericórdia», 
disse o Papa no encontro que reuniu também 
profissionais das feiras e espetáculos itinerantes


O Papa destacou [ontem] no Vaticano a missão dos profissionais do mundo do circo, das feiras e espetáculos itinerantes, em “enriquecer a sociedade” através da sua alegria, do seu empenho e audácia.
Numa audiência com cerca de 6 mil profissionais do setor, integrada no Jubileu da Misericórdia, Francisco classificou os presentes como “artesãos da festa, da maravilha e do belo”.
Lembrou ainda que os artistas “têm um recurso especial, de com a sua contínua itinerância levarem a todos o amor de Deus, o seu abraço e a sua misericórdia, de serem comunidade cristã itinerante, testemunhas de Cristo que está sempre a caminho ao encontro de quem está mais longe”.
A iniciativa está a decorrer esta manhã na Sala Paulo VI, no contexto do Ano Santo da Misericórdia que a Igreja Católica tem vindo a promover.

TERRA, a nossa casa

Aveiro, 
Galeria Morgados da Pedricosa,
até 2 de julho


Para apreciar, para aprender a gostar, para descobrir segredos da fotografia... 

Um passeio a Arganil


Uma boa recordação
Arganil
Se eu pudesse, andava por aí a ver coisas interessantes. De preferência pelo interior do país. Sabe-se lá porquê. Talvez por estar habituado a ver o mar e a ria no dia a dia. 
Ao arrumar umas fotografias no meu PC, de um montão delas postas a granel em várias caixas, encontrei boas recordações dessas fugazes viagens pelo interior. Digo fugazes porque raramente saio deste recanto gafanhão. Coisas da vida de quem até gosta de algum isolamento. Parece um paradoxo, mas não é, porque as pessoas como eu também precisam de espairecer, mesmo que raramente. 
Há anos, nem sei há quantos, saímos (eu e a Lita) da Figueira da Foz para uma visita à aldeia de Piódão. Parámos em Arganil e gostámos do que vimos. Andei pela rua estreita que ilustra este curto texto, onde se vendia de tudo. Parecia um supermercado, com a vantagem de se cultivar o sentido de proximidade. Depois passámos pela homenagem ao conhecido político e homem bom Fernando Vale e entrámos no espaço museológico que alberga o consultório do médico Adolfo Rocha (Miguel Torga na literatura). Fomos ainda ao museu etnográfico e seguimos viagem. Hoje, à conta da fotografia que encontrei, voltei a Arganil. Já valeu a pena a reorganização do meu computador. 
Bom fim de semana com ou sem histórias como esta.

Folclore na Gafanha da Nazaré

XXXIII Festival Nacional de Folclore 
da Gafanha da Nazaré

Cozinha da Casa Gafanhoa (foto de arquivo)

 Vai realizar-se, no próximo dia 2 de julho, o XXXIII Festival Nacional de Folclore da Gafanha da Nazaré, no Jardim 31 de Agosto, às 21h30, por iniciativa do Grupo Etnográfico da nossa terra, esperando-se a adesão de todos os amantes das tradições etnográficas.
Para além do grupo anfitrião, participam o Grupo Folclórico de Parada de Gonta — Tondela, Viseu; a Associação Folclórica Cantarinhas da Triana — Rio Tinto; o Rancho Folclórico e Etnográfico "Os Camponeses de Vale das Mós" — Abrantes; e o Grupo Regional Folclórico e Agrícola de Pevidém — Guimarães. Do programa consta a receção aos grupos convidados, uma visita à Casa Gafanhoa com cerimónia de abertura e entrega de lembranças, jantar na Escola Preparatória da Gafanha da Nazaré para convidados e autoridades, desfile às 21h, seguindo-se o festival.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Urgentemente


É urgente o amor
É urgente um barco no mar

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade,
em "Até Amanhã"

A Memória nos tempos que correm

    

«A Memória nos tempos que correm deixou de ser um exercício de lentidão. Perdemos algo de relacional, pois só (quase) a «lentidão», permite a análise, o aprofundamento, e até, a contemplação. Tudo feito a correr contra o Tempo e não sendo ele – o Tempo – o nosso aliado natural. Tempo para rezar e escutar. Tempo para comer e degustar. Tempo para servir e inventar. Tempo para estar e acompanhar. Tempo que nos faz, verdadeiramente, falta.»

Jardim Oudinot — A grande janela para a ria



Li no Diário de Aveiro que o concelho de origem dos nossos avós quer voltar-se mais para a ria. “Voltar Vagos para a ria”, assim se chama o programa que vai definir objetivos específicos, lembra que o concelho conheceu um “crescimento urbano desorganizado” e “de costas para a ria”, pelo que a aposta faz todo o sentido.
Olhando para a Gafanha da Nazaré, reconheço que as obras portuárias e seus acessos nos coartaram a visão ampla que tínhamos da laguna com a qual sempre nos identificámos. Eu sei que o Porto de Aveiro, com as suas diversas vertentes, é fundamental para o desenvolvimento da nossa terra e região e até do país, mas julgo que o nosso povo e quem nos visita necessitam de ser sensibilizados para usufruir da ria o que ela pode ofertar. Temos o Jardim Oudinot com infraestruturas bem pensadas, mas as gentes gafanhoas, penso eu, ainda não se convenceram de que ali podem respirar a maresia e apreciar, dentro do possível, paisagens que nos enchem de orgulho. Há diversas iniciativas, é verdade, mas para além delas falta o hábito de ir e estar, olhar e contemplar. A ria é uma das nossas grandes riquezas. E o Jardim Oudinot é, afinal, a grande janela que temos à nossa disposição todo o ano.
Passo por lá imensas vezes e pouca gente encontro. Será que o tempo não tem ajudado?

quarta-feira, 15 de junho de 2016

AÇORES: Uma igreja em cada povoado

Igreja do Senhor Santo Cristo

Nos Açores, cada povoado tem a sua igreja. Às vezes mais do que uma. Sinais visíveis da religiosidade daquele povo. As festas do Espírito Santo estão na alma daquelas gentes portuguesas com mar à volta de tudo e todos. Não pude nem posso fazer aqui o historial de cada templo, muito menos falar dos estilos que dão corpo às igrejas. Entrei no interior de algumas e numa, na de S. José, até participei na Eucaristia, em dia de Profissão de Fé. Igreja belíssima, tanto no exterior como no interior. Festa singela com poucos pré-adolescentes, como referiu o pároco, que fez uma homilia bem estruturada e adequada ao ato. Na mesma praça, o templo do Senhor Santo Cristo, de portas fechadas, com pena minha.
Algumas igrejas seculares. Uma com a placa que assinalava meio milénio. Dentro do possível, tentarei pôr legendas.

ÍLHAVO: Marchas Sanjoaninas

Dias 18, 24 e 25 de junho
Marchas Sanjoaninas (foto de arquivo)
A Câmara Municipal de Ílhavo vai promover, nos próximos dias 18, 24 e 25 de junho, a edição de 2016 das Marchas Sanjoaninas de Ílhavo, em parceria com cinco Associações do Município: a Associação dos Amigos da Malha da Carvalheira, o Sporting Clube da Vista Alegre, a Associação Cultural e Recreativa “Os Palheiros” da Costa Nova, o Grupo de Jovens “A Tulha” e as Pestinhas – Grupo de Dança - Associação Cultural. 
Figurantes, letristas, ensaiadores, carpinteiros, costureiras, músicos, serralheiros e pintores trabalharam, de forma entusiástica, de alma e coração, para levar ao público um espetáculo cheio de originalidade nos habituais três desfiles que se realizam em vários pontos do Município de Ílhavo. 
O primeiro desfile terá lugar na Gafanha da Nazaré, na Av. José Estêvão, junto à Junta de Freguesia, no dia 18 de junho (sábado). O segundo desfile decorrerá no dia 24 de junho (sexta-feira), na Costa Nova, junto ao posto de Turismo, e o terceiro, pela terceira vez, vai encher de cor e alegria a Praça do Centro Cultural de Ílhavo, no dia 25 de junho (sábado). Todos os desfiles têm início às 22h00 e são gratuitos. 

terça-feira, 14 de junho de 2016

Feira do Livro em Aveiro

Mercado Manuel Firmino 
– Até 19 de junho






Está a decorrer em Aveiro, no Mercado Manuel Firmino, a Feira do Livro, que pode ser visitada até 19 de junho. Trata-se de um evento com programa adequado para todos os gostos e idades. 
Passei hoje por lá, mas prometo voltar, pois o ambiente é acolhedor e a exposição de livros é desafiante. Haverá sempre ocasião para se descobrir uma ou outra obra, porventura já fora do mercado ou metida em qualquer estante menos visitada. Vezes sem conta encontrei pechinchas cuja existência desconhecia?
É curioso verificar como os livros expostos estão lado a lado com outros artigos também interessantes. Passe por lá porque vale a pena.

Ver programa aqui. 

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